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Começa agora mais um episódio de Guerra Traduzida na Rádio Observador. Falamos nos próximos minutos dos destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana. Eu sou o Miguel Cordeiro, comigo está a jornalista Diana Rosa e hoje vamos começar com a imprensa da Ucrânia. E quanto isso é que faz manchete no Kyiv Independent: a visita surpresa do secretário norte-americano da Defesa a Kiev.

Lloyd Austin chegou de comboio à capital ucraniana esta manhã, numa visita que debruça-se sobre o reforço do apoio do Ocidente à Ucrânia. Uma viagem que acontece poucos dias depois do presidente dos Estados Unidos se ter deslocado a Berlim para se encontrar com os líderes do Reino Unido, também da Alemanha e França, para discutir o apoio contínuo à Ucrânia e ao plano de vitória apresentado por Zelensky. O chefe do Pentágono já se reuniu com o ministro ucraniano da Defesa e também com o presidente. Uma conversa sobre as necessidades de armamento da Ucrânia e a discutir a forma como os Estados Unidos podem continuar a apoiar o exército do país no próximo ano. Nesse sentido, os Estados Unidos anunciaram um pacote de quase €400 milhões em ajuda a Kiev, um novo pacote de apoio. O jornal ucraniano admite que a Ucrânia encontra-se numa posição cada vez mais difícil. Apesar do apoio de Washington, as forças russas continuam a avançar no leste do país, enquanto a Ucrânia se prepara para novos ataques contra a rede elétrica durante o inverno.

Incontornável na imprensa ucraniana, também o tema da eleição da Moldávia, que vê aprovada a pretensão do país de aderir à União Europeia.

E como se costuma dizer, foi por uma unha negra. O referendo foi aprovado com uma maioria bastante apertada, de acordo com as contas que ainda não estão fechadas, pelo menos ainda não nos chegou essa informação. No entanto, com mais de 99% dos votos contados, o sim ficou ligeiramente à frente, com 50,3%, apenas 8 mil votos a mais do que o não. Em simultâneo, Maia Sandu conseguiu levar a melhor na primeira volta das presidenciais moldavas, uma chefe de Estado pró-Europa, que acusa a Rússia de tentar interferir nas eleições do país através da compra de votos, para evitar uma entrada da Moldávia no bloco europeu. Moscovo nega as acusações. O Kremlin pede que Maia Sandu prove que houve, de facto, interferência eleitoral. Certo é que a líder moldava afirma que o país testemunhou um ataque sem precedentes à liberdade e à democracia, culpando grupos criminosos que trabalham em conjunto com forças estrangeiras hostis aos interesses nacionais da Moldávia. Estou aqui a citar Maia Sandu. Referendo aprovado. Em simultâneo, resultados da primeira volta das eleições dão 42% para a pró-Ocidente Maia Sandu, 26% para Stoianogo, o candidato pró-russo. A segunda volta está marcada para o dia 3 de novembro, dois dias antes das eleições norte-americanas.

A União Europeia também já se pronunciou sobre as eleições na Moldávia, denuncia uma interferência russa sem precedentes no referendo de adesão ao bloco comunitário.

A Rússia tenta a todo o custo manter os países que faziam parte da antiga União Soviética longe da NATO e da União Europeia. De resto, isso mesmo que tem acontecido com a Ucrânia. Num comunicado do porta-voz do Executivo Comunitário para os Negócios Estrangeiros, pode ler-se que as votações deste domingo estiveram a ser acompanhadas muito de perto, quer no que diz respeito às presidenciais, quer no que diz respeito ao referendo. E nesse sentido, Peter Stano diz que a Moldávia, um parceiro importante da União, foi alvo de interferência e intimidação por parte da Rússia e dos seus representantes, com o objetivo de destabilizar os processos democráticos. Peter Stano adianta ainda que o Executivo Europeu está a aguardar o anúncio final dos resultados oficiais de ambas as votações e também o anúncio dos observadores eleitorais da Comissão Central de Eleições, o que deverá acontecer ainda esta tarde, prevê-se, e depois disso, então, a União Europeia reage de forma oficial.

Seguimos com a notícia de que 18 soldados norte-coreanos foram presos por terem abandonado as posições na Rússia.

É o que adianta uma fonte dos serviços secretos citada pelo Cryinform. De acordo com esta fonte, os militares estavam a lutar pela Rússia na região de Kursk, junto à fronteira com a Ucrânia, e que foi, de resto, invadida pelas tropas ucranianas. Isto acontece numa altura em que a Ucrânia garante que há mais de 11 mil soldados norte-coreanos em prontidão para serem enviados para combater com os ucranianos já no início do próximo mês. Alguns já terão mesmo chegado ao campo de batalha. Dezoito deles desertaram depois de terem sido deixados numa floresta sem comida e sem instruções durante vários dias. Dois dias depois, os soldados desaparecidos foram encontrados e detidos pelas autoridades russas a cerca de 60 km da posição original.

São os destaques da imprensa ucraniana desta segunda-feira.