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Olá, sejam todos muito bem-vindos. Esta é a "História das Histórias". Já sabe, eu sou o João Paulo Secadura e estou aqui só e apenas para acolher o Alberto Correia, que nos vem fazer mais uma homenagem, mais uma merecida homenagem a outro beirão de gema: Francisco de Almeida Moreira, que teve o museu como paixão. Ele ergueu o Museu de Grão Vasco, onde o Alberto chegou a ser director uns 15 anos. É isso que vamos saber hoje um bocadinho mais através do estudo da vida deste grande homenageado, Francisco de Almeida Moreira. Contamos para isso com Alberto Correia. Bem-vindo, Alberto.

Francisco de Almeida Moreira, cuja vida decorre entre 1873 e 1939, era o homem que corria à frente do seu tempo. Moderno, transfigurou a cidade que fez sua e que amou como ninguém ainda o fez. Elindou-lhe a sua face com jardins e monumentos, plantou árvores que ainda dão sombra ao Rossio de Viseu. Sempre dela enamorado, como se de eterna noiva se tratasse, foi ele quem lhe vestiu por adorno as perfumadas tílias do Rossio, quem a adornou com os mais singulares painéis azulejares, de que é paradigma essa imensa cartela de azul e branco, toda a beira plantada em azulejos no Rossio. Virtuoso, transfigurou com parques e jardins o urbanismo. Da Feira de São Mateus, pelo tempo já cansada, ele foi reformador. Instalando a Comissão de Iniciativa e Turismo, ele é um pioneiro. E teimou em levar pelo mundo fora, por bandeira, tudo quanto lhe contava a sua história, tudo onde ele sentia o pulsar da alma de Viseu. Foi ele quem ergueu o seu museu, o de Grão Vasco, como se tivesse vivido uma paixão. Foi ele quem desenhou a sólida arquitetura das suas coleções, que ninguém ainda mudou. Foi ele, tal e qual como um cruzado, quem levou o nome de Grão Vasco e o estendeu por mais nações. Ninguém, depois dele, ainda fez melhor. Francisco de Almeida Moreira, que amou esta cidade como ainda mais ninguém o fez, deixou-lhe por herança tudo quanto era de seu. Deixou-lhe a casa em testamento, essa casa que é bem mais do que as quatro paredes com as telhas do beiral, que com o tempo, às vezes, faz ruir. Aquela casa guarda a alma de um homem que um dia ali morou. Almeida Moreira, poeta, mas de ação. Sempre sedento de quanto fosse belo, talha de altar ou Cristo de marfim, armário de pau-santo, pano de arras medieval, contador indo-português ou colcha de seda de Castelo Branco, peça singular de faiança nacional ou poda de porcelana de fabrico oriental, telas de Joaquim Lopes e de amigos sem fim, até do vaso de sardinheiras que ostentava na janela. Artista até ao fim, colecionador incansável, pedagogo e ainda emocionado pintor de suaves aguarelas. Mecenas foi também. Riqueza d'alma contrastando com essa outra dos Médicis ou Farnese. E como ele sentava à sua mesa os artistas que chamava e desse gesto permanece obra singular. Francisco de Almeida Moreira não tinha mais nada para dar a esta cidade e uma coisa só pediu em testamento: que a sua casa fosse uma casa-museu e que o que quer que seja que nela se fizesse, fosse apenas de acrescento. Deixava-lhe também a alma em testamento, que a cidade enfim guardou.

Muito bem. Outra homenagem muito bonita a este Francisco de Almeida Moreira, que acabou por fundar o Museu Grão Vasco, e que foi um urbanista e que alindou tanto a cidade de Viseu. Muito bem. Estamos então com mais esta homenagem feita. Falta só uma para acabar a semana. Vamos saber quem é amanhã o contemplado. Alberto, nós para já despedimo-nos. Até amanhã. Bem-haja.

Até amanhã.