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A nossa cultura está na Casa da Ribeira, em Viseu. Estamos num dos núcleos que se refere às memórias da Ribeira. É um núcleo onde conseguimos ver várias fotografias. Uma delas é uma fotografia antiga desta própria Casa da Ribeira. E quem nos vai explicar um bocadinho melhor que casa era esta e como é que chegou a museu é a Diana Silva, uma das funcionárias da Casa da Ribeira. Olá, Diana. Conte-nos um bocadinho a história deste edifício e como é que chegámos até aqui.
Olá, António. A Casa da Ribeira é do século XVII. Ela foi uma casa de lavradores abastados. Teve várias funções ao longo dos anos. Chegou a ser um ferro-velho, uma residência de alto estudantes e mais tarde o município adquiriu-a e transformou como fundação para a protecção do artesanato. Nós aqui mantemos a parte das memórias da Ribeira, que em 2013 o município abriu este museu e mantemos aqui estas memórias, que está aqui a ver com as fotografias antigas.
Mas o que se destaca mais aqui neste núcleo é este grande barco que está aqui a convidar-nos a descobrir este núcleo. Qual era a função exatamente deste barco? Era para quê?
Este barco que está aqui é um barco original, que eram chamadas as barcas da Ribeira, que circulavam aqui no nosso rio Pavia. Elas eram usadas como forma de lazer, que as pessoas usavam para vir passar uma tarde, e não propriamente como meio de transporte. Até porque, como pode ver ali em algumas fotografias, até conseguimos ver ali dois jovens a andar aqui na barca, aqui na zona da Ribeira.
É um barco que tem cerca de talvez uns cinco metros de comprimento. Levava mais ou menos quantas pessoas?
Não mais de três, quatro pessoas. Depois isto eram barcos a remos. Nós temos aqui alguns utensílios, os remos. E depois aquelas duas peças que estão ali, parecidas quase como uma pá, eram dois vertedouros, sendo isto uma barca também feita de uma forma tradicional, de madeira, acabava por entrar sempre um bocadinho de água, então os vertedouros serviam muitas vezes para tirar o excesso de água de dentro da barca.
Esta está muito bem preservada, está pintada de azul, branco, um vermelho escuro, quase bordô. Vamos agora aqui aproximar-nos um bocadinho das fotografias, Diana. Vou deixá-la passar à minha frente. Ok, estamos aqui junto a fotografias. Estas fotografias são divididas em três núcleos. O primeiro chama-se mesmo Barcas da Ribeira.
Exatamente, que foi aquilo que estivemos a falar das barcas que circulavam aqui no nosso rio Pavia. E nós aqui com esta parte das memórias da Ribeira, acabamos por realçar também a importância que o rio Pavia já teve em tempos para a nossa cidade, que ele atravessa mesmo aqui, nós estamos na zona da Ribeira, isto também é a Casa da Ribeira, acaba por atravessar a nossa cidade.
O segundo núcleo é das lavadeiras. Vou lhe pedir agora que a Diana seja os olhos dos nossos ouvintes.
As lavadeiras eram exatamente as senhoras que vinham lavar a roupa ao rio. Antigamente não existiam as máquinas de lavar a roupa e então quem morava perto da cidade, as famílias que moravam perto da cidade, sendo a água do rio também limpa, acabavam por aproveitar para vir lavar a roupa ao rio. Eu costumo explicar muitas vezes em povoações mais afastadas da cidade, ainda hoje existem aqueles tanques comunitários, normalmente também construídos junto a ribeiros ou a fontes, onde ainda hoje há quem vá lavar também a roupa nesses tanques. No caso de quem morava perto da cidade, normalmente as senhoras vinham a pé, vinham lavar aqui a roupa ao rio.
E temos aqui estas duas peças, uma de madeira e outra de metal, que estão relacionadas com as lavadeiras.
Sim, são os dois utensílios que as lavadeiras usavam. No caso da primeira, que é uma joelheira de madeira, que servia para proteger os joelhos, que elas normalmente estavam ajoelhadas a lavar a roupa, isto aqui era tudo rocha à volta, então para não se magoarem, para protegerem também um bocadinho, para não se molharem, acabavam por usar a joelheira e nós conseguimos ver aqui nas fotografias onde todas as senhoras têm a joelheira. O outro utensílio é uma selha, que servia exatamente para transportarem a roupa, porque normalmente vinham a pé, traziam a selha à cabeça com a roupa.
Uma selha de metal.
Depois vinham e lavavam a roupa no rio.
Temos agora o último núcleo de fotografias. O último conjunto são as Cavalhadas de Vil de Moinhos. O que é que são as Cavalhadas exatamente?
As Cavalhadas de Vil de Moinhos é um evento que existe todos os anos na nossa cidade, no dia 24 de junho, e que já tem mais de 300 anos. Elas fazem uma ligação aqui com as nossas memórias e com o rio Pavia. Nós se continuarmos aqui nesta zona da Ribeira, o rio Pavia chega até Vil de Moinhos, onde existiam muitos moinhos de água. E antigamente, mesmo antes de existir a eletricidade, os moinhos trabalhavam através da força da água. Então usavam, o rio Pavia era muito importante, em Vil de Moinhos ainda existe um que funciona, que é o Moinho da Tia Micas Moleira, mas existiam praticamente moinhos uns a seguir aos outros. O moinho trabalhava 24 horas por dia. Aqui na nossa zona de Vil de Moinhos é muito tradicional, ainda hoje conhecida, a broa trambela. E então o moinho, neste caso, moía o milho que transformava em farinha. Nessa zona, em Vil de Moinhos, existiam também muitos campos de cultivo, ainda hoje existem, onde os agricultores também plantavam tudo aquilo de legumes, árvores de fruto, que depois iam vender aos mercados e acabava por ser também um meio de sustento. Estamos a falar de duas profissões, digamos assim, que na época tinham muita gente a trabalhar, tanto os moleiros como os camponeses, e precisavam aqui da água do rio, tanto os agricultores para regar os campos, como os moleiros para que os moinhos conseguissem funcionar.
Muitos séculos então de memórias e de histórias que podemos aqui recordar neste núcleo da Casa da Ribeira em Viseu e que estivemos a conhecer um bocadinho neste episódio da nossa cultura.