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Olá, seja bem-vindo. Esta é a história das histórias. Eu sou o João Paulo Sacadura e em Viseu, o Jorge Adolfo Marques, ele que é professor, que é historiador, mestre em arqueologia e também grande leitor. Hoje é mais um passeio, mais um destino, mais um equipamento pra conhecer este Museu das Técnicas Rurais, que é no fundo, o Museu Municipal de Oliveira de Frades. Vamos a isso, Jorge. Mais esta tua sugestão. Olá, vamos a isso.
Olá. Nos últimos programas tivemos muito no campo, a ver sítios que podemos visitar, uns mais antigos, outros mais próximos de nós. Mas hoje vamos voltar, porque é importante valorizar a rede de museus municipais.
Muito bem.
E também havemos de falar de museus nacionais, como por exemplo, o Museu Nacional de Grão Vasco.
Exatamente. Importantes museus nacionais.
Exatamente. Estes museus municipais, iniciativa dos municípios portugueses.
É tão importante.
Muitos deles que são muito modernos, com um discurso expositivo muito interessante, muito apelativo.
Sim, já adaptado.
Quer aos mais jovens, quer aos menos jovens. E que são uma espécie de retrato do território onde se inserem.
Exato.
Como é o caso deste museu, o Museu das Técnicas Rurais, Museu Municipal de Oliveira de Frades. Oliveira de Frades é um dos conselhos da região ou sub-região, que é habitual designarmos de Lafões, Território de Lafões, a Terra de Lafões. Portanto, em conjunto com os conselhos de Vouzela e de São Pedro do Sul. Também apanha ali um bocadinho de Sever do Vouga. No fundo, é atravessado por um rio, que é o rio Vouga.
Sim.
Toda aquela região de Lafões tem particularidades até ecológicas, que resultam precisamente desse facto. O vale do Vouga é muito verde, vêm aquelas brisas marítimas ali da costa de Aveiro, sobem o vale do Vouga e batem ali contra a serra do Caramulo e aquelas serras ali à volta e a precipitação anual é um pouco mais elevada naquela sub-região, e por isso é que ela é tão verde. É um território tão verde, em que parece que cheira a clorofila.
Exato.
É um território muito verde.
Cheira a fotossíntese.
Exatamente. Com muitos campos de milho.
Muito fértil.
Muitos campos de milho que serviam também a folha do milho para alimentar precisamente o gado, e um dos pratos regionais mais famosos é precisamente a vitela de Lafões.
Tão bom. Muito bom.
Já que nós falamos já no passado em gastronomia.
Exatamente.
Aqui fica este conselho.
Imagino que seja um museu, então, com estas alfaias e objetos agrícolas, não é?
Sim, exatamente. É um museu que é inaugurado em 2001.
Sim.
Portanto, já tem um quarto de século. É um museu muito interessante, porque retrata o quê? Um território que é essencialmente um território rural.
Sim.
Em que o peso da ruralidade, até há uns anos atrás, era muito significativo. E ainda hoje é, apesar de ser um conselho muito industrializado.
Sim.
Tem um parque industrial muito forte, tem empresas de referência nacional, que se encontram precisamente na área industrial de Oliveira de Frades e portanto, é um conselho muito atrativo até para os mais jovens, que trabalham precisamente no setor da transformação, sobretudo no setor industrial.
Da indústria, sim.
Mas este museu, embora também reflita essa evolução mais recente, é um museu que começa as suas coleções com a arqueologia, portanto, as primeiras populações que se fixam lá. Aliás, ele até começa com uma descrição da geografia de Lafões. É interessante para as pessoas também perceberem o território físico em que se encontram. Depois, a arqueologia, os dólmens, particularmente um dólmen que nós já aqui fizemos referência, o caso do Dólmen de Antelas, que eu até referi como sendo a catedral do megalitismo.
Exatamente.
A catedral no sentido, além de ser um espaço de enterramento das populações neolíticas, do neolítico final, mas também era um lugar de culto, era uma espécie de templo de culto. Mas tem uma particularidade: é que os esteios, aquelas pedras que estão fincadas ao alto, que são a estrutura pétrea.
Exato. As paredes das altars.
Sim, o miolo do monumento em pedra, tem pinturas extraordinárias.
Ok.
A vermelho e negro, mas são pinturas extraordinárias que aparecem em todos os livros, não só livros de História da Arte, mas também nos manuais escolares das crianças que estudam História e Geografia de Portugal, que estudam depois História no seu percurso acadêmico. Essas pinturas são muito interessantes e têm sido estudadas ao longo das décadas. E pode ser visitado o monumento, tem é que ser contactada a Câmara Municipal.
Exatamente.
Em particular, o Museu Municipal, para que abram a porta.
Exatamente.
Porque o monumento está fechado, precisamente para salvaguardar.
Exatamente.
A não destruição.
Evitar o vandalismo. Exatamente.
Exatamente, como tem acontecido nalguns locais.
Exatamente.
E portanto, tem que ser contactado o Museu Municipal para ser visitado. Este museu começa com esse período mais antigo dos dólmens.
Sim, arqueológico.
Dos castros e depois da romanização, com muitos objetos interessantes, nomeadamente uma pequenina estatuetazinha em bronze de um veado pequenino com cerca de 10 centímetros de comprimento, que foi encontrado fortuitamente e que é muito interessante porque teria ligado a um culto, talvez da caça, não se sabe muito bem.
Uma coisa votiva.
Exatamente, mas tem um caráter votivo.
E também tem um núcleo com marcos miliários nesse museu.
Tem o núcleo com marcos miliários, precisamente da estrada romana que atravessava o território de Lafões, vinda de Viseu. A partida dessa estrada era de Vissaium e dirigia-se À costa, a Talabriga, que fica perto de Águeda, na região de Águeda, era uma estrada romana e ao longo dessa estrada romana havia os marcos miliários que nós vamos encontrando, por exemplo, hoje, no Museu Municipal de Vouzela, no Museu de Oliveira de Frades, em Viseu também, na Casa do Miradouro, na coleção do doutor José Coelho, porque o doutor José Coelho foi o grande responsável pela recolha desses marcos miliários. Mas uma parte muito significativa deste museu é precisamente dedicada ao mundo rural de Oliveira de Frades e da região de Lafões em geral. Ou seja, apesar de estar em Oliveira de Frades, retrata muito do que eram os utensílios, as práticas rurais.
Cá está, o tal ciclo do pão, do vinho e do azeite, que aqui também são representados.
Até aos anos 60 do século passado. Portanto, uma componente agrícola muito forte da região, hoje muito envelhecida. Embora haja já setores em que houve uma certa renovação, por exemplo, na cultura do mirtilo, que é uma novidade das últimas décadas no território. Mas desde o arado, a charrua, o carro de bois, a enxada, o mangual, a gadanha, a foice, as mós dos moinhos de rodízio, aqueles moinhos que estão nos ribeiros às centenas na região. Por quê? Porque havia muito milho para moer e esse milho era moído, não era em mós elétricas, que vão aparecer a partir, sobretudo, dos anos 60, 70. Antes eram todos moídos nesses moinhos de rodízio, que estão nos ribeirinhos.
Aproveitando a força das águas.
Exatamente. A força hidráulica é que fazia moer esse grão para fazer pão. Era uma economia completamente diferente da economia que temos hoje. Tudo isso se encontra neste museu. Para além disso, o caminho de ferro. Nos programas anteriores, falei até na Linha do Dão. A outra linha que partia de Viseu era a Linha do Vouga, e que se dirigia à zona da Macinhata do Vouga, Espinho. Essa Linha do Vouga, que acompanha o rio Vouga, teve um papel também muito importante para estas populações e até um papel importante nas pessoas da cidade que iam passar férias, iam a banhos para a praia. E indo pelo Vouga, para onde é que elas iam? Para Espinho. Portanto, há uma ligação muito forte entre estas duas localidades. Depois, uma outra área é o município em construção, isto é, a história do município. Nós encontramos tudo isto neste museu. Encontramos uma história do território, uma história do concelho, encontramos objetos, encontramos fotografias, encontramos uma informação que nos é prestada pela tecnologia ao dispor por infografia.
Aqui também, para terminar, há este núcleo dedicado às artes e ofícios. Também há uma série de-
Exatamente.
O trabalho do carpinteiro, do ferreiro, do pedreiro.
Exatamente. É a parte industrial, mas ainda de uma indústria muito artesanal. É indústria, certo, mas é mais próxima daquilo que nós designamos de artesanato do que propriamente a indústria moderna que vamos ter no século XX e no século XXI. Mas é muito interessante, porque o conselho teve essa indústria e essa indústria foi impulsionada também por esse caminho de ferro. A linha vai ser inaugurada em 1914. Também é uma data interessante, porque 1890, a inauguração da Linha do Dão foi o ano do ultimato inglês. 1914 é o ano do início da Primeira Guerra Mundial. Portanto, são datas um bocadinho redondas. Mas o caminho de ferro era símbolo da modernidade. E por aquele território passou o caminho de ferro e está neste museu.
Muito bem, então fica mais este convite para o Museu das Técnicas Rurais, que é, no fundo, o Museu Municipal de Oliveira de Frades. Mais um convite do Jorge Adolfo Marques. Jorge, muito obrigado por esta semana, este périplo que nos fizeste fazer aqui por estes museus, estas necrópoles, estes museus municipais, núcleos arqueológicos. Foi muito bom. E marcamos encontro então para a semana, para mais umas histórias, mais uns percursos. Está bem?
Um grande abraço.
Um grande abraço. Bom fim de semana.