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São 7 horas. Jornal das 7, uma edição do Martim Madeira. Começamos, Martim, pelas manifestações em Lisboa e no Porto. Na capital, os manifestantes já chegaram ao Rossio.
Começaram no Marquês de Pombal às 15h e já chegaram ao destino final, a Praça Dom Pedro IV, no Rossio. É lá que está o jornalista do Observador, José Rafael Lopes, que tem estado a acompanhar esta manifestação desde o início. José, boa noite. Ontem havia a indicação de que montariam tendas na chegada ao Rossio. É um cenário que já se verifica?
Boa noite. Há já dezenas de tendas montadas no Rossio e outras ainda no processo de serem montadas. Os manifestantes tentam articular-se da forma possível para que sejam montadas o mais rapidamente possível, sendo que tentam também que siga uma lógica de união e proximidade, ou seja, tendas próximas umas das outras, quase que a formar um cordão de segurança. A organização desta acampada em Lisboa tem também vários cobertores e almofadas para entregar a quem decidir pernoitar no Rossio. É esse o objetivo. Os manifestantes prometem isso mesmo a quem tenha vindo de Mafra de propósito para participar nesta acampada. Enquanto se montam as tendas, há também muitas pessoas que continuam por perto. A organização está a fazer apelos nesse sentido para que não desmobilizem, mesmo que não pretendam pernoitar no Rossio. Isto acontece de um lado da praça, do outro está montado um palco onde vai ser feita a Assembleia Popular, embora a organização ainda não tenha revelado o que é que vai ser dito e o que é que vai ser votado. Essa assembleia deve arrancar a qualquer momento. Estava prevista para ter início agora às 19h. Estão também previstos concertos ao longo da noite. Há polícia presente, é um facto, mas em número bastante reduzido. Não há, aliás, nenhuma carrinha do corpo de intervenção da PSP. A promessa no Rossio é de ficar. Estão a ser feitos esforços nesse sentido. E a verdade é que agora acabou por se fazer luz. Acenderam as luzes aqui na Praça do Rossio. Os manifestantes, pelo menos às escuras, não vão ficar.
O jornalista José Rafael Lopes, em direto do Rossio, que está a acompanhar esta manifestação, a dar conta de que as tendas já estão e já foram montadas. No Porto, também há uma manifestação na Praça Dom João I. Vamos em direto para a cidade Invicta, onde está a jornalista do Observador, Laura Figueiredo. Boa noite, Laura. Para esta hora está marcada a Assembleia Popular. Já se sabe que pontos vão ser discutidos e votados hoje?
Boa noite, Martim. Sim, consegui esclarecer aqui há poucos minutos com alguns dos porta-vozes que vai ser votada a pernoita aqui na Praça Dom João I. A intenção será ficar com tendas, mas o movimento reforça que isso é uma opção pessoal dos manifestantes. Seja qual for a decisão, o material já está preparado. Aqui junto a mim, numa das extremidades da praça, estão empilhadas várias mantas, coleções de campismo, cadeiras, também produtos de higiene, o habitual que vimos aqui nas noites em que os manifestantes acamparam. Outra das questões que vai ser hoje debatida na Assembleia Popular é a greve geral ibérica. Já foi aprovada, mas hoje vão ser discutidos os moldes em que isso vai ser feito e também a articulação com os sindicatos. Vai também ainda ser debatida a articulação deste movimento pela habitação com os movimentos estudantis. E hoje dava-nos também conta um dos porta-vozes do movimento, a Assembleia Popular tem uma novidade, que é o apoio da língua gestual portuguesa. O protesto hoje arrancou da Praça da Batalha. Chegamos aqui à Praça Dom João I cerca de uma hora depois, por volta das 17h15, e desde aí os ânimos têm-se mantido sempre animados, com cânticos, com frases de ordem. E também, para além dos manifestantes que enchem a praça, há também vários curiosos que assistem nas partes laterais. Vemos famílias com crianças, também pessoas mais velhas, mas no centro da praça estão mesmo os manifestantes com os cartazes, com os tambores e com as músicas. Houve também já um concerto e agora, dentro de poucos minutos, deve arrancar a Assembleia Popular, onde vai ser decidida a pernoita aqui na Praça Dom João I.
A jornalista Laura Figueiredo, em direto do Porto, a dar-nos conta de que essa pernoita na Praça Dom João I vai mesmo ser votada na Assembleia Popular.
E Martim, é um sábado marcado por protestos, não só em Lisboa e também não só no Porto.
As manifestações estão espalhadas um pouco por todo o país. Cerca de duas centenas de pessoas em Coimbra, na Praça 8 de Maio, pedem que a nova lei do arrendamento não avance. Além da concentração, está ainda agendada para hoje uma assembleia popular organizada pela plataforma Habitação Coimbra. Já em Faro, cerca de uma centena de pessoas desceram à Avenida 5 de Outubro. Os manifestantes estão agora na Praça da Liberdade, onde vão realizar também uma acampada e uma assembleia popular, à semelhança do que tem acontecido um pouco por todo o país.
Manifestações que vão também acontecendo em toda a Europa. Em França, Jean-Luc Mélenchon acusa a polícia de estar a disparar sem motivo sobre os manifestantes e de estar a estragar o dia em Paris.
Declarações do principal candidato de esquerda às eleições do próximo ano. Em causa estão os confrontos da polícia com os manifestantes, que esta tarde saíram às ruas francesas. A polícia está a usar canhões de água e bombas de gás lacrimogéneo para dispersar as pessoas. Isto numa tarde onde foram presas mais de 130 pessoas, a maioria por transportar objetos que podiam ser usados como arma. É pelo menos isso que adianta o governo francês. O ministro do Interior, Laurent Nunez, diz que foram apreendidos objetos potencialmente perigosos, incluindo morteiros e bolas de petanca, durante as verificações nas entradas e nas imediações das manifestações. A polícia de Paris adianta que só na capital francesa foram detidas 40 pessoas e estima que estejam nas ruas da capital do país mais de 100 mil manifestantes.
Já em Itália, em Roma, os manifestantes foram filmados a forçar a entrada no Coliseu.
É o que mostra um vídeo publicado pela rádio Rai 1, na rede social X. Vários jovens entraram mesmo dentro do Coliseu depois da polícia usar a força para tentar dispersar os manifestantes. Entretanto, de acordo com as informações que nos chegam de Itália, é que estes jovens já foram retirados do Coliseu pela polícia e também pelos seguranças que guardam o mítico Coliseu de Roma. Para além disso, noutra cidade italiana, em Milão, 10 mil pessoas saíram à rua. É o que indica o jornal La Repubblica.
Ponto final nesta edição das 7 com o jornalista Martim Madeira, que está de regresso às 7h30 com uma síntese de notícias, o essencial da informação que está a marcar este sábado, dia 24 de outubro. Um abraço, Martim. Até já.
Até já.