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Guerra traduzida na Rádio Observador. Abrimos mais um capítulo em que trazemos os destaques da imprensa russa e ucraniana. Já temos aqui conosco a jornalista Diana Rosa. Diana, boa tarde.

Boa tarde, bem-vindo, João, também aqui.

Hoje começas pela imprensa russa e com uma ameaça, caso a Ucrânia use armas dos Estados Unidos para atacar a Rússia, pode ser o início da guerra com a NATO.

Um aviso deixado por Dmitry Medvedev, ex-presidente russo, atualmente responsável pela segurança do país. Ele diz mais, João. Diz inclusivamente que a Rússia não estava a fazer bluff quando admitiu a possibilidade de usar armas nucleares contra a Ucrânia e que o conflito com o Ocidente poderia escalar para uma guerra mundial. Esta é a resposta ao levantamento de algumas restrições para o uso de armas militares norte-americanas, anunciado na quarta-feira por Joe Biden. A agência de notícias RIA cita uma mensagem deixada por Medvedev no Telegram, em que revela que o Parlamento russo já está a avaliar a possibilidade de avançar com armas nucleares. Também um membro do Comitê Estatal da Duma para os Assuntos Internacionais disse à RIA Novosti que o Ocidente não está a calcular bem os passos que está a dar e acrescentou uma ideia que passo a citar: "Há um provérbio russo maravilhoso que diz: não acordem o urso russo". Este membro do governo russo termina dizendo que os aliados da Ucrânia, através das suas ações, estão a levar a Rússia a tomar medidas extremas e utilizar armas que são as mais fortes do mundo.

E nesse sentido, seguimos com as declarações do primeiro-ministro da Hungria. Viktor Orbán assegura que a Europa está a preparar-se seriamente, Diana, para entrar em guerra com a Rússia.

Isso mesmo. Diz o governante húngaro que a Europa entrou numa fase intermédia de preparação para a guerra, à medida que é cada vez mais arrastada para o conflito armado na Ucrânia. Para Viktor Orbán, a cada semana que passa, há mais sinais de que a União Europeia e a NATO se preparam para uma ação militar e separa este processo em três fases: discussão, preparação e destruição. Para Orbán, estamos na segunda fase, diz mesmo que estamos a centímetros da destruição. Na opinião do primeiro-ministro da Hungria, a escalada do conflito acontece porque a Ucrânia e o Ocidente ainda acreditam que a Rússia pode perder a guerra e querem um sucesso militar a qualquer custo. Orbán reitera que o governo húngaro pretende fazer o possível para evitar que a Hungria seja arrastada para o conflito armado na Ucrânia. Diz que esta não é a guerra da Hungria e os húngaros não devem, por isso, sofrer com ela. Acrescenta o governante que a NATO é uma forte aliança defensiva criada para proteger os Estados membros e não para intervir noutros conflitos. É uma notícia da TASS.

E ainda hoje, Diana, Ucrânia e a Rússia trocaram 150 prisioneiros de guerra.

Está em destaque quer nos jornais russos, quer nos jornais ucranianos. Depois de organizações governamentais russas terem acusado a Ucrânia de tentar bloquear essa troca de prisioneiros através de consecutivas exigências. Hoje houve uma troca. Foi um plano mediado pelos Emirados Árabes Unidos, que asseguraram o regresso dos prisioneiros aos países de origem. A notícia está em destaque, por exemplo, na Agência RIA. Foram devolvidas 75 pessoas a cada lado, uma informação que, de resto, já foi também confirmada pelo presidente ucraniano. Zelenskyy escreveu na rede social X que entre os prisioneiros ucranianos estavam membros das Forças Armadas, também da Guarda Nacional, estavam ainda guardas de fronteira e quatro civis que já chegaram a casa.

E fechamos com uma notícia do Moscow Times. As forças russas já capturaram quase 900 km² de território ucraniano apenas este ano.

É pelo menos isso que garante o ministro russo da Defesa, numa altura em que as tropas russas dizem estar a avançar em todas as frentes do campo de batalha. Se esta informação for real, a Rússia terá tido melhores resultados nesta guerra só nos últimos cinco meses do que em todo o ano de 2023, quando a linha da frente permaneceu praticamente estática. Kharkiv tem sido uma das zonas mais fustigadas nos últimos tempos. Só nesta região as forças russas terão empurrado as tropas ucranianas em 9 km², diz o governante russo, que graças à coragem dos soldados, 28 localidades ucranianas foram ocupadas pela Rússia apenas este mês.

Fica por aqui deste episódio da Guerra Traduzida. Voltamos já a seguir com a Diana Rosa e com os destaques, desta vez, da imprensa ucraniana.