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Começa agora mais um episódio da "Guerra Traduzida" especial Irão. Passamos em revista o que contam os jornais do mundo em tempo de guerra. Eu sou o António José Soares, a edição de hoje é da jornalista Teresa Freire. Boa tarde, Teresa.
Boa tarde, António.
E começamos com o presidente norte-americano, que não está nada satisfeito com a última proposta apresentada por Teerão.
É o que diz uma fonte da administração Trump, citada pelo "Haaretz", que adianta que a proposta em questão deixada de lado, para já, o programa nuclear do Irão. Falamos de um documento que foi discutido ontem com os conselheiros de segurança nacional. Já fontes iranianas tinham adiantado que a proposta deixaria de lado a discussão sobre o armamento nuclear até que o estreito de Ormuz reabrisse. No entanto, Washington quer esse mesmo tempo para uma das prioridades em cima da mesa. A porta-voz da Casa Branca, Olivia Wyles, voltou a reforçar neste dia as linhas vermelhas de Donald Trump e dos Estados Unidos.
Olhamos ainda para os movimentos no estreito de Ormuz, Teresa. Um superiate russo terá atravessado esta via marítima no fim de semana.
Uma embarcação ligada ao magnata Alexei Mordashov, uma notícia avançada pela Reuters. A agência escreve que este iate é uma das raras embarcações que conseguiram circular neste estreito desde o início do conflito. Em causa está o iate North, que tem 142 metros e está avaliado em mais de 430 milhões de euros. Terá saído no sábado da Marinha do Dubai, cruzou o estreito e chegou a Muscat no domingo.
Este é um conflito, aliás, que se estende várias frentes. O presidente libanês estará a tentar ao máximo não se encontrar com Benjamin Netanyahu na capital norte-americana. Isto para evitar uma reação do Hezbollah.
O gabinete do presidente libanês está a trabalhar junto de Washington para evitar um encontro com o primeiro-ministro israelita na cidade. É o que avança o jornal "Haaretz", que cita o diário libanês Nidaa al-Watan. Em causa está um convite dirigido aos dois chefes de Estado pelo presidente dos Estados Unidos no início deste mês, depois do anúncio de um cessar-fogo entre Israel e o Líbano. Já nessa altura, o presidente libanês recusou-se a participar numa chamada trilateral, como agora está a tentar evitar um encontro direto com Netanyahu. Segundo a mesma fonte, o Líbano espera que Washington compreenda esta posição para evitar exaltar os ânimos junto do Hezbollah, que continua a criticar o governo libanês de estar a ponderar aceitar negociações com Israel.
Isto numa altura, Teresa, em que sobe a tensão com Israel a voltar a acusar o Hezbollah de ter violado o cessar-fogo.
As forças israelitas dão conta de que dois soldados terão ficado feridos na sequência da queda de um drone numa operação no sul do Líbano. Na rede social X, a defesa de Israel escreve que este incidente é uma clara violação dos acordos de cessar-fogo por parte do Hezbollah.
Para o lado da Europa, também chegam críticas e acusações. O Irão aponta o dedo à União Europeia. Fala em hipocrisia depois de Ursula von der Leyen ter recusado levantar as sanções.
"Acelera a vergonhosa da descida da Europa para a irrelevância". É o que escreve o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros na rede social X. Esmaíl Baghai considera que as sanções da União Europeia contra o Irão são um teatro batido que têm como objetivo espezinhar os direitos básicos do povo iraniano. É a reação do Irão às declarações da presidente da Comissão Europeia ontem num encontro em Berlim. Recordo que Ursula von der Leyen terá afirmado que primeiro era necessário uma mudança de comportamento do Irão para que a União Europeia pondere levantar as sanções. Em causa estão medidas como a proibição da exportação de armas para o Irão e o impedimento do acesso dos voos de transporte de carga iranianos aos aeroportos da União Europeia.
E Teresa, fechamos com o novo balanço de mortos do ataque que marcou o primeiro dia de guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irão. Falamos da escola de Minab.
As forças iranianas voltaram a rever o balanço deste ataque e o número foi revisto em baixa. No final de março, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano dava conta da morte de mais de 175 alunos e professores nessa escola localizada no sul do Irão. Agora, num novo balanço divulgado pela televisão estatal, o número é retificado com 155 mortes e entre elas estão 120 crianças.
E fica por aqui esta "Guerra Traduzida", especial Irão, hoje com edição da jornalista Teresa Freire. Está de regresso amanhã à antena da Rádio Observador.