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Guerra traduzida na Rádio Observador, 17 de março. Vamos analisar a imprensa russa de hoje e contamos, como sempre, com a ajuda da Larissa Tovmazian. Bem-vinda, Larissa.

Olá.

Hoje começamos com um boicote a um jornal independente. Falamos do Novaya Gazeta. Temos vindo a falar deste jornal nos episódios anteriores. E o que aconteceu é que várias bancas na Rússia recusaram-se a vender a edição de ontem, de dia 16, por ter na primeira página uma imagem da mulher que invadiu o noticiário na televisão. O cartaz não estava completamente visível, estava tapada a palavra war, a palavra guerra, e a primeira página era toda sobre isto e essa terá sido a razão que levou várias bancas a não venderem o jornal.

Exatamente. Nós temos esta notícia da Novaya Gazeta que inclusivamente já tínhamos analisado aqui, da senhora colaboradora do Canal Federal que entrou em direto com um cartaz antiguerra. E devido a esta notícia, a maior parte dos estabelecimentos recusou-se a vender o novo número da Novaya Gazeta.

Sim.

Apesar de eles terem eliminado as palavras supostamente proibidas.

Sim, o que se vê nesta capa é a foto da mulher a erguer o cartaz. Apenas está apagada a palavra guerra, mas está apagada também uma palavra embaixo, logo na primeira linha.

Sim, porque em cima está em inglês, embaixo é guerra em russo, воина.

E depois, qual é o título desta publicação?

Esta publicação tem um título muito curioso, chama-se Зомбоящик треснул. Isto quer dizer que os opositores da Rússia normalmente dizem que os canais federais, praticamente a televisão é considerada como um zumbi, as pessoas é que são os zumbis por verem televisão.

Basicamente, por difundirem a propaganda, tornam a população zumbi porque está adormecida, por assim falar.

Sim, e aqui a notícia diz que houve uma quebra desta caixa do zumbi e devido a este incidente no canal federal.

E portanto, esta capa da Novaya Gazeta começou a ser alvo desse boicote. A capa não, o jornal todo, por causa desta primeira página. E o Novaya Gazeta para responder a isso, disse aos leitores para irem até à redação para comprar o jornal.

Exatamente. Eles ficaram bastante escandalizados com o facto de, mesmo tendo cumprido todas as regras, os estabelecimentos e os quiosques recusaram vender o jornal. E portanto, houve pessoas que efetivamente iam à redação do jornal e conseguiam obter lá o número de 16 de março.

O jornal de ontem.

Exatamente.

E depois colocam também no site da Novaya Gazeta uma reportagem com esses leitores que se deslocaram até à redação para comprar o jornal. Seguimos, Larissa, para uma notícia que surge na Mediazona. Esta publicação conta que os funcionários do metro estão a exigir aos passageiros que retirem as máscaras. Estamos aqui a falar das máscaras de proteção individual que se tornaram comuns por causa da pandemia. E neste caso os funcionários do metro dizem às pessoas: "Devem retirar a máscara, porque senão serão consideradas suspeitas e até podem pagar multa."

Exatamente. Há cerca de dois dias, o presidente da Câmara de Moscovo, Sobianin, houve um despacho em que ele disse que de facto já não valia a pena utilizar máscaras devido ao Covid e as pessoas podiam tirar sem qualquer problema. Só que isto foi num dia e no dia seguinte começou uma outra situação que é completamente paradoxal, que é os russos que frequentam, que vão ao metro em Moscovo, contam que os funcionários do metro exigem às pessoas que estas tirem as máscaras que eram obrigatórias devido à pandemia há um dia.

Sim.

E portanto, houve uma jovem que também conta à Mediazona, diz que estava à entrada do metro quando o funcionário exigiu que ela tirasse a máscara. E dizem que a partir de agora, todas as pessoas com máscara vão ser consideradas suspeitas.

Isto justifica-se também porque as câmaras do metro e do metropolitano de Moscovo com a máscara não conseguiriam identificar tão facilmente as pessoas, explica também essa reportagem, e daí os funcionários estarem também a pedir às pessoas para retirar a máscara e com avisos até de que poderá dar multa ou o metro será parado porque estas pessoas serão consideradas suspeitas para a segurança dos transportes na cidade de Moscovo. Avançamos então para a história de Nika Belotserkovskaya. Disse bem?

Isso, muito bem.

Estamos a falar de uma blogger popular na Rússia, autora de quatro livros de culinária. Ela está fora do país, mas soube agora pelas redes sociais, pelo Telegram mais concretamente, que pode ser condenada na Rússia. Isto está escrito no Kommersant.

Exatamente. Kommersant, que é uma plataforma estatal, um jornal estatal, publica e avança com esta notícia de que Nika Belotserkovskaya Que é autora de quatro livros, uma blogger bastante popular na Rússia, está em cima da mesa a possibilidade de ela ser condenada de acordo com a nova lei que entrou em vigor há dois dias, que é o artigo 207 do Código Penal, por ter divulgado de forma pública informações que não correspondem à verdade sobre as Forças Armadas da Federação Russa.

E soube apenas pelo Telegram, não foi notificada.

Exatamente, ela não foi notificada, soube por redes sociais, Telegram, exatamente. E neste momento está à espera que alguém lhe diga alguma coisa e encontra-se fora do país.

Sim, portanto não sabe muito bem como será o futuro caso regresse à Rússia, sabe sim pelas redes sociais que violou a lei e pode mesmo ser condenada. Para fechar, vamos falar de economia. A inflação na Rússia continua a subir. Aponta-se já para uma inflação acima dos 12%, isto a nível geral, e há uma série de produtos que estão a ficar muito mais caros. O Kremlin está a preparar medidas e temos um artigo que dá conta daquilo que tem sido o aumento dos preços na Rússia de diferentes produtos. Cita esse artigo dados que são públicos, é do Rosstat, esta agência de estatística da Rússia. E temos aqui, de facto, produtos que aumentaram muito de preço.

Sim. Trata-se de um artigo da Pravda do Komsomol, a verdade do Komsomol, também uma plataforma estatal, que neste momento descreve a queda do rublo e quais as suas consequências e como os cidadãos estão a sofrê-las neste momento. A inflação na Rússia sobe aos 12,5% e de facto existe uma série de produtos que estão a ficar muito caras.

Temos aqui alguns exemplos, não é?

Temos aqui alguns exemplos, como arroz, que encareceu 2,7%. Temos farinha, 2,23%. Por outro lado, temos também medicamentos, que é uma situação mais grave. Temos aqui, por exemplo, os analgésicos, mais 6%, exatamente.

Sim, temos produtos que dependem muito da importação, smartphones mais 6%, mostra aqui também. Comprar uma televisão custa mais 12%. Voltando aos produtos alimentares, uma matéria-prima para vários alimentos, o açúcar, 12%. Temos quase de uma forma generalizada aumentos em todos os produtos. Ficam alguns que são indicados neste artigo por ter aumentos. Sendo que o Kremlin prepara algumas medidas, sendo que uma dessas medidas passa por aumentos das reformas que, contavas, Larissa, têm vindo a ser prometidos há muitos anos.

Há muito tempo, exato. Nesse sentido, em consequência destes aumentos todos e da queda do rublo, Vladimir Putin, numa reunião ontem, disse que iria aumentar as reformas. É algo que efetivamente tem sido um grande problema na Rússia. Isto por quê? Porque as reformas na Rússia são muito baixas e as promessas nunca correspondem às expectativas. Disse também que os subsídios e salários também seriam aumentados para apoiar as regiões, devido às sanções que têm sido aplicadas. Nesta situação, ele disse nesta reunião que efetivamente a Rússia tem possibilidade de o fazer e que não irá abandonar o seu povo.

Fechamos então esta "Guerra Traduzida" com esses dados sobre a economia e com essas medidas que o Kremlin prepara para fazer face à inflação, para lidar com a inflação. "Guerra Traduzida", na Rádio Observador, analisamos a imprensa russa de hoje, dia 17 de março, com a ajuda da Larissa Tomazian.