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Mais um episódio de Guerra Traduzida na Rádio Observador. Vamos nos próximos minutos analisar a forma como os media russos e ucranianos noticiam a guerra. Hoje começamos com a imprensa russa, é um trabalho do jornalista Rui Casanova. Boa tarde, Rui.

Boa tarde.

Contaste com a colaboração da Larissa Tovmazian. Rui, o acordo de cereais deve ser prolongado.

Sim, boa tarde. Falamos do acordo assinado no verão do ano passado entre Rússia e Ucrânia, com a mediação da Turquia e das Nações Unidas. Um acordo importante que tem permitido a exportação de milhões de toneladas de cereais dos portos ucranianos através do Mar Negro, cereais que ficaram retidos por causa da guerra. Estes cereais têm ido principalmente para países mais pobres, como por exemplo em África, evitando assim uma crise alimentar à escala global. O acordo tem estado um pouco instável com a Rússia a acusar a Ucrânia de não cumprir todas as regras. O prolongamento tem sido discutido e agora a agência de notícias russa TASS noticia que o acordo de cereais deve mesmo ser prolongado. Isto apesar das ameaças de bloqueio por parte da Rússia, que se queixa precisamente do impacto das sanções impostas pelo Ocidente nas exportações de Moscovo. De acordo com uma fonte ouvida pela agência TASS, há informação oficial de que o acordo vai ter um prolongamento além do dia 18 de maio, dia estipulado até ao fim deste acordo. As negociações, de acordo com esta agência estatal russa, acontecem entre o dia de hoje e amanhã. Vamos ver o que sai daqui, se o acordo vai ou não ser prolongado.

A imprensa estatal russa também dá destaque a declarações do chefe da diplomacia europeia. O que disse Josep Borrell, Rui?

Josep Borrell admite que sem o apoio do Ocidente, a Ucrânia ter-se-ia rendido em poucos dias, logo no início da guerra. O jornal estatal russo Vesti escreve que Josep Borrell está aqui a reconhecer publicamente a fraqueza do regime de Kiev e a incapacidade das Forças Armadas da Ucrânia de travarem uma guerra com a Rússia sem o apoio precisamente do Ocidente. Portanto, o jornal Vesti a fazer uma análise com base nestas declarações do chefe da diplomacia europeia. O jornal Vesti adianta que Josep Borrell voltou também a defender a necessidade de continuar a apoiar a Ucrânia. Caso contrário, Kiev cai e a Rússia vence a guerra. É o que diz Josep Borrell.

Rui, os serviços secretos russos detiveram em Zaporizhzhia um alegado sabotador ucraniano.

Sim, de acordo com a assessoria de imprensa dos serviços secretos russos, este homem de 31 anos, morador na região ucraniana de Zaporizhzhia, estava a preparar tentativas de assassinato contra elementos das forças de segurança. É uma notícia em destaque também no jornal Vesti. De acordo com a investigação, os serviços secretos russos, o homem estava a planear um ataque terrorista contra o chefe do departamento da polícia da vila de Kirilovka. Os serviços secretos afirmam ainda que este suspeito tinha em sua posse materiais para fabricar explosivos. Foi detido na região de Zaporizhzhia. Os serviços secretos russos não divulgaram, no entanto, o que lhe vai acontecer, se ficou em prisão, se já recebeu algum tipo de condenação, não sabemos. É uma notícia em destaque no jornal Vesti.

Voltamos a falar das celebrações de 9 de maio que decorreram ontem. Parece que estavam a ser planeados ataques terroristas na Bielorrússia.

Sim, na Bielorrússia, não só no dia 9 de maio, mas também na véspera, ou seja, antes de ontem, estava prevista a realização de vários ataques terroristas. A notícia é avançada pela imprensa estatal da Bielorrússia e é aqui citada pela agência russa RIA. O Comitê de Segurança do Estado da Bielorrússia interrompeu essas alegadas tentativas de ataques terroristas. A imprensa afirma que a Ucrânia tem ligações a estas tentativas de ataque e prometeu divulgar mais detalhes durante o dia de hoje. Vamos ficar atentos. Falamos aqui de tentativas de ataques terroristas neste dia 9 de maio, dia onde na Rússia se celebra o Dia da Vitória. Já no Ocidente celebrámos ontem o Dia da Europa.

Antes de partirmos para a análise da imprensa da Ucrânia, é tempo agora para olharmos para os canais independentes russos. Quais são os destaques de hoje, Rui?

Vamos, como é habitual aqui na Guerra Traduzida, à boleia do canal Medusa, que traz hoje um ponto de situação de Bakhmut. As Forças Armadas da Ucrânia derrotaram unidades da Brigada número 72 das Forças Terrestres da Rússia, precisamente em Bakhmut. É o que afirma o fundador do regimento ucraniano Azov e também líder do partido Corpo Nacional. De acordo também com o líder do grupo Wagner, esta unidade, esta Brigada 72 da Federação Russa, já tinha fugido de Bakhmut ontem, dia 9 de maio. Portanto, aqui algumas versões contraditórias. Certo é que o Ministério da Defesa da Rússia ainda não divulgou qualquer tipo de informação oficial sobre esta situação. É uma notícia que vai estar também em destaque já a seguir, no próximo episódio de Guerra Traduzida versão Ucrânia.

Em Bakhmut que fechamos este episódio de Guerra Traduzida. Já a seguir vamos olhar para a imprensa ucraniana, novamente com Rui Casanova.