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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Vamos falar agora dos destaques da imprensa russa. Continuamos com o jornalista Martim Madeira. Em destaque na imprensa russa está a mudança de generais feita por Putin nos comandos russos.
O jornalKomsomolskaya Pravda e o The Moscow Times dão destaque hoje a uma remodelação profunda na liderança militar russa feita por Vladimir Putin. Foram nomeados novos comandantes operacionais pra guerra na Ucrânia, um novo chefe de logística e, pela primeira vez, um líder para o ramo da guerra de drones. Segundo o Komsomolskaya Pravda, estas mudanças visam dar mais poder aos generais que estão no terreno e a aproximar a Rússia da vitória final. O The Moscow Times nota que estas substituições mostram que Putin não está satisfeito com o ritmo atual das operações e quer uma estrutura mais ágil para os próximos meses de combate.
Um criador de drones russos ficou ferido no atentado com um carro-bomba.
De acordo com a agência russa TASS, Vladimir Tkhakchuk, o diretor-executivo da Ural Dronozavod, empresa que fabrica os drones Upir usados na frente russa, ficou gravemente ferido numa explosão. O ataque aconteceu perto de Ekaterimburgo, quando um engenho explosivo foi ativado no carro. O Komsomolskaya Pravda relata que os médicos estão a lutar pela vida deste diretor-executivo e o jornal já enviou uma mensagem de apoio. Chama ao aparelho de Tkhakchuk um drone do povo que os soldados aguardam ansiosamente. Para os media russos, este é mais um ato de sabotagem orquestrado por Kiev contra a indústria de defesa da Rússia.
E a Rússia avisa a ONU que a Ucrânia quer criar um desastre nuclear em Zaporizhzhia.
A agência estatal TASS destaca as declarações do enviado russo nas Nações Unidas, que acusa Kiev de estar a planear um grande desastre de causas humanas ao atacar a central nuclear de Zaporizhzhia. Segundo a diplomacia russa, as forças ucranianas continuam a bombardear as imediações da central, colocando em risco a segurança de toda a região.
Martim, a falta de combustível está a obrigar o fecho de centenas de bombas de gasolina.
O The Moscow Times revela que os ataques de drones ucranianos contra refinarias estão a causar uma crise sem precedentes no abastecimento interno russo. Pelo menos 322 postos de gasolina foram obrigados a fechar em várias regiões e outra refinaria importante foi forçada a parar a produção após um ataque recente. O jornal russo Komsomolskaya Pravda admite que o governo, através do ministro Alexander Novak, realizou uma reunião de emergência para lidar com a situação de combustível, que é especialmente grave em 13 regiões russas. Já o The Moscow Times, apesar da Rússia dizer o contrário, afirma que o setor de retalho online está a começar a sofrer com estas falhas constantes de energia e combustível.
Há uma nova lei de Putin que pune russos que fugiram e foram condenados enquanto estão exilados.
Vladimir Putin assinou uma lei que impõe restrições pesadas aos cidadãos russos condenados nos tribunais russos enquanto estão de exílio, segundo o The Moscow Times e o The Kyiv Independent. A lei permite que o Estado corte o acesso a serviços bancários e consulares a críticos do Kremlin que vivem fora do país. Especialistas citados pelo The Kyiv Independent e também pelo The Moscow Times chamam a isto de uma morte cívica, equivalente a uma privação de fato da cidadania. De acordo com o The Moscow Times, esta é a resposta de Moscovo para calar as vozes da dissidência que continuam a denunciar a guerra a partir da Europa e de outros países vizinhos.
Martim, para terminar, na Rússia, o conflito na Ucrânia está a alimentar um novo esquema financeiro. Mulheres que se casam com recrutas do exército pouco antes destes serem enviados para a linha da frente para receberem as indenizações em caso de morte do marido.
Estes casos, apelidados de esquemas de viúvas negras, surgem num contexto em que o governo russo paga indenizações elevadas às famílias dos militares mortos em combate. Segundo revelam as investigações e os relatos locais, os casamentos chegam a ser celebrados em tempo recorde. Em muitos casos, as noivas mal conhecem os recrutas, mas asseguram o direito legal de receber milhões de rublos pagos pelo Estado russo assim que o óbito na guerra é confirmado. Esta prática já está a causar vários processos judiciais com as famílias biológicas dos soldados, que acabam por ficar sem receber as compensações da guerra, que vão para estas mulheres que casam com os soldados, e então as famílias estão a pôr processos legais por não estarem a receber as compensações.
E fica por aqui esta edição de "Guerra Traduzida" com Martim Madeira. Está de regresso amanhã.