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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Trazemos os destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana em tempo de guerra com a jornalista Diana Rosa. Diana, muito boa noite.
Boa noite, João.
Vamos começar com os jornais ucranianos. A Ucrânia nega que haja um acordo sobre uma zona tampão no Donbass. Diz que o tema está numa base teórica.
Garantia do gabinete presidencial da Ucrânia rejeita que Kiev esteja disposto a concordar com a criação de uma chamada zona tampão, como disseste, ou zona desmilitarizada no leste da Ucrânia como parte das negociações com os Estados Unidos. O esclarecimento vem na sequência de uma reportagem do jornal francês "Le Monde", que afirmava que a Ucrânia havia concordado com uma zona desmilitarizada em ambos os lados da atual linha da frente, no Donbass, supostamente apoiada por líderes europeus e incluída num plano de paz revisto pelos Estados Unidos. Em declarações ao Kyiv Post, Mykhailo Podolyak, o assessor do chefe do gabinete de Zelensky, afirmou que a interpretação do jornal francês foi exagerada. Este assessor acrescentou que essas conversas ainda fazem parte de deliberações mais amplas sobre uma garantia de segurança e não de uma proposta concreta.
Olhamos ainda para o que se passa no terreno, Diana. As forças ucranianas cercaram as tropas russas em Kupyansk e recuperaram áreas-chave nesta região de Kharkiv.
É o que adianta o Deep State, citado pelo Kyiv Independent. Também o Corpo de Guarda Nacional confirmou ter liderado a operação que foi lançada para estabilizar a linha da frente, depois de uma nova ofensiva russa nessa zona em setembro. Kupyansk, um importante centro logístico localizado a pouco mais de 100 km a leste de Kharkiv, tem sido alvo de intensos ataques russos nos últimos meses. A cidade permanece interdita a civis devido aos bombardeamentos contínuos e à ameaça de grupos de sabotagem russos que operam atrás das chamadas linhas inimigas. O Deep State diz que a operação continua difícil e prolongada, uma vez que ainda existem enclaves russos na parte central da cidade. Mas há uma quantidade significativa de evidências visuais online que confirmam as ações bem-sucedidas das Forças de Defesa da Ucrânia. O presidente Volodymyr Zelensky visitou hoje as tropas na região.
E publicou várias fotografias nas redes sociais. O presidente turco, Diana, apela a um cessar-fogo limitado nos portos e nas infraestruturas energéticas da Ucrânia.
E exerce pressão sobre Vladimir Putin. Os dois estiveram reunidos no Turquemenistão. Erdoğan, que mantém relações próximas tanto com Kiev como com Moscovo, sugeriu que um cessar-fogo restrito naquelas instalações poderia criar condições favoráveis para futuras negociações de paz. O chefe de Estado turco alerta para uma escalada preocupante no Mar Negro, depois de ataques reivindicados pela Ucrânia a petroleiros ligados à Rússia, junto à costa turca. Zelensky disse na quinta-feira que apoia a proposta de Ancara, mas sublinha que Moscovo não vai aceitar qualquer cessar-fogo até que seja assinado um acordo de paz abrangente. A Turquia, membro da NATO, acolheu este ano três rondas de negociações entre Kiev e Moscovo, que embora sem progressos substanciais, permitiram pelo menos trocas de prisioneiros. Ancara mantém igualmente laços estreitos com ambos os beligerantes, não adere às sanções ocidentais contra a Rússia e continua a fornecer drones de combate à Ucrânia.
A organização não governamental Centro Regional para os Direitos Humanos acusa, entretanto, a Rússia de ter enviado menores para a Coreia do Norte.
É uma denúncia da própria ONG. De acordo com a organização, que tem sede na Ucrânia, várias crianças alegadamente raptadas pela Rússia em territórios ocupados foram enviadas para a Coreia do Norte para serem doutrinadas politicamente e depois militarizadas. A ONG acusa também a Rússia de sujeitar as crianças a tratamentos cruéis, com consequências potencialmente severas. A especialista na organização, Kateryna Rashevska, esteve no Congresso Norte-Americano na semana passada a apresentar dois exemplos, dois casos. O de Misha, de 12 anos, da região do Donetsk, e Lisa, 16 anos, foram enviadas para campos infantis na Coreia do Norte. Kateryna conta que as crianças são ensinadas a destruir militares japoneses e encontrarem-se com veteranos norte-coreanos que em 1968 atacaram um navio norte-americano.
E é assim que fechamos a "Guerra Traduzida" versão Ucrânia. Voltamos já a seguir para saber o que conta a imprensa russa.