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Vamos às notícias . Vamos ao Jornal das 5, com a edição do João Lourenço. João, milhares de manifestantes já estão a concentrar-se em Lisboa e no Porto, em resposta ao aumento do custo de acesso à habitação.
E na capital portuguesa, o desfile está na Avenida da Liberdade. A organização já anunciou alguns números no que toca à adesão, números esses que são contrariados pela Polícia de Segurança Pública. Jornalista José Rafael Lopes, agora em direto, explica-nos este conflito entre números da adesão e, já agora, quais são as principais palavras de ordem nesta manifestação. As palavras de ordem, João, têm sido as habituais ao longo dos últimos dias, desde o arranque deste movimento cívico contra o preço da habitação. Pedem habitação, deixam palavras de ordem também contra Luís Montenegro, o primeiro-ministro. A manifestação fala em cerca de 25 mil pessoas na Avenida Liberdade, um número que a PSP considera manifestamente elevado. O que é certo é que há milhares de pessoas, isso garantidamente, vão desfilando pela Avenida da Liberdade rumo ao Rossio. O programa original era de chegarem à Praça Lisboeta por volta das 17h, seria agora, neste momento, para começar a acampada, a montagem das tendas, para depois passarem e pernoitarem aqui na Praça Lisboeta. Já se consegue ver o Rossio à distância, mas os manifestantes estão ainda longe de chegar ao Rossio. Houve aqui algum atraso. A verdade é que a marcha é lenta, com essas palavras de ordem que vão sendo ditas. Comigo está Adriana Lima, é uma das porta-vozes deste movimento. Há aqui um ligeiro atraso, já deviam estar lá em Baixa de Suplano. Consegue me explicar por quê?
Tendo em conta também a dimensão desta manifestação, a quantidade de pessoas que estão a juntar-se a nós, toda a adesão, é bastante natural que esses atrasos ocorram. Nós estamos a ter uma adesão completamente espetacular, que também é significativa do momento que nós estamos a passar socialmente. Tudo o que está a acontecer aqui demonstra realmente como esta crise de habitação é de todos. Se olharmos à nossa volta, vemos pessoas de todas as gerações, pessoas a se unirem. Eu acho que nunca vi um movimento social ativista tão forte em Portugal nos últimos tempos, com uma adesão tão grande. E claro que organizar isto tudo é sempre um desafio.
O que está a diferir desta manifestação para as outras que temos visto nos últimos dias, quer em Lisboa, quer no Porto?
Muito sinceramente, o fator de haver gerações tão diferentes a se chegarem até nós, haver muito mais esforço de participar. Eu noto que cada vez mais os manifestantes tentam também realmente ajudar-nos e estar também eles próprios a fazer parte da organização. E acho que é uma forma muito orgânica, é o que se está a tornar, é uma grande organização de toda a gente que está a contribuir e a lutar por esta causa.
Expectativas também para mais logo. A partir das 17h, está prevista a montagem das tendas. Pretendem pernoitar mais uma noite na Praça do Rossio. Não tem sido possível com as tendas. Que diferenças é que esperam para esta noite?
Aquilo que nós esperamos esta noite é que efetivamente haja uma acampada e que haja ainda mais adesão do que já houve até agora. Muita gente está também a ficar revoltada, não só pela questão da crise da habitação, mas também por sentir que, de uma forma constante, o governo está a tentar reprimir e tentar diminuir a nossa luta e a nossa voz. E eu acho que a forma como o governo está a dar resposta a estas manifestações é algo que também está a dar ainda mais vontade às pessoas virem para a rua e lutar conosco. Sinto que há uma onda de solidariedade por uma causa, porque afinal é uma causa de todos. E acho que isso também tem muito a ver com a forte adesão que estamos a ter, o apoio que estamos a receber. Está a ser um momento efetivamente muito importante no nosso país e estou muito feliz por ver tanto povo a sair à rua, tantas pessoas com vontade de lutar pelos seus direitos, tanta união, tanto amor para com o outro. Têm sido dias muito intensos, mas muito bonitos.
Muito obrigado, Adriana Lima, é uma das porta-vozes deste movimento cívico. Vai agora juntar-se de novo à manifestação que vai descendo a Avenida Liberdade, rumo ao Rossio. São milhares de pessoas, cartazes, bandeiras, gritos de ordem pelo futuro de Portugal, pelo acesso à habitação, sendo que, à frente deste grupo, não deixa de ser peculiar, o líder da manifestação é um caso curioso. É o caso de Alfredo Fernandes, um senhor de 98 anos, caminha sozinho com uma bandeira enorme de Portugal. É ele quem lidera esta manifestação. Há pouco tive a oportunidade de falar com ele e ele explica-nos o porquê de ir à frente da manifestação e de levar uma enorme bandeira de Portugal.
É para engrandecer as manifestações. As festas só se fazem com gente e com cerimônias, não há outra maneira. Não há outra maneira de fazer as festas.
Com 98 anos, Alfredo Fernandes já tem a vida resolvida. Assegura que está nesta manifestação de pedra e cal, mas não por ele.
Não ando aqui por minha causa. Ando aqui pela geração futura, que isto está a andar muito para trás. Repare, eu acho que isto está a andar para trás, sabe por quê? Porque a força da ignorância é muito grande.
As palavras de Alberto Fernandes, que assegura ainda que tem uma mensagem para deixar à juventude que procura habitação mais barata.
A mensagem que eu poderei deixar é não desistir, é lutar. Sem luta, nada se consegue.
E o que é que se consegue com a luta?
Com a luta, consegue-se. Costuma-se dizer: "A água tanto bate na rocha
Que é, rocha vai desabando.
Boa disposição. Alberto Fernandes, 98 anos, é ele que lidera esta manifestação. Milhares de pessoas a caminho do Rossio, onde pretendem pernoitar, vão montar tendas. Há, para já, um reforço policial na Praça do Rossio. De resto, a manifestação, João, tem corrido de forma tranquila. Existe, efetivamente, presença policial, mas sem incidentes a destacar nesta manifestação, com milhares de pessoas contra o aumento do preço da habitação.
Journalista José Rafael Lopes, que está na Avenida da Liberdade a acompanhar este protesto, que não vai, pelo menos, garantir esse horário das cinco da tarde para chegar à Praça do Rossio. No entanto, vamos continuar a acompanhar estes desenvolvimentos em Lisboa. Viajamos até à cidade do Porto, jornalista Laura Figueiredo. O protesto ainda está longe da Praça Dom João I?
Boa tarde, João. Já não está longe, estamos a alguns metros, mas estivemos aqui algum tempo parados. Retomamos agora a marcha. perto, na Rua Sá da Bandeira, já que chega mesmo até à praça. Aqui parados a cantar alguns cânticos, os manifestantes. Também, porque o percurso desde a Praça da Batalha até à Praça Dom João I não é assim tão grande e, portanto, é preciso ir fazendo para que este protesto não chegasse em apenas 10 minutos à Praça Dom João I. A polícia tem seguido sempre na frente da manifestação, com um cordão de cinco polícias e também uma carrinha da PSP, uns metros à frente. Ao longo de toda a marcha, temos ouvido sempre cânticos como "Pedro Duarte, presta atenção, a tua casa vai virar ocupação" ou "Abaixo a especulação que vai cair". E ouvimos também apelos para que as pessoas na rua se juntem com a frase "Sai do passeio e vem para a rua". Mas vamos falar aqui então com um dos manifestantes que se juntou aqui. Olá, boa tarde. O que é que o trouxe aqui hoje?
Olhe, foi o futuro dos meus filhos e dos meus netos, porque ninguém se pode julgar velho para entrar nessas manifestações e reclamarem ao que têm direito.
E tem vindo todos os dias ou foi a primeira vez que se juntou?
Venho a todas as , principalmente agora com esta, da habitação, porque eu acho que é um flagelo e os jovens cada vez estão piores. Portanto, eu já vivi o antes do 25 de abril, sei o que era o parque habitacional deste país e melhorou substancialmente logo após o 25 de abril e agora estamos outra vez numa miséria total, porque não há uma política de habitação neste país. Tanto o governo, como tem uma política de habitação, é para os sem-abrigo, para pôr mais sem-abrigo a viverem nas ruas do Porto.
E vamos já no 15º dia consecutivo de protestos aqui no Porto. Vamos já no 15º dia de protestos aqui consecutivos no Porto. Sente que o governo, Pedro Duarte,
Não ouve, não ouve ninguém. Olha, o é forte com os mais fracos e fraquinho com os mais poderosos. Por que ele não manda a polícia à casa de ministros que vivem em casas roubadas?
Muito obrigada. Fica aqui então o testemunho de um manifestante. Vamos tentar ouvir, muito obrigada, tentar ouvir aqui mais alguém. Olá, boa tarde. Em direto para a Rádio Observador. O que é que a trouxe aqui hoje? O protesto por moradia no Porto, em toda Portugal. E acha que é assim que o governo e o vão ouvir-vos? Espero que sim. Esse é o objetivo da manifestação. Tem estado aqui todos os dias ou é o primeiro? Não, todos os dias. Mas chegou a acampar na Praça Dom João I? Não. Acampar, não. Só me manifestar. Não tenciona acampar? Não. Muito obrigada. Mais um relato. Ao longo da tarde tenho falado com várias pessoas. Algumas tencionam, de facto, pernoitar hoje na Praça Dom João I. Há pouco falei também com um dos porta-vozes do movimento, Pedro Manuel, que não deu certezas quanto esta pernoita na Praça Dom João I. Às 19h, há a Assembleia Popular, onde vai ser então votada, talvez, essa questão. Também não é certo que seja, mas é a expectativa dos manifestantes. O porta-voz, Pedro Manuel, dava-me também conta de que caso seja essa a decisão da maioria, mas por agora, como dizíamos, estamos a chegar à Praça Dom João I. Ainda há muita gente, muita, muita gente. A praça estava completamente cheia, a Praça da Batalha. Agora a chegar à Praça Dom João I, a expectativa também é de que tentar falar aqui com mais uma pessoa. Olá, boa tarde. Olá, boa tarde.
Olá.
Em direto para a Rádio Observador. O que é que a trouxe aqui hoje?
Então, a luta pelos direitos. Vambora, todos.
Tem vindo todos os dias?
Sempre, devíamos vir todos, mas eu, tá feito. Obrigada.
Obrigada. Fica aqui então mais um relato. Há pessoas que não estão disponíveis para falar conosco, mas apelo então a que toda a gente se junte. Estamos mesmo a chegar à Praça Dom João I e, portanto, o apelo é para que toda a gente se junte.
E Laura, muito rapidamente, até porque no início da manifestação na Cidade Invicta, vários elementos da organização distribuíram panfletos, em caso de haver esse avanço policial ou até mesmo detenções. Pergunto-te muito rapidamente como tem sido o desempenho e também o papel da polícia ao longo deste percurso.
A polícia, como dava conta no início, tem Andam uns metros à frente dos manifestantes, vai cortando as ruas, é um cordão de cerca de cinco polícias. Na frente, ainda segue uma carrinha da PSP, que vai também cortando o trânsito. Foi assim desde que saímos da Praça da Batalha, descemos a Rua de Santa Catarina até à Rua Fernandes Tomás, depois então aqui, já na Rua Sá da Bandeira, tem sido sempre assim, apenas na frente da parte lateral da manifestação, não há qualquer tipo de polícia. Imagino que no fim haja também, mas é mesmo muita gente e, portanto, nem consigo ver o fim. Então e agora estamos mesmo a chegar à Praça Dom João I.
Jornalista Laura Figueiredo, que vai continuar a acompanhar esta manifestação na cidade do Porto, está perto já da Praça Dom João I, um local que há pouco mais de duas semanas se iniciou neste movimento em Portugal com uma acampada na cidade Invicta. Também em Coimbra vão decidir hoje como mostrar o descontentamento pela lei do arrendamento, que vai ser votada na especialidade já no próximo mês. Uma das porta-vozes do protesto na Cidade dos Estudantes, Rebeca Muro, mostra-se solidária com os acampamentos nos últimos dias, tanto em Lisboa como no Porto.
Vamos concentrar. A seguir vai haver uma assembleia popular e um jantar comunitário para pensarmos em conjunto como é que nós podemos criar ainda mais pressão para derrotar esta lei dos despejos.
Rebeca Muro, em registo captado pela RTP Notícias. Estas manifestações também marcam presenças em Aveiro, em Faro, num dia em que a PSP, estes protestos estão mobilizadas valências do trânsito para apoiar a gestão dos condicionamentos rodoviários, como ouvimos aqui através da reportagem da jornalista Laura Figueiredo. Também a indicar que a PSP tem mobilizadas equipas de intervenção rápida, estando de reserva os meios da Unidade Especial de Polícia, nomeadamente o Corpo de Intervenção e o Grupo Operacional Cinotécnico. A PSP diz que a atuação vai continuar a privilegiar o diálogo, a comunicação e a mediação com os manifestantes, numa lógica de prevenção e gestão proporcional de eventuais ocorrências. É o que indica a Polícia de Segurança Pública, num comunicado enviado às redações.
E vários políticos marcam a esta hora presença nos protestos pela habitação.
E desde logo, a líder parlamentar do LIVRE, Isabel Mendes Lopes, a co-porta-voz do partido, espera que a manifestação possa servir de mensagem ao governo para que não se avance com a nova lei do arrendamento.
Espero que com esta mobilização cidadã haja finalmente a oportunidade para se falar a sério do fim da especulação imobiliária, do fim de benefícios fiscais a fundos imobiliários, o fim de benefícios fiscais a quem lucra com a especulação ou com rendas incomportáveis para a maior parte dos portugueses e que o próprio governo inverta aquilo que tem sido a sua política de habitação e que tem contribuído muito para o aumento do custo, tanto de compra como de arrendamento em Portugal.
Quem também falou aos jornalistas foi o coordenador do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza, sublinha que o Executivo, liderado por Luís Montenegro, mudou o discurso porque percebeu que estava a perder as ruas. Ainda assim, sublinha que estranha a ausência do primeiro-ministro do combate político neste setor da habitação.
O primeiro-ministro está ausente em parte incerta. Ninguém sabe onde está o primeiro-ministro. O primeiro-ministro não quer aparecer. E eu só explico isso por uma razão: não quer responder por justamente estar a haver uma mobilização tão forte pela luta pela habitação.
Por fim, o PCP, através do deputado municipal João Ferreira, aponta outra figura de Estado. Fala em António José Seguro para dizer que não, a Constituição não está a ser cumprida em matéria de habitação.
O presidente da República, que assumiu um compromisso no momento em que tomou posse, que foi defender, cumprir e fazer cumprir a Constituição. A Constituição tem um artigo, 65º, o direito à habitação, que diz o que são as obrigações do Estado para assegurar o direito à habitação. E diz o que são as obrigações do Estado ao nível de uma política de solos, ao nível de um sistema de arrendamento, ao nível do que deve ser o papel do Estado e das autarquias. Cumpra-se a Constituição também aqui, mas não estão todos os partidos a propor que se cumpra a Constituição, pelo contrário.
Declarações de algumas figuras políticas que estão nesta altura a marcar presença nos protestos pela habitação, neste caso, em Lisboa. A organização do movimento Acampada da capital portuguesa estima que, neste momento, há essa indicação da organização de 25 mil pessoas na rua. No entanto, a PSP fala num número manifestamente alto, mas não confirma estas 25 mil pessoas na rua. Vamos continuar a acompanhar estas manifestações mais à frente nesta tarde informativa.
Em França, mais de 130 pessoas foram detidas nas manifestações.
E a maioria por transportar objetos que podiam ser usados como arma. É o que pelo menos diz o governo francês, o ministro do Interior, Laurent Nunez, diz que foram apreendidos objetos potencialmente perigosos, incluindo morteiros e bolas de petanca, durante as verificações nas entradas e nas imediações das manifestações. A Polícia de Paris adianta que só na capital francesa foram detidas 40 pessoas e estima que estejam nas ruas da capital do país mais de 100 mil manifestantes.
Na Albânia, milhares de pessoas saíram hoje às ruas para mais um dia de protestos contra o governo.
E é um protesto que volta a ser marcado pela violência. A polícia teve de recorrer a canhões de água e a gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, que estão a atirar pedras e engenhos pirotécnicos contra os agentes e edifícios do governo. As manifestações na capital, em Tirana, já duram há cerca de 10 dias. Os estudantes do ensino secundário e universitário exigem propinas mais baixas, maior investimento e também o fim da corrupção no sistema de ensino.
O presidente da República defende a cooperação internacional para resolver desafios no mundo.
António José Seguro considera que só a cooperação e a solidariedade internacionais permitirão dar resposta aos desafios num mundo cada vez mais instável. Num comunicado publicado no site oficial da Presidência da República para celebrar o Dia das Nações Unidas, o chefe de Estado reconhece a relevância do trabalho da ONU, com 81 anos de atividade, que visa a paz e a segurança, também defende a defesa dos direitos humanos. António José Seguro recordou também que Portugal inicia, no próximo mês de janeiro, um mandato bienal como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Afirma que há um compromisso inabalável com o multilateralismo efetivo assente no direito internacional.