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Guerra traduzida na Rádio Observador. Vamos olhar agora para os destaques da imprensa ucraniana em tempo de guerra, um trabalho do jornalista Martim Madeira. Boa noite, Martim.

Boa noite.

E começamos com a primeira visita oficial de Zelensky à Sérvia.

O jornal The Kyiv Independent destaca hoje o início da primeira viagem oficial de Volodymyr Zelensky a Belgrado. O presidente ucraniano encontrou-se com o homólogo, Aleksandar Vučić, e com o primeiro-ministro Durão Makut, num esforço para reforçar os laços diplomáticos nos Balcãs. De acordo com o The New Voice of Ukraine, esta visita é vista como um passo importante para garantir que a Sérvia, que tem mantido uma posição de equilíbrio, se mantenha aberta ao diálogo construtivo com Kiev. O jornal Ukrayinska Pravda sublinha que Zelensky viajou acompanhado por uma delegação que procura também cooperação na área da defesa e energia, tentando isolar a influência russa que existe na região sérvia.

E a Ucrânia está com dificuldades em travar mísseis russos por falta de defesas.

O Ministério da Defesa da Ucrânia, citado pelo The Kyiv Independent, revelou dados preocupantes sobre a eficácia da defesa aérea no mês de julho. Dos 195 mísseis balísticos lançados pela Rússia, a Ucrânia conseguiu interceptar apenas 29. A Ukrayinska Pravda explica que este baixo rácio de sucesso se deve a uma escassez crítica de mísseis interceptores, forçando as Forças Armadas a priorizar apenas os alvos mais sensíveis. No The New Voice of Ukraine, um conselheiro militar avisa que a guerra eletrónica não é suficiente para desviar mísseis balísticos, o que torna o fornecimento de sistemas como o Patriot ainda mais urgentes para proteger as cidades ucranianas do que chamam de território balístico. Donald Trump já tinha dito que não ia fornecer mais mísseis Patriot para a Ucrânia, isto porque os Estados Unidos também precisam, é o que argumenta o presidente norte-americano. No entanto, há ainda a promessa dos Estados Unidos de entregarem a patente e a criação destes mísseis à Ucrânia.

E Martim, a maioria dos ucranianos recusa ceder Donbass, mas aceita congelar a guerra.

Uma sondagem divulgada hoje pelo The Kyiv Independent mostra a complexa opinião pública ucraniana após mais de quatro anos de conflito. Cerca de 60% dos inquiridos opõem-se a ceder as regiões de Donetsk e Luhansk à Rússia. No entanto, a Ukrayinska Pravda nota que a mesma porcentagem, 60%, estaria disposta a apoiar um congelamento da guerra, desde que o país recebesse garantias de segurança internacionais robustas. O The New Voice of Ukraine acrescenta que, apesar do desgaste, o desejo de adesão à NATO e à União Europeia continua a ser a prioridade para a maioria da população, vista como a única solução de longo prazo para a segurança nacional.

Entretanto, um ataque russo provocou danos num estádio de futebol em Odessa.

O desporto volta a ser atingido pela guerra, com o jornal Ukrayinska Pravda a relatar um ataque com drones e mísseis que danificou o estádio do Chornomorets, em Odessa. O The Kyiv Independent explica que o teto da infraestrutura desportiva ficou com um buraco considerável e uma pessoa ficou ferida nas imediações. Segundo o The New Voice of Ukraine, a Força Aérea Ucraniana tinha emitido um alerta, pouco antes, sobre a aproximação dos drones de alta velocidade, mas o impacto no estádio acabou por ser inevitável. Este incidente é reportado em Kiev como mais um exemplo de como as infraestruturas civis e de lazer continuam a sofrer danos colaterais pesados devido à intensidade dos ataques na costa sul ucraniana.

Está feito. Ficam por aqui os destaques da imprensa ucraniana, edição de hoje, dia 7 de agosto, um trabalho do jornalista Martim Madeira.