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"Guerra Traduzida", dia 30 de janeiro. Nos próximos minutos vamos falar sobre o que diz hoje a imprensa ucraniana, um trabalho da jornalista Diana Rosa. Começamos com Volodymyr Zelensky, que revela qual é uma das principais prioridades deste ano na estratégia de guerra: ultrapassar a Rússia na operação de drones.
Sim, foi o resultado de uma reunião que o presidente ucraniano teve ontem com representantes da defesa, em que foram debatidas questões de produção, abastecimento e segurança das unidades de combate. Zelensky considera que os drones são equipamentos essenciais para monitorizar o que se passa no terreno e, consequentemente, salvar vidas. Vamos ouvir o que diz o presidente ucraniano.
Focamo-nos no tema dos drones. Temos problemas de produção, fornecimento e aprovisionamento. Esta é uma das nossas principais tarefas para este ano, estarmos um passo à frente do inimigo no que diz respeito a estes equipamentos. Temos de melhorar a nossa qualidade de operação. Quanto mais sucesso tivermos com os drones, mais soldados conseguimos salvar.
Nesta reunião, o chefe de Estado e o primeiro-ministro ucranianos discutiram ainda a estratégia para o primeiro semestre deste ano entre Ucrânia e União Europeia.
Entretanto, Zelensky quer que Kiev tenha controle dos fundos que são utilizados para ajudar refugiados ucranianos no estrangeiro.
É isso mesmo. E o que isto significa, Miguel? Vou tentar explicar isto da forma mais simples possível, até porque estou a olhar para a tua cara com alguma dúvida. O presidente da Ucrânia quer que os países que acolhem ucranianos enviem para Kiev o valor correspondente à ajuda que vão oferecer aos cidadãos refugiados, para que depois seja o governo ucraniano, à distância, a fazer a distribuição do apoio a cada um dos cidadãos que está fora do país. Ou seja, Zelensky quer que o dinheiro fique centralizado na Ucrânia e com isso decidir quem precisa de receber mais e quem precisa de receber menos. A notícia é avançada pela Ukrinform. Zelensky justifica esta ideia com a possibilidade de evitar que haja cidadãos a receber apoio em duplicado, ou seja, ao mesmo tempo que estão a receber verbas por parte da Ucrânia, estão também a receber verbas no país onde estão exilados. Numa entrevista à televisão alemã ARD, Zelensky agradeceu a todos os países que apoiam os cidadãos ucranianos, mas ressalva que por vezes há pessoas que recebem apoio a dobrar e prefere, por isso, ser ele a controlar essas ajudas.
Centralizar tudo em Kiev. Passamos nesta "Guerra Traduzida" a outra notícia. Esta manhã, as forças russas atacaram a cidade de Avdiivka, em Donetsk, no leste do país.
E morreu pelo menos uma pessoa. Foi destruído também um edifício residencial. A informação foi avançada pelo chefe da administração militar de Donetsk ao jornal "Pravda". Na sequência deste ataque, várias casas particulares ficaram também danificadas. O ataque aconteceu por volta das 10h da manhã na Ucrânia, são mais duas do que em Lisboa. Nas últimas horas tem estado no local a polícia e equipas de resgate. De acordo com a Procuradoria de Donetsk, a cidade de Shchyryi Vyr também foi atacada pela Rússia. Dois feridos foram levados para o hospital depois de terem sido atingidos por estilhaços. Foi também atacada a comunidade de Nova York, mas Nova York, neste caso, na Ucrânia. Houve o registro de um ferido. Os ataques decorreram com recurso a drones.
E na imprensa ucraniana hoje há também notícias sobre um padre ucraniano que foi condenado a dois anos de prisão por fazer propaganda a favor da Rússia.
Um sacerdote da Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscovo. A notícia está em destaque no jornal "Pravda". Foi confirmada pelos serviços secretos da Ucrânia. Dmytro Tikhov, de 54 anos, tinha sido detido no passado mês de novembro. O relatório da investigação indica que o padre recorreu ao Telegram para apoiar narrativas do Kremlin sobre uma guerra civil na Ucrânia e deixou elogios a combatentes russos em Donetsk. Tikhov partilhou ainda publicações da Igreja Ortodoxa Russa, justificando a ocupação do território da Ucrânia. Para além disso, sob um pseudônimo, este sacerdote deixou ainda nas redes sociais vários comentários a desacreditar os soldados ucranianos. Quando foi detido, assumiu a culpa pelos atos que cometeu. Está agora acusado de legitimação da Federação Russa na guerra contra a Ucrânia, assim como de atentar contra a Constituição e contra o Estado ucraniano. Para já, foi condenado a dois anos de prisão. Vai pedir recurso. O processo não fica, portanto, por aqui.
E para fechar, temos desenvolvimentos de uma notícia que falámos no episódio de ontem. Ontem falámos sobre a nova lei da mobilização de soldados ucranianos. Hoje há novidades, há um passo atrás.
Pois é, ontem os jornais relatavam que a mobilização de meio milhão de soldados podia estar iminente. Hoje há aqui um ajustar de expectativas por parte do governo de Kiev, é o que avança a Agência de Notícias Unian. Afinal, esta lei da mobilização não pode entrar em vigor, pelo menos até março. E por quê? Porque faltam pessoas. Vamos puxar aqui um pouco a fita atrás. Há cerca de duas semanas falávamos aqui de manifestações das famílias dos soldados que estavam reunidas em Kiev a pedir para que os familiares voltassem para casa por estarem num estado de exaustão. Há soldados que estão desde o início da guerra, há quase dois anos, na linha da frente. Agora o governo ucraniano acredita que consegue manter alguns grupos na frente de batalha, mas é preciso renovar dentro do possível. Há um deputado ucraniano que dá uma entrevista a uma rádio alemã e que explica se no início os homens elegíveis para irem para a guerra estavam motivados porque achavam que iam ter uma vitória rápida, agora já não é bem assim. E depois, para além disso, queixa-se este deputado também da falta de verbas para alimentar o exército ucraniano. Portanto, decisão adiada, nova mobilização, no mínimo, só daqui a sensivelmente dois meses.
Fechamos assim esta "Guerra Traduzida".