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Esta é a história do dia da Rádio Observador. Com a saída de Catarina Martins, vai mudar alguma coisa no Bloco de Esquerda?
Muito bom dia a todos e a todas. Agradeço a vossa presença. Comuniquei aos e às ativistas do Bloco de Esquerda que não serei candidata a coordenadora na próxima convenção nacional do Bloco.
Catarina Martins chamou os jornalistas para anunciar que deixa a liderança do Bloco de Esquerda ao fim de 10 anos. A coordenadora do partido justifica a decisão com uma mudança no ciclo político e na hora do anúncio da despedida, perante as dúvidas em relação ao futuro, cita Santana Lopes.
Finalmente, para que não deixe nenhuma dúvida sobre o que farei depois da convenção, eu garanto que não vou andar por aí. Eu estou aqui, eu sou daqui, o Bloco é o partido onde eu estou e vou estar em todas as lutas, a luta toda, como sempre. É com muita confiança que eu olho pro futuro do meu partido.
A convenção do Bloco de Esquerda está agendada para 27 e 28 de maio em Lisboa. Da reunião magna dos bloquistas, sairá uma nova liderança e Mariana Mortágua é mais do que favorita. Catarina Martins foi protagonista de vitórias e também de grandes derrotas. Como vai correr a transição de poder no Bloco e alguma coisa vai mudar no partido? Vou conversar com Mariana Lima Cunha, jornalista da seção de política do Observador. Eu sou Ricardo Conceição e esta é a história do dia. Bem-vinda, Mariana.
Olá, Ricardo.
Vamos dar aqui um salto de 10 anos para trás, quando Catarina Martins assumiu a liderança do Bloco de Esquerda, mas não estava sozinha. Eram os tempos da liderança bicéfala.
Houve quem tivesse rasgado as rotinas, ultrapassado velhos hábitos e até sequer, mesmo melhor chamando, alguns vícios.
Demitir este governo para abrir caminho a um governo de esquerda contra a Troika.
É verdade, a máquina do tempo traz-nos 2012. Estávamos, nesse ano, no rescaldo de uma derrota que foi traumática pro Bloco de Esquerda, que foi a derrota depois do Bloco ter ajudado a fazer cair o governo de José Sócrates e foi muito castigado pelo eleitorado de esquerda, ficou com uma bancada reduzida à metade. Antes destas últimas eleições, esse era o grande trauma do Bloco. E, nessa altura, o que acontece é Francisco Louçã, meses depois da derrota, anuncia que vai sair e é ele próprio, o líder cessante, que propõe esta solução original, que ele dizia que era o caminho, era o futuro da esquerda, que era, ele próprio dizia, além de ser bicéfala, devia ser um homem e uma mulher. E na altura isso foi tratado dentro da direção do Bloco e os nomes que apareceram eram os de João Semedo e Catarina Martins, que iam dividir essa responsabilidade. Aliás, no Bloco importa dizer que a figura do líder não está prevista nos estatutos como tal e na altura eles eram os porta-vozes da direção, que é coletiva. Como sabemos, a experiência não durou muito tempo, durou dois anos. A eficácia dessa solução foi muito questionada e depois em 2014, que é a última vez que temos aqui um embate no Bloco, que é o embate dessa liderança contra Pedro Filipe Soares, a coisa resolve-se depois dessas duas moções empatarem, resolve-se passando Catarina Martins, de fato, a ser a única líder, a única coordenadora, em linguagem do Bloco, e acaba-se com a solução bicéfala.
E Catarina Martins, nestes 10 anos, acaba por ser protagonista de grandes vitórias para o Bloco, mas também de grandes derrotas.
Sim, não é um resumo assim tão fácil de fazer, porque de fato, a Catarina Martins, quando pega no partido, agarra-o precisamente nessa altura que falávamos ainda há pouco, ou seja, agarra-o depois do Bloco ter uma derrota absolutamente traumática. No Bloco é conhecido pelo trauma do PEC 4, que é quando o partido chumba o PEC 4 e com isso acaba o governo de José Sócrates, em plena crise.
Deixamos só dizer aos ouvintes mais novos para pesquisarem PEC na internet.
Sim. Há muita bibliografia sobre o assunto. E nessa altura, Catarina Martins pega no partido e consegue levantar o Bloco para os seus melhores resultados de sempre.
Camaradas, amigos, amigas, o Bloco de Esquerda teve hoje o seu melhor resultado de sempre. Uma grande .
Agora está na sequência da crise, em 2015, mas já depois em 2019, ainda aguenta esses resultados, mesmo quando já se via que em termos de eleitores, o Bloco estava a começar a recuar, mas em termos de deputados continuava muito representado na Assembleia. Aliás, em 2015, surpreendeu os próprios bloquistas que não estavam à espera e não sabiam que iam ter tanta gente no Parlamento, nem tinham preparado assim tão bem as listas. Não sabiam que os quartos e quintos candidatos por Lisboa e pelo Porto, por exemplo, iam entrar. E aí tem um ciclo muito bom. Agora volta a fechar com um ciclo muito mau, que é de perda tanto nas legislativas, como nas autárquicas, como em presidenciais. Acaba aqui um ciclo eleitoral completo, que é de derrota em toda a linha.
O resultado do Bloco de Esquerda é um mau resultado, é uma derrota e neste partido encaramos as dificuldades Tal como elas são.
E Mariana Lima Cunha, ao fim de 10 anos, podemos perguntar que legado deixa Catarina Martins?
Eu diria que o legado incontornável de Catarina Martins é mesmo o da geringonça. Aliás, à despedida fez questão de lembrar isso mesmo.
Em 2015 impusemos as condições que tornei públicas para o primeiro-ministro num debate televisivo. O Partido Socialista foi obrigado a assinar um acordo escrito sobre políticas de governação, o país respirou de alívio e iniciámos a recuperação da vida de quem trabalha. A geringonça foi o princípio do respeito.
O Bloco de Esquerda e o PCP têm uma disputa que é interminável, ainda hoje não está resolvida, sobre a paternidade verdadeira desta solução. Quem é que foi o primeiro que abriu a porta ao PS e fechou a porta à direita. O Bloco de Esquerda, por sua vez, gosta de lembrar a entrevista, em 2015, em que Catarina Martins pôs em cima da mesa as condições para que isto pudesse acontecer. Mas o que é facto, tenha sido o PCP ou o Bloco de Esquerda primeiro a resolver a questão, é que para o Bloco isto ganhou uma importância histórica no percurso do partido, que ganhou uma influência na decisão política que nunca tinha tido, tornou-se muito mais profissional, treinou uma geração de dirigentes que nunca tinha tido nenhuma experiência, nem governativa, nem nada desse nível, e que teve de estudar os dossiês a fundo, que teve de negociar diretamente com o governo. E o Bloco, se nos lembrarmos ainda das convenções nessa altura, dizia que estava pronto para governar. Chegaram a fazer-se listas de ministráveis do Bloco. E portanto, agora o Bloco está a tentar adaptar-se a estar arredado desse poder outra vez e ter acabado essa fase que considera tão importante.
E o Bloco é constituído por blocos mais pequenos. Ao longo destes 10 anos, Catarina Martins conseguiu unir as várias sensibilidades ou fações do partido?
Catarina Martins foi conseguindo uma coisa que em 2014 eu acho que parecia impossível. Estava ainda agora a rever uma entrevista na altura, quando ela se candidatava à liderança contra Pedro Filipe Soares, que é o líder parlamentar e que hoje em dia está alinhado com ela, em que ela dizia que ele apresentava um caminho perigoso e até de direita dentro do Bloco, que são palavras que hoje em dia não esperávamos ouvir entre Pedro Filipe Soares e Catarina Martins. E de facto, a liderança dela acabou a unir essas fações que hoje em dia querem apresentar-se, e foram palavras que ouvimos durante todo o dia, sólidas, em paz, em sintonia, e portanto, perceberam na altura que fazia mais mal do que bem ao Bloco essa divisão, como nós recordávamos, aliás, que acabou num empate, que é inédito na história do partido, uma votação que deu empate, quando se enfrentaram. E portanto, nesse sentido, as principais correntes estão pacificadas. Continua a haver uma corrente de críticos, que é mais minoritária dentro do partido. É sobretudo representada por um grupo chamado Convergência, que o que defendia é que a geringonça devia ter tido um segundo acordo mais duro a meio da legislatura e que o Bloco devia ter sido muito mais duro nas negociações com o PS e que não o fez.
Mas Mariana, Catarina Martins foi empurrada para sair ou decidiu sair?
Parece que decidiu sair, é o que nos diz toda a gente dentro do partido. O que nos têm contado sobre estes dias é que a Catarina Martins andou a ouvir, andou a consultar pessoas, e o que toda a gente no Bloco decidiu fazer, de acordo com o que nos dizem em privado, como em público, em várias entrevistas nos últimos tempos, foi mesmo assegurar que Catarina Martins teria todo o apoio do partido para continuar. Ou seja, houve aqui uma tentativa clara de dar essa segurança e não fazer parecer que o processo foi hostil de alguma maneira, ou que houve esse empurrão, e que de facto foi a própria que entendeu que o ciclo estava fechado. E aliás, esses sinais de paz, também o Bloco quer dá-los no processo de sucessão. Portanto, apresentando já uma solução que se percebe que é consensualizada, que é concertada antes de vir a público, e que vai haver aqui uma transição sem animosidades, pacífica e de consensos.
Já voltamos à conversa com a jornalista Mariana Lima Cunha, da seção de política do Observador. Afinal, vai mudar alguma coisa no Bloco de Esquerda e a candidatura de Mariana Mortágua será pacífica?
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Estamos de regresso à conversa com a jornalista Mariana Lima Cunha. Mariana, como funciona a candidatura à liderança do Bloco de Esquerda? Quais são as regras no partido? Não há diretas, pois não?
Não há diretas. Aliás, como temos vindo a falar nesta conversa, até são muito sui generis, no sentido em que da última vez, que é a única que podemos-
Mas já não há militantes, não é?
Não, há aderentes no léxico do Bloco de Esquerda. E da última vez foi o próprio líder cessante que sugeriu a forma de sucessão. O que acontece no Bloco é que a candidatura se faz através de moções, ou seja, são documentos de orientação que cada equipa propõe para o partido, que têm, aliás, regras bastante mais apertadas desta vez. Portanto, é muito mais difícil apresentar moções desta vez. Só para se perceber, antigamente era preciso ter apenas 20 assinaturas para se poder avançar com o documento. Desta vez são 194, o que restringe muito o universo de grupos críticos, por exemplo, que se conseguem candidatar. E, portanto, o que acontece é Os grupos organizam-se para apresentar essas moções e depois, consoante esses resultados, eles podem apresentar listas à Mesa Nacional e aos restantes órgãos do partido, sendo que é a Mesa Nacional que é considerada a direção alargada e de onde emanam depois os outros órgãos, ou seja, a comissão política, o secretariado, e é ali também que se define quem é o coordenador do partido, que é a tal figura que nem sequer está prevista nos estatutos.
Ou seja, é a mesa que decide quem é o líder.
Exato.
Como se fosse um comitê central?
O Bloco não dirá assim. O que acontece é: não está escrito. O que é assumido é que quando estás a votar a moção, há um primeiro subscritor. Portanto, é assumido que a pessoa que assina em primeiro lugar será a que se está a votar para líder. Mas, por exemplo, quando houve o empate entre Pedro Filipe Soares e a equipa de Catarina Martins, isso foi resolvido, até porque tinha havido um empate, na semana a seguir, numa reunião da Mesa Nacional.
E sendo a convenção em maio, agora com regras mais apertadas, os eventuais candidatos ou eventuais críticos ainda têm tempo para apresentar moções?
Eles têm até 27 de fevereiro para o fazer.
Já não falta muito.
Já não falta muito. Aliás, caso houvesse discordâncias e candidaturas que quisessem opor-se, seria um prazo manifestamente curto para alguém conseguir apresentar uma candidatura já estruturada. É, aliás, disso que alguns dos críticos se queixam, precisamente. Dizem que com esta antecedência, só quem já tivesse um documento a ser preparado e combinado é que conseguiria avançar.
E já sabemos quem não deverá ser candidato ou pelo menos não quer ser líder do Bloco de Esquerda.
Não vai ser?
Não vou ser. A decisão vai ser tomada no congresso, na convenção, que está aí mesmo à porta, mas não, não aviso.
Pedro Filipe Soares, Marisa Matias, em princípio, não avançam. A candidata oficial, podemos dizer assim, é Mariana Mortágua?
A resposta é que sim e que não está oficialmente confirmado. Ou seja, logo depois do anúncio de Catarina Martins de que se ia embora, Mariana Mortágua só quis pronunciar-se para deixar uma mensagem muito simples de agradecimento, sem acrescentar mais.
No Twitter.
No Twitter, exatamente. No fundo, os dirigentes do Bloco, perante esta notícia, o que se concentraram em fazer foi, como nos dizia um deles, assegurar que este era o dia da Catarina, ou seja, era o dia das despedidas e, portanto, que o Bloco não queria adiantar-se e começar já a falar do dia seguinte. Mas Mariana Mortágua será, de facto, a candidata que reuniu aqui consenso junto das principais tendências do Bloco e, portanto, que deverá avançar.
E em entrevista à RTP, Catarina Martins disse, esta terça-feira à noite, que Mariana Mortágua é extraordinária.
A Mariana é extraordinária, tem características que todos conhecem, bem sei. Também digo que há no Bloco de Esquerda várias pessoas com características fundamentais para desempenhar estas funções e acho que em conjunto somos capazes das melhores das soluções.
Mariana Lima Cunha, Mariana Mortágua tem capacidade de agregar as várias fações?
As principais fações, sim. Pedro Filipe Soares, aliás, como ouvimos há pouco, retirou-se logo da corrida. Essa era uma das principais dúvidas, porque foi ele que protagonizou o maior embate na única disputa pela liderança do Bloco em 2014. Marisa Matias seria outro dos nomes mais falados e parece que também se retira. Entre essas linhas principais, o esforço tem sido muito de passar a mesma mensagem, que é que há uma sintonia e que está a ser feito um caminho comum para se apresentar uma moção todos juntos. Já aconteceu da última vez, na última convenção. Portanto, juntar estas duas tendências que tinham o maior potencial de partir o Bloco ao meio, juntar na mesma moção para garantir, sobretudo, e este será o principal objetivo, que o Bloco, que já está num momento difícil, evidentemente, a nível eleitoral e tudo mais, não entra ainda para mais numa disputa interna e não entra em mais problemas além dos que já tem para resolver. Entre as franjas mais críticas, mais minoritárias, os ataques não têm sido dirigidos diretamente a Catarina Martins ou a Mariana Mortágua ou outras figuras. Têm sido, sobretudo, à linha política da atual direção, onde têm ambas assento. Pedro Filipe Soares também tem assento e portanto, por aí estão todos no mesmo barco e seriam, de facto, esses os nomes que teriam mais potencial para entrar aqui em divergências fortes.
E aqueles críticos habituais, por exemplo, como Pedro Soares.
Também lá estarão, também estarão na convenção e também vão querer apresentar uma alternativa. Ou seja, eles já confirmaram que vão ter uma moção própria. Como nós dizíamos, agora vai ser muito mais difícil apresentar moções. E esse grupo que tu dizias, que é o de Pedro Soares, que é um ex-deputado conhecido, é o grupo da Convergência e foi o único grupo na convenção anterior que reuniu as assinaturas necessárias, que lhe permitiriam, se fosse à data de hoje com as regras novas, ainda assim conseguir apresentar uma moção. E é esse grupo que está a trabalhar para apresentar uma espécie de frente unida dos vários críticos e está agora a fazer contactos para, acho que a expressão que nos disseram no outro dia foi, federar o que for possível federar. Dentro dos críticos também há as suas zangas e as suas divisões, como é habitual nestas coisas, e portanto, eles vão tentar juntar o máximo número de críticos possível num só documento para poder opor-se à linha da direção.
E não confundir Pedro Soares com Pedro Filipe Soares.
Um é crítico, outro não.
São duas pessoas diferentes. Ora, esta aposta em Mariana Mortágua, no fundo, é uma aposta na continuidade.
O que a Mariana pensa quando falam repetidamente do seu nome como eventual líder do Bloco, coordenadora do Bloco? Fica sensibilizada com isso? Não acho que isso seja uma questão.
Ainda bem que o meu papel enquanto deputada é reconhecido.
Podemos esperar mudanças no Bloco?
A ideia, em princípio, será a mesma continuidade, porque Mariana Mortágua já é uma dirigente muito destacada no Bloco, tem responsabilidades há anos no partido e está muito envolvida na linha política desta direção. Ou seja, não há conhecimento de que ela tenha tentado mudar propriamente a direção por dentro. E, portanto, a mudança deve ser sobretudo de rosto neste momento. Aliás, o Bloco de Esquerda teve uma reunião da sua mesa nacional ainda no dia 4 de fevereiro, há muito pouco tempo, e na altura definiu a linha política dos próximos tempos, que passava muito por ir pra rua, para se juntar ao que se chamava lutas populares, e dizia que esse devia ser o foco do partido e, portanto, é muito provável que o Bloco, mesmo mudando de líder, continue por aí nos próximos tempos.
Mas Mariana, com os resultados pouco animadores do Bloco, resultados recentes, uma aposta na continuidade é uma aposta certa?
Para já, há uma tese no Bloco que justifica essa aposta, que é, neste momento, o desgaste do governo e as decisões do governo em várias áreas, as crises em várias áreas, por exemplo, na saúde, professores, etc, mostram que o Bloco tinha razão nalgumas falhas que já apontava ao PS na altura, antes de romper com a geringonça. E, portanto, o Bloco tem noção de que houve muito eleitorado zangado quando decidiu chumbar o último orçamento e deixar cair o governo. E portanto, no fundo, quer fazer uma espécie de "eu bem te avisei" e acha que agora já tem mais alguma força pra isso. Tem noção de que as pessoas estão mais zangadas com o governo, que as sondagens estão a mudar um bocadinho e, portanto, daí que não esteja a fazer propriamente uma mudança política de fundo. Depois, acredita que Mariana Mortágua, por um lado, tem algumas vantagens, desde logo, tem muito apoio interno no partido. Provavelmente é a figura que, a seguir a Catarina Martins, tem mais notoriedade e mais reconhecimento público, o que também é importante pra o Bloco, e desde a comissão do BES, que provavelmente é o ponto alto da sua notoriedade quando começou, fez um caminho próprio e conquistou, sobretudo, muitos militantes. A questão é se vai para além disso. Ou seja, a desvantagem possível é que, de facto, é uma pessoa que fora do partido também tem muitos anticorpos, representa para alguns sectores o que é o radicalismo do Bloco. Também há quem a ache mais limitada aos seus dossiês, aqueles dossiês das finanças, da banca, etc, em que ela é especialista e, portanto, não a veja com tanta transversalidade. E, portanto, é difícil dizer se ela vai de facto conseguir expandir a influência do Bloco além das fronteiras que o partido já tem, ou se vai funcionar melhor com os fiéis do partido e pior para as pessoas de fora.
E Catarina Martins vai ficar no Parlamento?
Para já, sim, mas é no condicional. A Catarina Martins o que disse foi que respeita os seus mandatos, mas que a partir da convenção o Bloco terá de ver o que é que faz com os seus órgãos e o seu futuro.
Obrigado, Mariana.
Obrigada.
Mariana Lima Cunha é jornalista da secção de política do Observador e acompanha habitualmente o Bloco de Esquerda. Esta foi a história do dia. O som que ouvimos de João Semedo e Catarina Martins no início da conversa foi registado pela TVI. Depois, ouvimos um som da Esquerda Net, retirado do YouTube, e outro de Catarina Martins, registado pela CNN. Foi também à CNN que Mariana Mortágua deu a entrevista, cujo excerto ouvimos há instantes. Pedro Filipe Soares falou à RTP e Marisa Matias à Rádio Observador. Este episódio contou com a colaboração da jornalista Diana Rosa, a sonoplastia é do Bernardo Almeida e a música do genérico, do João Ribeiro. Eu sou o Ricardo Conceição. Até amanhã.