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Continuamos na exposição "Sob Proluminar", aqui na Quinta da Cruz, na cidade de Viseu. Continuamos com Sandra Oliveira. E Sandra, há pouco falávamos de continuação destas obras em provas gelatina e prata, muitas vezes associadas à fotografia a preto e branco, é o nome mais comum, mas agora temos aqui três autores, mais ou menos das mesmas alturas. O que é que nós podemos ver aqui?
Ora bem, aqui nestas sete obras, são obras de três artistas enormes portuguesas: o António Júlio Duarte, o Nozolino e o Jorge Molder. Três gerações também diferentes, cujo denominador comum tem a ver com esta técnica, que é a fotografia, como disse. Portanto, o meio é igual, mas que nos transportam e nos remetem para um outro universo. Eu começaria aqui com as obras do Jorge Molder. O Jorge Molder é o fotógrafo de referência português, da arte portuguesa na área da fotografia e que é muito conhecido pelo seu autorretrato. Neste caso, são fotografias de 89.
Três animais, podemos ver aqui.
Sim, a taxidermia. Estas fotografias foram feitas em Coimbra, onde agora é o Museu da Ciência, onde tinham estes animais embalsamados, isto é a taxidermia, e que estas fotografias resultam da residência que ele fez em Coimbra e do projeto que ele fez de encomenda para os Encontros de Imagem. O que nós temos aqui são três animais, tem dois macacos e um puma, em que as expressões dos animais e a qualidade fotográfica, e este preto e branco, não nos faz perceber que eles estão mortos. Há esta ambiguidade entre a vida e a morte nestas fotografias, muito diferentes do trabalho em que ele é mais conhecido.
Esta fotografia central de um macaco transparece mesmo que, neste caso, o animal continua vivo.
Sim, e há uma certa relação humana com a imagem. Parece que está a falar ou que está a transmitir-nos uma emoção. Há um lado entre a vida e a morte, que aqui se traduz nesta ambiguidade e nesta qualidade também da imagem, porque estas fotografias, é preciso também ser dito, são fotografias reveladas pelos próprios artistas. Ou seja, aqui não há espaço para o digital. Isto são fotografias analógicas. E portanto, esta revelação das fotografias foram feitas pelos próprios artistas. Ou seja, nos seus estúdios, viram a imagem nascer a partir dos químicos e controlar essa imagem, de como querem que a imagem seja revelada. Esta revelação, esta magia, esta alquimia que existe entre o processo e o artista de se revelar o seu trabalho, está aqui muito presente nestas imagens.
Passando para o outro lado de uma das salas deste "Sob Proluminar", continuamos com fotografias de provas gelatina e prata, mas neste caso, de outro grande fotógrafo português, António Júlio Duarte.
António Júlio Duarte, e estas três do Nozolino. Estas fotografias, por oposição a estas que estão em frente às do Jorge Molder, que demonstram também esta questão do lado da vida e da morte, temos aqui outras fotografias que nos remetem para essa relação entre o vazio e a morte. Aqui nesta fotografia do António Júlio Duarte, em termos de composição, é bastante conceptual, mas existe essa relação também com a vida e com a morte. E depois, a luz, neste nitrato prata, é absolutamente fundamental para trazer essa poesia, que conseguimos ver nas texturas das imagens do Nozolino.
Mais uma vez a luz como elemento fundamental.
Certo. Apesar da ausência humana, estão aqui todos os elementos que constituem a ação humana sobre, na minha opinião, uma poesia na decadência.
E vamos continuar mais à frente, nos próximos episódios desta exposição "Sob Proluminar", que estará aqui até finais de fevereiro, aqui na Quinta da Cruz, na cidade de Viseu.