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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Hoje, com o jornalista José Rafael Lopes. Boa noite, José.

Muito boa noite, Patrícia.

José, vamos começar pela imprensa ucraniana. Hoje, um dos principais destaques é o mais recente ataque russo contra a Ucrânia.

Mais concretamente contra a região de Odessa. O Kyiv Independent descreve que um ataque contra infraestruturas de transporte feriu 13 pessoas. A notícia é com base em declarações do governador. O Ministério das Infraestruturas da Ucrânia acrescenta que a Rússia tem vindo a intensificar os ataques contra as infraestruturas portuárias, numa tentativa de paralisar a capacidade da Ucrânia de exportar mercadorias através do Mar Negro. É um tema presente em grande parte da imprensa ucraniana, sendo que os meios ucranianos sublinham que estes ataques a portos e linhas ferroviárias não são isolados, mas fazem parte de uma campanha continuada contra a logística do país. Há ainda em grande destaque um tema que diz respeito ao impacto econômico, referindo que estes bombardeamentos aumentam os custos de transporte, afetam o comércio de cereais e também de outros produtos da economia ucraniana, ao mesmo tempo que obrigam à deslocalização de cargas para rotas alternativas.

E ainda sobre o conflito, a imprensa ucraniana dá conta de ataques bem-sucedidos contra a Rússia.

As forças ucranianas terão atingido armazéns da Wildberries e também um alvo universitário ligado a drones na Rússia. Este alvo universitário está ligado ao desenvolvimento de drones na Rússia em operações realizadas pelo aparelho militar da Ucrânia. Em simultâneo, o portal ucraniano RBC Ukraine escreve que todas as defesas ucranianas destruíram pelo menos 17% da capacidade de armazenamento da Wildberry, citando dados da revista Forbes. A imprensa destaca ainda que ao longo de uma operação de 40 dias foram atingidos depósitos, bases de drones e também infraestruturas industriais russas, numa tentativa de tentar limitar a capacidade de Moscovo de suster a guerra de forma continuada. Esta ofensiva é apresentada na imprensa ucraniana como uma resposta às campanhas de ataques com mísseis e drones por parte da Rússia, que têm afetado cidades ucranianas ao longo das últimas semanas.

E como é habitual, Zé, a Ucrânia fez um balanço dos últimos ataques russos.

É já uma tradição da imprensa ucraniana, o balanço das últimas horas com base em dados do Ministério da Defesa da Ucrânia. O relatório mais recente dá conta de ataques russos com mais de 180 drones, que se juntam aos mais recentes, que envolveram também o uso de mísseis balísticos contra a Ucrânia. Nas últimas 24 horas, os ataques russos mataram oito pessoas, feriram 66, com a região de Zaporízhia a ser especialmente atingida, isto no que toca a vítimas civis. Neste resumo diário, o Estado-Maior ucraniano diz que a Rússia, nas últimas 24 horas, perdeu mais de mil soldados.

Falamos também do presidente da Ucrânia, que levou a cabo mais uma mudança nas autoridades ucranianas.

Volodymyr Zelensky demitiu a embaixadora ucraniana nos Estados Unidos da América. O decreto foi publicado no site oficial da presidência da Ucrânia. A imprensa local diz que esta é mais uma mudança num quadro diplomático em ajustamento constante desde o início da invasão russa. Em paralelo, é sublinhado que o presidente continua a procurar novos equilíbrios na relação com Washington, numa altura em que a Ucrânia pretende obter a licença para a construção de sistemas de defesa Patriot em território ucraniano, algo que Donald Trump já disse que iria ceder, depois acabou por voltar atrás com a palavra. Reina ainda essa indefinição sobre se a Ucrânia vai poder ou não construir mísseis Patriot. Outro ponto central é a nomeação de Rustern Umarov como chefe do Serviço de Inteligência Externa. De acordo com a imprensa ucraniana, Umarov é descrito como um dos aliados mais próximos de Zelensky, vai manter a coordenação desta iniciativa Drone Deal, ao mesmo tempo que continua envolvido nas conversações para tentar pôr um fim à guerra entre a Ucrânia e a Rússia. Os meios de comunicação ucranianos apontam que estas movimentações fazem parte de uma estratégia mais ampla do reforço da capacidade de inteligência e de adaptação do aparelho diplomático ao prolongar do conflito.

José, há também um grande foco dado aos esforços diplomáticos.

A imprensa ucraniana sublinhou hoje a dimensão estratégica e diplomática da resposta à guerra. Em destaque, uma declaração de Volodymyr Zelensky, segundo a qual a Ucrânia vai tentar forçar a Rússia a acabar a guerra até ao inverno. Como? O presidente ucraniano explica que através de operações militares e de pressão internacional. A imprensa local diz ainda que o presidente ucraniano convocou uma reunião especial do Conselho de Segurança Nacional e Defesa para analisar ameaças e prioridades, incluindo o Projeto Freya, um sistema de defesas antibalísticas que surge como prioridade para a Ucrânia. Ao mesmo tempo, os meios de comunicação ucranianos dão conta de uma série de Drone Deals, já falamos aqui nesta guerra traduzida, que são acordos para reforçar a capacidade da Ucrânia na área dos drones, e noticiam também discussões com o Reino Unido sobre projetos conjuntos na defesa contra mísseis balísticos.

São as principais notícias dos jornais ucranianos com o José Rafael Lopes. Voltamos já a seguir com o que diz a imprensa russa.