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Guerra traduzida na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Hoje com o jornalista António José Soares. Boa noite, António.

Boa noite, Beatriz.

António, começamos pela imprensa ucraniana. As forças russas lançaram hoje de manhã um ataque devastador com um míssil balístico.

Foi contra a cidade ucraniana de Kryvyi Rih, na região de Dnipropetrovsk. De acordo com informações avançadas pelo presidente do Conselho de Defesa local e publicadas pelo Kyiv Independent, o bombardeamento atingiu uma instalação de infraestrutura industrial e civil, provocando a morte a pelo menos três pessoas e causando ferimentos graves em 25 civis. A Rússia terá utilizado um míssil equipado com ogivas de fragmentação por dispersão de sub munições altamente letais. O presidente Volodymyr Zelensky reagiu duramente a este ataque nas redes sociais, sublinhando que cada atraso nos fornecimentos de defesa aérea ocidental custa vidas humanas aos cidadãos ucranianos.

E António, as Forças de Operações Especiais da Ucrânia, em coordenação com os elementos do Movimento de Resistência Clandestino na península ocupada da Crimeia, destruíram completamente uma importante ponte ferroviária sob o canal da Crimeia do Norte.

Essa travessia tratava-se de uma via estratégica, tanto militar quanto logística para os russos. Segundo revelou a agência oficial Ukrinform, com base em comunicados militares, a operação de sabotagem foi executada em duas fases distintas ao longo de duas noites sucessivas. Inicialmente, os drones ucranianos atingiram a estrutura, danificando seriamente a linha de caminhos de ferro e provocando o colapso de uma das suas principais arcadas de sustentação. Após a resistência local ter reportado a chegada rápida de equipas e maquinaria especial russa para efetuar as reparações de emergência, as forças ucranianas lançaram então uma segunda vaga de ataques. Este novo bombardeamento destruiu tanto o equipamento de reparação, tanto também aquilo que restava da ponte, cortando assim esta rota logística de fornecimento militar para a Rússia.

Seguimos agora com a notícia de que as defesas aéreas da Ucrânia conseguiram neutralizar 118 dos 135 drones de ataque lançados pela Rússia num ataque aéreo maciço que decorreu durante a noite de ontem.

Segundo informou também a agência Ukrinform, este ataque aéreo foi repelido pela aviação, unidades de mísseis antiaéreos, unidades de guerra eletrônica e sistemas não tripulados, assim como por grupos de fogo móveis das Forças de Defesa da Ucrânia. Ainda segundo a agência de notícias, as forças russas realizaram já mais de mil ataques na região de Zaporizhzhia só no último dia.

Já no plano diplomático, o Kyiv Independent revela em exclusivo que a Ucrânia acredita ter obtido o apoio privado de Donald Trump para agir com mais ousadia militar contra a Rússia.

Isto para forçar Moscovo a negociações significativas. Segundo apurou o Kyiv Independent, que cita um alto funcionário ucraniano. Este afirma que esta posição terá sido transmitida pelo presidente dos Estados Unidos, em particular ao presidente Volodymyr Zelensky. É uma mensagem que surge no momento em que Kiev intensifica os esforços para garantir um encontro entre Zelensky e Putin. Uma ideia que Trump apoia, mas que o Kremlin continua a evitar. O mesmo funcionário acrescenta que o presidente dos Estados Unidos não acredita que o líder russo faça alguma coisa sem pressão.

E são estas as principais notícias dos jornais ucranianos. Voltamos já a seguir com a imprensa russa.