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Guerra traduzida na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Hoje com José Rafael Lopes. Eu sou a Rita Cambarneiro e vamos começar pela imprensa russa e pelo rescaldo dos ataques ucranianos no território russo.
É, de forma clara, uma das notícias que mais espaço ocupa hoje na imprensa russa. A cobertura centra-se no ataque de drones contra território russo. Treze pessoas morreram, dezenas ficaram feridas depois de os drones terem atingido zonas residenciais e instalações industriais. O Kommersant foi atualizando ao longo do dia o número de vítimas, que chegou também a mais de 75 feridos. As autoridades regionais anunciaram um dia de luto e o Comitê de Investigação Russo abriu um processo por terrorismo. É a forma como este ataque ucraniano está a ser tratado na Rússia. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia condenou também os ataques contra outras regiões e garante que os responsáveis, os ucranianos, vão ser punidos.
E a guerra dos drones tem um lugar de destaque na imprensa russa.
E voltamos a falar do Ministério da Defesa Russo, que, segundo o que é descrito na imprensa, interceptou e destruiu mais de 450 drones ucranianos durante a última noite. A imprensa russa relata ataques ou tentativas de ataques em várias regiões, já falamos sobre isso nesta edição, com números em crescente no que toca a intercepções da defesa aérea russa. A cobertura acompanha também os danos provocados pelos destroços e as restrições temporárias em diferentes zonas, fruto do trabalho defensivo que tem sido feito pelas forças de defesa da Rússia. A notícia é apresentada pelos meios russos como mais uma demonstração da intensidade dos ataques ucranianos contra a Rússia, com destaque também para a eficácia das defesas aéreas do país.
E a Rússia diz não aceitar um congelamento da guerra na Ucrânia.
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Mikhail Galuzin, afirmou que a Rússia não apoia esse congelamento do conflito e que qualquer solução deve eliminar aquilo que Moscovo considera serem as causas fundamentais da guerra. O tema surge no momento em que a imprensa russa acompanha várias iniciativas diplomáticas que envolvem a Rússia, a Ucrânia, os Estados Unidos e outros países que acabam por não ser mencionados. O Kommersant destaca também a afirmação de Moscovo de que não houve negociações com a Alemanha sobre a Ucrânia. O jornal noticia o apelo do Papa também para que a Rússia e a Ucrânia comecem um diálogo a caminho da paz.
E há também outras notícias em destaque, como por exemplo, o pedido da Turquia no Mar Negro.
A Turquia propõe uma pausa nos ataques no Mar Negro, tema que está em destaque também na imprensa russa. Em cima da mesa, um pedido para que a Rússia e a Ucrânia estabeleçam uma janela de tempo sem ataques contra navios e infraestruturas no Mar Negro. A iniciativa é descrita na Rússia como uma tentativa de Ancara de criar uma pausa marítima no conflito. A proposta surge num contexto em que os ataques a navios e infraestruturas ligadas ao transporte de petróleo e outras mercadorias têm sido acompanhados de perto pela imprensa russa. A imprensa refere que a Turquia está a tentar promover uma solução que permita que os riscos para a navegação sejam mais pequenos e, de certa forma, tentar recuperar alguma estabilidade no Mar Negro.
E sobre o Médio Oriente, a imprensa russa destaca as mudanças na chefia militar do Irão.
O Irão mudou as chefias militares e nomeou um novo chefe do Estado-Maior. A decisão foi tomada pelo líder supremo do Irão, o aiatolá Khamenei. A imprensa russa destaca estas mudanças e também outras alterações na estrutura militar iraniana, incluindo a nomeação de novos responsáveis para a Guarda Revolucionária e para a Marinha do Irão. A mudança de chefias no Médio Oriente, mais concretamente no Irão, é acompanhada pelos meios russos no contexto da situação militar e política do Irão, que acaba também, de certa forma, por afetar a Rússia.
E fechamos agora, José, com os preços do petróleo.
Que aumentaram. O barril de Brent ultrapassou os US$ 84. A evolução do preço do petróleo é outro dos assuntos, aqui numa vertente mais econômica, com forte presença na imprensa russa. O preço do Brent subiu cerca de 3% durante o dia, sendo que a agência TASS chegou a registrar o Brent acima dos US$ 86 durante as negociações, preço que acabou por cair. Ainda assim, existe essa subida geral associada pela imprensa russa à incerteza sobre a possibilidade de ser retomada a circulação normal de petroleiros através do estreito de Ormuz. O Irão anunciou que estava numa fase final de negociações com Omã sobre um sistema de gestão da navegação no estreito, mas as condições iranianas são duras de alcançar, embora ainda exista essa possibilidade de uma eventual abertura do estreito de Ormuz.
Está feita a guerra traduzida, versão Rússia. Voltamos já a seguir com os destaques da imprensa ucraniana.