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Seguimos na Guerra Traduzida, agora com tempo para analisar a imprensa ucraniana deste dia 25 de março, trabalho da jornalista Diana Rosa. Começamos com a notícia do Kyiv Post: a Rússia tentou atacar a sede e escritórios dos serviços secretos ucranianos durante esta manhã.
Sim, ataque que acabou por fracassar. Os mísseis foram interceptados. Diz o Kyiv Post que os dois mísseis russos foram lançados a partir da Crimeia com destino a Kiev. Apesar de serem neutralizados pelas forças ucranianas, os destroços dos mísseis acabaram por cair numa região da capital. Na conta pessoal do X, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, o Dmytro Kuleba, publicou um vídeo em que mostra crianças a correr numa escola, assustadas, na sequência da tentativa deste ataque. Vamos ouvir aqui este registo. De acordo com o serviço de emergência do país, pelo menos nove pessoas ficaram feridas. É um número que ainda está em atualização. Ainda na sequência deste ataque, Volodymyr Zelensky deixou um apelo aos países aliados para que forneçam mais sistemas de defesa à Ucrânia.
A sul da Ucrânia, a cidade de Odessa está parcialmente sem energia, uma notícia também em destaque hoje. Isto acontece depois de ataques russos também nesta região.
É uma informação que consta, por exemplo, no jornal Pravda. Na sequência de um bombardeamento a uma empresa energética, os habitantes da zona de Pershukivsky ficaram sem eletricidade. A empresa está a tentar recuperar o serviço, mas diz que é um trabalho que ainda está para durar.
E há uma situação semelhante em Kharkiv.
Sim, por causa da falta de energia, vão ser desligados os sistemas de aquecimento nas próximas horas. Eu estive há pouco, Miguel, antes de vir aqui para estúdio, a ver a temperatura atual em Kharkiv. Estão 10 graus, agora que são 17h na Ucrânia, mas as mínimas vão chegar aos 2 graus esta noite. Portanto, estas pessoas não vão ter aquecimento em casa a partir de agora. A notícia foi confirmada pelo autarca da cidade, depois das forças russas terem destruído as instalações de uma energética nesta região. Por isso, há que dar prioridade ao que é mais essencial. Para que possa haver água quente e alguma eletricidade, não pode haver aquecimento porque os recursos não chegam para todos. Estamos a falar de um universo de mais de 700 mil residentes com condicionamentos de energia.
Ataques que atingiram também energéticas em Mykolaiv. 11 pessoas ficaram feridas. Seguimos nesta Guerra Traduzida com as declarações do presidente russo, que quer culpar a Ucrânia sobre o ataque terrorista em Moscovo. Uma notícia que está no Kyiv Independent.
Apesar do autoproclamado Estado Islâmico ter reivindicado o ataque à sala de espetáculos em Moscovo, Putin quer, como eu dizia no início desta Guerra Traduzida, atribuir culpas à Ucrânia. Disse, de resto, que os atacantes estariam a tentar fugir da Rússia através da fronteira ucraniana quando foram capturados. No entanto, não há provas de que isso seja verdade. Outras autoridades russas alegaram o envolvimento da Ucrânia no ataque sem fornecer qualquer prova, mas aproveitando essa especulação para intensificar as operações na Ucrânia, como de resto podemos confirmar com as notícias que nos chegam hoje de território ucraniano. Relembrar que Kiev rejeitou qualquer envolvimento no tiroteio de Moscovo. Do outro lado, do lado da Casa Branca, os serviços de informação afirmam que não há qualquer indicação de que a Ucrânia tenha participado neste caso.
E a Ucrânia acaba por devolver na mesma moeda à Rússia, também com acusações.
A inteligência militar da Ucrânia classificou o tiroteio como uma provocação deliberada dos serviços especiais de Putin para justificar ataques ainda mais violentos em território ucraniano e ainda para apelar a uma maior mobilização de militares russos para o esforço de guerra.
Fica por aqui esta Guerra Traduzida.