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Segunda parte da "Guerra Traduzida" com a jornalista Diana Rosa. Falamos agora dos destaques da imprensa russa. A Rússia, Diana, nega problemas com o Sergei Lavrov face à ausência do chefe da diplomacia em eventos importantes.
O Kremlin assegura hoje que está tudo bem com o chefe da diplomacia, cuja ausência prolongada do espaço público tem alimentado rumores de que poderá ter caído em desgraça no que toca à relação de mais de 20 anos que tem com Vladimir Putin. Lavrov não aparece em público desde o final de outubro. Falhou recentemente um acordo com o homólogo norte-americano, Marco Rubio, sobre as modalidades da cimeira Putin-Trump em Budapeste, onde também estaria presente Viktor Orbán, e foi adiada essa reunião por tempo indeterminado. Nos últimos dias, o nome de Lavrov aparece apenas em vídeos ou comunicados escritos e publicados no site do Ministério dos Negócios Estrangeiros. A porta-voz do ministro, Maria Zakharova, não fez qualquer anúncio sobre a agenda pública do diplomata durante a conferência de imprensa semanal. Já o porta-voz do Kremlin garante que Lavrov continua a trabalhar ativamente. Assegura Dmitry Peskov que são absolutamente falsas as especulações de alguns meios de comunicação social sobre uma eventual queda em desgraça de Lavrov, dizendo que quando houver eventos públicos, vamos ver o ministro.
E a Hungria vai ficar livre de aplicar sanções à Rússia enquanto Donald Trump estiver no poder.
O primeiro-ministro húngaro acredita que a isenção às sanções foi acordada com os Estados Unidos por tempo indeterminado. Os dois líderes discutiram o assunto na passada sexta-feira. Foi esse acordo verbal que foi feito entre os dois. Viktor Orbán escreveu sobre o tema hoje. A publicação nas redes sociais surge na sequência de declarações não identificadas de funcionários da administração norte-americana à Reuters, que afirmam que a Hungria está isenta das sanções por apenas um ano, mas o primeiro-ministro e o ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria negaram. Sublinham que Trump nunca mencionou um prazo específico. No entanto, ainda não está claro quando é que esse acordo vai ser vertido para um documento oficial e qual é que vai ser o desenho desse documento. É uma notícia da TASS.
Diana, com a Rússia a cercar a cidade de Pokrovsk, a Ucrânia luta para ganhar tempo.
É o título de um artigo que faz manchete no "Moscow Times". Os intensos combates continuam a assolar a cidade no leste do país, enquanto as forças russas intensificam uma campanha para tomar este que é um polo industrial na região do Donetsk. Pokrovsk, que já abrigou cerca de 60 mil pessoas, resistiu a mais de um ano e meio de bombardeamentos implacáveis. Agora a batalha pela cidade entrou numa fase crítica. Como temos também aqui dito, os analistas militares ocidentais afirmam que as tropas russas sim, avançaram gradualmente, desgastando as defesas ucranianas, aproveitando-se até das condições climatéricas, que são mais desfavoráveis neste momento, para deslocar mais homens para perto da linha da frente. O combate transformou-se numa luta de desgaste, deixa as unidades ucranianas com efetivo muito reduzido. O principal problema é a logística. É o que diz Artem, um operador de drones que luta precisamente nessa área. As estradas estão completamente congestionadas por drones russos. Nenhum veículo consegue entrar ou sair da cidade sem ser imediatamente detetado. E mesmo nessas condições, as formações ucranianas continuam a ocupar partes de Pokrovsk e da vizinha Myrnohrad. Artem afirma que os confrontos intensificaram-se de uma só vez em direção às posições ucranianas. Em terra, as unidades russas avançaram para o distrito de Shakhta, o centro industrial da cidade, e uma vez que entram, é quase impossível retirá-los. É o que diz este soldado. Os russos escondem-se em porões e túneis, esperam por reforços e avançam de casa em casa. É assim que progridem. É o relato citado pelo "Moscow Times", deste soldado ucraniano.
E é também o ponto final na "Guerra Traduzida", que regressa amanhã.