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Arranca agora mais um episódio da "Guerra Traduzida" para acompanharmos as guerras no Médio Oriente. Eu sou o Ricardo Lopes, comigo tenho o Miguel Gato para olhar para a imprensa internacional. Bom dia, Miguel.

Olá, bom dia.

Miguel, começamos com uma revelação surpreendente sobre a segurança de Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos fez um voo militar secreto desde a Turquia até ao Reino Unido no mês passado. Tudo isto por causa de uma ameaça do Irão.

Sim, a operação ocorreu durante uma cimeira da NATO, quando Trump estava na Turquia, na cidade de Ancara. A Casa Branca tinha afirmado que o presidente norte-americano iria viajar a bordo do Air Force One, como é habitual, mas a imprensa internacional revela hoje que, afinal, isso não aconteceu. Segundo o Washington Post e também o The New York Times, a operação foi motivada por uma ameaça de assassinato iraniana e envolveu esconder Donald Trump num contentor de serviço de bordo do aeroporto. O presidente dos Estados Unidos embarcou no Air Force One diante das câmaras de televisão, como é habitual, mas minutos depois foi transferido secretamente para uma aeronave mais pequena através de um carrinho de catering. A localização real de Trump foi mantida em segredo dos jornalistas e também de alguns funcionários da Casa Branca. O avião voou até ao Reino Unido, com o Air Force One e a imprensa a chegarem apenas minutos depois. Um funcionário norte-americano disse ao Washington Post que se tratou de uma ameaça credível do Irão e que os Estados Unidos vão utilizar, sempre que for necessário, todas as medidas de segurança para proteger o líder da Casa Branca.

Falamos também do conflito propriamente dito, Miguel. As esperanças de um acordo sobre o estreito de Ormuz estão a diminuir. Isto porque Donald Trump continua a exigir reparações ao Irão.

É a manchete de hoje da agência Reuters. O presidente dos Estados Unidos respondeu ontem às condições do Irão para um acordo, com exigências de que Teerão pague indenizações pelas pessoas mortas na guerra entre Teerão e Washington. Mas Donald Trump disse também que quer exigir pagamentos pelos protestos internos que aconteceram no Irão no final do ano passado e no início deste ano. Terão morrido mais de 30 mil pessoas às mãos das autoridades iranianas. Esta escalada de retórica de Trump complica os esforços para reabrir o estreito de Ormuz, é o que escreve hoje a Reuters. Tal já está a ter impacto também nos mercados, estas declarações. Os preços do petróleo fecharam ontem com uma subida de 5%. O Irão declarou nos últimos dias estar perto de um acordo final com Omã para a reabertura do estreito de Ormuz, com novas rotas de navegação, sendo que Teerão tem reiterado que os Estados Unidos devem cumprir condições, incluindo compensarem o Irão pela guerra e também o fim das sanções e ameaças militares antes que a importante via navegável seja reaberta.

Até porque, Miguel, e do outro lado da barricada, o Irão acusa os Estados Unidos de terem feito das sanções uma espécie de vício.

É essa a expressão utilizada pelo porta-voz do Ministério Iraniano dos Negócios Estrangeiros, acusa o secretário norte-americano do Tesouro, Scott Bessent, de querer sufocar o Irão através de sanções económicas e diz que a estratégia norte-americana se tornou um vício. Esmael Bakai critica ainda a Casa Branca por não optar pela diplomacia. Na rede social X, o porta-voz iraniano garante ainda que o Irão não se deixa afetar pelas sanções dos Estados Unidos e que o verdadeiro risco será para os norte-americanos, que vão acabar por não terminar uma crise que eles próprios criaram no Médio Oriente. Esta é uma notícia em destaque na agência de notícias iraniana Tasnim.

Olhamos agora para outro conflito, também no Médio Oriente, Miguel. Israel continua a atacar o sul do Líbano.

Isto apesar dos progressos na ronda de negociações para um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, que aconteceu na semana passada em Roma. O exército israelita avançou com este ataque durante a noite e não emitiu qualquer alerta através dos habituais canais nas redes sociais, mas a notícia é hoje divulgada pela imprensa libanesa. Avança que foi atingido um veículo por um drone israelita nos arredores de Nabatieh. A Agência Nacional de Notícias do Líbano escreve ainda também que foram atingidos uma ambulância da Autoridade Islâmica de Saúde, que é ligada ao Hezbollah, também um veículo da Associação dos Escoteiros da Mensagem Islâmica e outro com profissionais médicos. Isto num segundo ataque.

Já sobre o eventual plano de paz para Gaza, há alguns sinais, Miguel, de que o processo continua.

Sim, o plano para Gaza está em pleno andamento e a avançar, ao mesmo tempo que continuam as negociações com Israel. A garantia é dada por um funcionário do Conselho de Paz criado por Donald Trump, à agência Reuters. O processo baseia-se na implementação e verificação no terreno, neste momento, e as negociações continuam. As declarações vêm na sequência da rejeição do plano de paz de Donald Trump para Gaza, anunciada ontem por Israel. Tel Aviv rejeita, para já, este esboço que está a ser feito. Isto porque quer o desarmamento total do Hamas antes de se retirar do enclave palestiniano.

Termina assim este episódio da "Guerra Traduzida" sobre os conflitos no Médio Oriente. A edição de hoje foi da responsabilidade do jornalista Miguel Gato.