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Guerra traduzida na Rádio Observador. Vamos à primeira edição desta semana. Vamos analisar a imprensa do lado ucraniano e também do lado russo. Hoje começamos pela Ucrânia, um trabalho do jornalista Rui Casanova, com colaboração de Tânia Olynnyk. Rui, estamos com praticamente 600 dias de guerra entre Rússia e Ucrânia, mas temos agora um outro conflito também a marcar a atualidade e que entra também naquilo que são as notícias, quer na Ucrânia, quer na Rússia. Na imprensa ucraniana de hoje, o conflito de Israel e Palestina é um assunto em destaque.

É um assunto em destaque, até porque Volodymyr Zelensky falou sobre este conflito nas últimas horas para fazer paralelismos com a guerra na Ucrânia. O presidente ucraniano compara o ataque do Hamas a Israel com os ataques da Rússia à Ucrânia. Zelensky fala em ataques terroristas por parte de uma organização terrorista, o Hamas, e por parte de um Estado terrorista, a Rússia. São declarações do presidente da Ucrânia na Assembleia Parlamentar da NATO, na qual participou nas últimas horas por videochamada e que estão em destaque em toda a imprensa ucraniana. Zelensky adianta aqui um detalhe interessante, que os jornalistas israelitas que estiveram na Ucrânia a cobrir a invasão russa no início da guerra, estão agora a testemunhar o mesmo tipo de ataques no próprio país. Volodymyr Zelensky pede, por isso, como solução, regulamentação, mais regras e também leis internacionais concretas para impedir novos conflitos em todo o mundo como este.

Entretanto, o governo da Ucrânia está a fazer uma lista de cidadãos ucranianos que estão em Israel e que querem deixar o país.

Existem 14 mil ucranianos no registro consular da Embaixada da Ucrânia em Israel. O Ministério dos Negócios Estrangeiros de Kiev está a compilar listas de cidadãos da Ucrânia que querem deixar o país. A informação é avançada pelo porta-voz desta tutela na televisão ucraniana. Oleg Nikolenko confirma ainda a morte de pelo menos duas mulheres ucranianas na sequência destas hostilidades.

Rui, a imprensa ucraniana destaca também a proximidade da Rússia ao Hamas.

Sim, há pouco falávamos do paralelismo que Volodymyr Zelensky fazia dos ataques em Israel à guerra na Ucrânia. Agora aqui o canal TCN cita um especialista neste conflito, Israel-Palestina. O vice-diretor do Centro de Estudos do Médio Oriente, Serhii Danilov, explica que a Rússia tem o poder e as ferramentas para interagir com organizações terroristas como o Hamas. Explica que a Federação Russa mantém relações há muito tempo com esta organização, pois é lucrativo para a Rússia manter próximos os aliados que violam a ordem mundial. É a análise deste especialista, vice-diretor do Centro de Estudos do Médio Oriente. Diz ainda que a Rússia investiu muito na manutenção destas relações com o Hamas e várias outras organizações palestinas.

E ainda neste tema, Kiev acusa a Rússia de entregar aos territórios do Hamas armas capturadas na Ucrânia.

Informação avançada pelos serviços secretos da Ucrânia. Falam numa campanha russa para desacreditar e descredibilizar a Ucrânia no Médio Oriente. Numa publicação do Facebook citada pelo jornal ucraniano Pravda, os serviços secretos da Ucrânia afirmam que a Rússia está a utilizar o ataque dos terroristas do Hamas para uma provocação contra a Ucrânia. Lá está, mais uma vez aqui, o paralelismo dos ataques em Israel com a guerra na Ucrânia e daí a importância deste assunto estar em destaque na imprensa ucraniana e também daí estarmos a falar disso mesmo aqui na Guerra Traduzida. Os serviços secretos da Ucrânia afirmam ainda que a Rússia já entregou aos terroristas do Hamas armas que foram apreendidas durante os combates na Ucrânia, que foram fabricadas nos Estados Unidos e também na União Europeia. O próximo passo, preveem os serviços secretos da Ucrânia, é que a Ucrânia deverá ser acusada falsamente de vender armas ocidentais a terroristas.

Vamos então para as atenções na guerra na Ucrânia, no terreno ucraniano, com destaque para um alerta do Ministro dos Negócios Estrangeiros de Kiev.

Se a Ucrânia perder a guerra, é o fim da Europa. Este o aviso deixado por Dmytro Kuleba nas últimas horas, numa entrevista dada à Forbes Ucrânia e que é também citada pelo jornal Kyiv Independent. Dmytro Kuleba pede que os cidadãos europeus percebam que o conflito não é só na Ucrânia, também diz respeito aos restantes países europeus. De resto, é uma posição que a Ucrânia tem tentado transmitir desde o início da invasão. Questionado também sobre a reação da União Europeia ao fato de a guerra se estar a arrastar durante mais tempo do que o suposto, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia relembra que Bruxelas se propôs a ajudar Kiev até quando for necessário.

Temos também um dado curioso sobre as consequências da guerra. As vendas pela internet tornaram-se a fraude mais comum na Ucrânia desde o início da invasão.

É a conclusão de um inquérito, um estudo da plataforma ucraniana OpenDataBot, uma plataforma de análise de dados e que faz este tipo de inquéritos. De acordo com este estudo, um em cada nove ucranianos foi vítima de fraude desde o início da invasão em grande escala. De acordo com os resultados deste inquérito, a atividade dos criminosos informáticos aumentou desde o início da guerra. Explica o estudo que estes criminosos aproveitaram-se da situação delicada no país, o conflito, adaptaram esquemas fraudulentos e infligiram assim fraudes a pessoas, fingindo, por exemplo, fazendo-se passar por bancos ou prometendo assistência financeira em nome do Estado, de organizações internacionais e de caridade. O maior número de vítimas situa-se entre os mais jovens, entre os 18 e os 24, e depois as pessoas mais velhas, a partir dos 65 anos. É uma notícia em destaque na secção de economia do jornal ucraniano Pravda.

E a notícia que fecha este episódio de guerra traduzida com destaque para a imprensa ucraniana.