Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

A Nossa Cultura, da Rádio Observador, acaba de entrar no Museu Municipal de Oliveira de Frades. Este que é um edifício do século XVIII, mas melhor do que eu, quem vai contar a história deste edifício, que já teve várias vidas, é Filipe Soares, o coordenador deste museu. Olá, Filipe. Conte um bocadinho da história deste espaço.

Olá, bem-vindos ao Museu de Oliveira de Frades. O museu municipal está instalado num edifício, como disse, do século XVIII, mas foi um edifício que teve, ao longo da sua existência, várias utilizações. Começou por ser uma habitação particular no século XVIII. Mais tarde vai receber o primeiro quartel dos bombeiros voluntários formados recentemente, em 1920. Vai receber também a cadeia e o tribunal instalado aqui em Oliveira de Frades, que também tinham sido conquistas recentes em termos de território. Mais tarde vão sair daqui estes estabelecimentos e vão ser instalados aqui uma agência bancária e a estação dos CTT. Por sua vez, na parte lateral do edifício, no piso de cima, era uma habitação e embaixo estavam instaladas duas pequenas lojas, dois pequenos comércios locais que até 1990 estiveram abertos. Passado uns tempos, o município de Oliveira de Frades vai adquirir todo o edifício a vários proprietários e vai criar aqui o museu municipal, que vai ser inaugurado em 7 de outubro de 2001.

E desde então tem sido um museu com várias histórias. Este museu conta um bocadinho da história do município, do concelho de Oliveira de Frades, através de vários objetos, vários achados arqueológicos, certo?

Certo. O museu é basicamente etnográfico, mas também tem uma importante sala de arqueologia que revela uma excelente localização geográfica, excelentes recursos que permitiram que o homem se estabelecesse aqui há milhares de anos. E por isso temos também uma sala de arqueologia que nos mostra os vestígios dessa ocupação ao longo dos tempos pelo território concelhio.

Vamos passar por várias salas. Este é um museu que representa as histórias e a história destas pessoas que aqui vivem. Houve, de alguma forma, contribuição de alguma família particular para o espólio que aqui tem neste museu?

O espólio do museu é constituído por 90% de ofertas da comunidade e 10% de empréstimos de longa duração. A comunidade participou ativamente e ofereceu pontualmente quando vão limpando uma casa e não querem aquela peça, vêm cá perguntar e oferecer ao museu se nós queremos receber.

Hoje, portanto, é um museu que recebe visitas. Tem em média, mais ou menos quantos visitantes por ano?

Anda ali à volta dos dois mil. Oliveira de Frades ainda está instalado num território um pouco de passagem. Nós, aos poucos, a estratégia municipal visa promover o concelho ao visitante, ao turista, de forma a atraí-lo para passar cá mais tempo e visitar mais. Portanto, ainda é um museu que não tem um volume grande de visitantes, também em parte pelo território onde está instalado e também pela dinâmica que o próprio museu precisa de imprimir ao território.

Ao entrar neste museu, conseguimos já ver vários elementos arqueológicos divididos em quatro períodos. Que períodos são estes?

É assim, como eu disse, o homem anda cá pelo território já há alguns milhares de anos e nesta sala, que precisa de ser renovada, porque os investimentos e a investigação histórica têm evoluído muito bem nestes últimos anos. Temos feito escavações, temos descoberto muitos sítios arqueológicos e, portanto, temos novas histórias para contar e esta sala carece disso mesmo, de uma renovação, que é o que pretendemos fazer no próximo ano, para contar todas estas novidades que temos em relação ao nosso território. Desde já, Oliveira de Frades pode dizer que é dos poucos concelhos no país que tem vestígios de grande qualidade e em quantidade de ocupações do paleolítico, neste caso concreto, do gravetense médio, que anda entre os 25 e os 20 mil anos. Isto fruto do acompanhamento arqueológico que foi feito na barragem de Ribeira de Ermida e em que foram localizados dois povoados. Não diríamos povoados, duas estações arqueológicas do paleolítico, do gravetense, como eu falei, e que depois, por causa desse investimento hidrológico, foram alvo de escavação e que foram encontrados muitos vestígios interessantes desse período, com especial destaque, que infelizmente ainda não está aqui no museu, uma pequena placa gravada com cavalos, veados e outras gravuras, datado possivelmente de meio do Aulenense Antigo. Estamos a falar entre 19 mil e 8 mil anos antes de Cristo, e que é um magnífico exemplar da arte móvel do paleolítico. Portanto, é uma peça que terá um grande destaque na renovação do nosso museu.

E é pelas salas deste museu, o Museu Municipal de Oliveira de Frades, que a Nossa Cultura vai continuar. Por aqui despede-se, mas continua no próximo episódio.