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Segunda parte da Guerra Traduzida com a jornalista Diana Rosa, que nos traz agora os destaques da imprensa ucraniana. Diana, é incontornável a notícia de que a Rússia disparou um míssil balístico intercontinental pela primeira vez. É, pelo menos, essa a alegação da Ucrânia.

Depois de Kiev disparar também pela primeira vez mísseis britânicos de longo alcance, Storm Shadow, contra a Rússia, Moscovo quis responder, diz a Ucrânia. O míssil foi disparado em simultâneo com outros sete, mas de cruzeiro, e teve como alvo Dnipro, na região sul da Ucrânia. Apesar de os mísseis balísticos intercontinentais terem capacidade para transportar ogivas nucleares, aquele que foi disparado esta manhã não transportava nenhuma. A Rússia ainda não quis comentar esta alegação. Há, de resto, relatos que chegam da imprensa internacional de que o Kremlin está, para já, impedido de falar no assunto. No entanto, existe aqui uma informação que contradiz a Ucrânia, porque fontes ocidentais afirmam que o míssil lançado pela Rússia seria balístico, sim, mas não intercontinental. No entanto, o presidente ucraniano insiste que Moscovo está, pelo menos, a usar mísseis novos e a usar a Ucrânia como um campo de treino. É uma notícia que está em manchete em praticamente todos os jornais ucranianos.

Diana, as Forças Armadas ucranianas divulgaram hoje também o plano russo de ocupação e distribuição territorial da Ucrânia.

Um mapa que pode ser visto no Kyiv Post tem a Ucrânia dividida em três faixas verticais. Mais à direita, a oriente, uma faixa vermelha corresponde à região que a Rússia quer anexar oficialmente. A meio do mapa, uma faixa laranja, o território em torno de Kiev, que é referido por Moscovo como uma entidade estatal pró-Rússia, ou seja, um Estado fantoche com autoridades pró-russas e a presença militar de Moscovo. À esquerda, as regiões ocidentais da Ucrânia referidas como territórios disputados, cujo destino vai ser determinado em negociações que envolvem Rússia, Polónia, Hungria e Roménia. É um mapa em que as três faixas têm mais ou menos a mesma área. De acordo com fontes dos serviços secretos ao Kyiv Post, este é o plano russo para uma Ucrânia que vê o fim do Estado independente.

E que, de acordo com este artigo, Diana, quer também uma nova divisão mundial.

Dizem os serviços secretos ucranianos, que tiveram acesso à documentação do Kremlin, que descreve quatro cenários potenciais para o desenvolvimento de processos internacionais mais amplos, mas há dois que a Rússia considera mais favoráveis. Um deles, a formação de um mundo multipolar, onde as grandes potências dividem esferas de influência. Outro traduz-se na regionalização ou caos, estou aqui a citar, que implica um enfraquecimento da ordem global. Nestes cenários, o Kremlin espera garantir a vitória na guerra com a Ucrânia e levar a mudanças na política mundial. Mas há outras duas hipóteses. Uma delas é o domínio dos Estados Unidos e do Ocidente, ou então a China emergindo como a principal potência global, num cenário que é considerado desfavorável pela Rússia, que só se pode materializar se Moscovo perder a guerra com a Ucrânia, ou então o conflito for congelado. É o que dizem os serviços secretos.

Diana, a Ucrânia diz estar 95% pronta para retomar os voos comerciais, mas precisa de defesas aéreas adequadas. É o que diz o governo.

Falta o fator principal, que é garantir a segurança dos passageiros. É o que admite o ministro ucraniano do Desenvolvimento de Comunidades e Territórios, em declarações à emissora Suspilne. Oleksii Kuleba reconhece que a arquitetura de segurança requer defesas aéreas muito fortes. O assunto já tinha sido levantado na semana passada. Falámos sobre isso aqui na Guerra Traduzida, sobre essa vontade de reabrir os aeroportos, a começar pelo de Lviv, ali junto à fronteira com a Polónia, algo que podia acontecer já no próximo ano. No entanto, ao dia de hoje, o ministro confirma que é uma solução impraticável. Não há garantias suficientes de segurança. Portanto, na verdade, a situação na linha da frente também vai determinar se é possível ou não avançar com esta medida.

É com esta notícia que termina esta edição da Guerra Traduzida.