O antigo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva criticou esta terça-feira o “ruído político” e “mediático” a que se assiste no país. Abordado pelos jornalistas à saída da cerimónia de entrega do Prémio António Champalimaud, em Lisboa, Cavaco não quis responder a perguntas, lembrando que está “reformado” do mundo da política, mas não deixou de criticar o momento político atual, numa aparente defesa do Governo de Luís Montenegro.
“Não quero acrescentar nada a todo o ruído político que anda por aí, que eu penso que não serve os interesses do país“, começou por referir o também ex-chefe de Governo. “Compreendam que eu não quero acrescentar nada ao ruído mediático (…) demasiado intensivo, e se calhar, muito pouco justificativo“.
Cavaco — tantas vezes apontado como inspiração para o atual Governo da AD — garantiu que queria apenas focar-se no momento que ali o trazia, a entrega do prémio Champalimaud, e até tentou usar a mulher para fugir à insistência dos jornalistas. “Já estava a perder a minha mulher, que é a riqueza da minha vida”, brincou. “Isto é uma história de amor que eu agora não posso falar sobre ele”.
Ouça aqui a reportagem da Rádio Observador na Fundação Champalimaud, em Lisboa.
Seguro insiste no pacto para a saúde
Não querendo desviar atenções da cerimónia, o breve comentário do antigo governante acabou por se sobrepor a um outro, vindo da boca do atual Presidente da República. Coube a António José Seguro entregar o prémio António Champalimaud aos investigadores Botond Roska e José-Alain Sahel, e no discurso final, o Chefe de Estado aproveitou para reforçar o apelo a uma das suas principais bandeiras políticas em Belém: o pacto para a saúde.
“O Serviço Nacional de Saúde é uma das grandes realizações da democracia portuguesa porque nasceu de um princípio profundamente democrático, o de que a saúde é um direito de todos e não um privilégio de alguns”, começou por sublinhar. “Garantir cuidados de saúde a cada cidadão, independentemente dos seus recursos, é concretizar na vida quotidiana os valores da igualdade, da dignidade e da solidariedade que a democracia consagra”.
Essa ideia serviria para reforçar que o pacto interpartidário que tem defendido é uma forma de garantir que todos têm acesso igualitário à saúde “a tempo e horas“.
“O Serviço Nacional de Saúde continua, 47 anos depois, a cuidar de milhões de portugueses. É dever de todos melhorar uma das maiores conquistas da democracia portuguesa. É esse o sentido do pacto para a saúde que lancei no início do meu mandato, e para o qual é necessário canalizar todas as nossas energias”.
Nesta cerimónia, que decorreu na Fundação Champalimaud, estiveram presentes o Presidente da República, o primeiro-ministro, o Presidente da Assembleia da República, e várias outras altas individualidades do mundo político, como o antigo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa ou o antigo primeiro-ministro Pedro Santana Lopes.
[Outubro de 1965. O diplomata suíço Raymond Quendoz espera pela mulher na pista do aeroporto de Havana, mas a portuguesa Annie Silva Pais simplesmente não aparece. O desaparecimento dela vai dar origem a um mistério de dimensão internacional que vai mobilizar o responsável da CIA em Cuba, o chefe dos serviços de segurança suíços, o mais alto representante de Portugal no país, e até Salazar e Fidel Castro. Porque Annie não é só casada com um diplomata suíço. Também é filha de um dos homens mais importantes do Estado Novo, Fernando Silva Pais, o diretor da PIDE. Já estreou “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Pode ouvir o primeiro episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]