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A Rádio Observador está em Cabanas de Viriato, na Casa do Passal. Desta vez, no exterior da casa, naquilo que era um jardim, que mostra que o museu vai além das paredes interiores e daquilo que está lá dentro. E Luís Medeiros, é isto mesmo, não é? É um museu além de quatro paredes.
Um museu cujo espaço exterior é tão ou mais importante quanto o espaço interior. Quisemos recuperar esta casa na totalidade e sabíamos o quão importante este jardim era para Aristides de Sousa Mendes e para a sua família. Com as memórias de família e também da população, foi aqui recriado aquilo que seria o espaço exterior de lazer da família Sousa Mendes à época. E, portanto, estamos a falar de um jardim com muitas roseiras bonitas, muito floridas nesta primavera, que tem sido quente, com muitas árvores de fruto e também com uma particularidade: com um casal de pavões, que era algo que o senhor cônsul gostava muito e que alguém que se lembra desse gosto particular por estas aves decidiu oferecer ao Museu Aristides de Sousa Mendes.
Daqui de onde estamos, vemos também outros pontos que são importantes e que acabam por interligar-se muito com a história de Aristides de Sousa Mendes, nem que seja a vista que aqui conseguimos ver, mas também uma igreja que tem também história relacionada com esta figura.
Exatamente. Uma história, além de ter sido a igreja onde Aristides foi batizado, a igreja paroquial aqui de Cabanas de Viriato, a Igreja de São Cristóvão. Ao longo dos anos, foi também a igreja que a família frequentava para os seus serviços religiosos. Não é preciso relembrar que era uma família extremamente católica e devota. E daí a propriedade estar quase colada à Igreja de São Cristóvão. Portanto, a família apenas tinha que atravessar o jardim e através do portão traseiro, chegar com facilidade a esta igreja. E claro, se olharmos à nossa volta, percebemos que este enquadramento da Casa do Passal, todo ele é privilegiado e esta vista magnífica da Serra da Estrela, o ponto mais alto de Portugal continental, é absolutamente deslumbrante, claro.
E temos também ali um pequeno anfiteatro, já novo. É também um espaço que ganha vida.
Ganha vida. Nós pretendemos, no nosso plano de atividades para o museu, incluir, obviamente, este espaço exterior. É um espaço sazonal, porque estamos nas beiras e os invernos podem ser bastante rigorosos e frios, mas na primavera e no verão é um espaço cultural. Ainda este fim de semana tivemos um pequeno concerto pela Orquestra Viriatus aqui da Sociedade Filarmónica de Cabanas de Viriato e portanto, tínhamos que proporcionar condições ao público para estar nesses mesmos eventos culturais. E este anfiteatro não nos remete para o tempo de Aristides, mas já foi um elemento instalado precisamente a pensar nessas atividades que queremos cá para fora.
Um bocadinho para perpetuar também a animação de que falávamos em episódios anteriores, que marcava esta casa. E à nossa volta, além da vista da igreja, temos também uma estátua curiosa que os ouvintes de Viseu se calhar conhecem melhor, mas para ouvintes de Lisboa acaba por ser uma peça bastante curiosa, isto porque tem o mesmo nome. Falo do Cristo Rei, que toda a gente conhece por estar de braços abertos a abraçar Lisboa, virado para Lisboa, e que aqui também um outro Cristo Rei, o Cristo Rei em Cabanas de Viriato, que mais uma vez tem uma ligação a Aristides de Sousa Mendes, não fosse este o grande homem desta terra.
É a figura desta vila, é incontornável. E este Cristo Rei, neste caso, abraça os cabanenses e foi Aristides que quis que ele os abraçasse. E por isso traz esta imagem monumental de Jesus Cristo de braços abertos, em 1933, da Bélgica, uma imagem, uma estátua que vinha partida em três, veio de comboio e que aqui foi montada precisamente numa oferta do cônsul para esta população. A curiosidade é que aquele miradouro já fez parte, em tempos, desta propriedade. Ela foi encolhendo com o tempo e com tudo aquilo que aconteceu a esta família. Hoje em dia é um miradouro público, anexo à Casa do Passal, e onde está essa estátua de Cristo Rei a abraçar os cabanenses, uma oferta de Aristides de Sousa Mendes.
Aristides de Sousa Mendes, como falámos também em episódios anteriores, com uma família bastante alargada, muitos descendentes, descendentes que, contava há pouco, continuam a estar por aqui, mesmo às vezes com as pessoas que cá vêm.
Sim, tivemos o privilégio de, na inauguração, conseguir juntar os cerca de 80 netos, bisnetos e trinetos de Aristides espalhados pelo mundo, porque os filhos, numa fase difícil da vida, também foram à procura de outras oportunidades lá fora, até por incentivo do pai. E temos esses mesmos familiares espalhados pelo mundo, alguns em Portugal, é certo. No entanto, não é fácil juntar esse número tão largo de pessoas. Sempre que aqui estão, é com muito agrado que os visitantes os abordam, fascinados com esta história e muito curiosos para fazer mais perguntas sobre o pai, sobre o avô, sobre o bisavô. E há pouco tempo, conseguimos ter aqui 15 Sousa Mendes, entre netos, bisnetos e trinetos, o que já é um número bastante considerável para precisamente durante todo o dia interagirem com os visitantes do museu.
É uma interação que é feita por familiares, mas mesmo até com todos os elementos que compõem este museu, dentro e fora de quatro paredes, e é com a vista da Serra da Estrela que fica por aqui mais um episódio da nossa cultura, desta vez na Casa do Passal, em Cabanas de Viriato, a casa onde um dia habitou Aristides de Sousa Mendes.