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Castro Daire teve grandes mestres oleiros que viveram e produziram neste município e algumas das peças que fabricaram, uma parte deste trabalho está exposto no Museu Municipal de Castro Daire, é onde me encontro, neste museu situado no distrito de Viseu. Comigo tenho a responsável por este museu, Cristina Gomes. Muito bom dia.
Olá, muito bom dia.
Esta olaria que aqui temos à nossa frente, estas peças de olaria, não são da cor alaranjada à qual nós estamos habituados a ver. É preta, cinzenta. Por quê?
Tradição, Castro Daire, de grandes oleiros. E na aldeia de Ribolhos tivemos o Mestre Albino e o Mestre Zé Maria, e as peças que aqui temos são do Mestre Zé Maria. E o Mestre Zé Maria fabricava peças utilitárias, como temos a ver aqui, e também figurativas. Ele foi pioneiro nestas peças figurativas. E esta cor negra é adquirida através da suenga. A suenga é uma fogueira que se faz, em que as peças colocam-se lá e depois com o fumo, a argila vai absorver a cor negra do fumo, daí ficarem desta tonalidade.
Ainda é uma tradição que se mantém em Castro Daire?
Ainda se mantém porque herouliça. O município recentemente preparou uma oficina do barro negro em Ribolhos, aproveitou uma parte das salas da escola primária dessa aldeia, e colocou lá uma oficina e quem está neste momento também a trabalhar esse barro negro é o professor Jorge, que também tem a profissão de professor, mas também aprendeu a arte e mantém esta arte.
Mas é uma arte que pode estar em risco, digamos, ou conseguiram passá-la de gerações em gerações e, seja profissionalmente, seja por simples hobby, mantenham esta tradição e esta prática e continuem não só a fabricá-la, mas também a ensiná-la.
Eu penso que o objetivo desta oficina do Barro Negro será mesmo para ensinar pessoas que estejam interessadas em aprender a arte, porque havendo ainda quem a faça, é fundamental ser passada.
Além do aspeto visual diferente, que é óbvio, do barro alaranjado ao qual nós estamos acostumados, há alguma outra diferença notória? No tocar, se é mais frágil, menos frágil, se tem um cheiro específico?
O barro negro é fumo. O fumo é que lhe vai dar esta cor. Mas passa, porque as pessoas utilizavam as peças, eram utilitárias, portanto utilizavam na cozinha, e isso não influenciava a prática e a utilização das peças.
Nem na maneira do fabricar não é nem mais difícil, nem mais simples de o moldar. Tu digo, só muda a cor.
Só muda a cor através da suenga, portanto, o fabrico é o mesmo.
Hoje em dia, nós sabemos que estes produtos, por fazerem parte da tradição do município e ser este artesanato tradicional, estão em exposição, mas ainda há quem o comercialize?
A Cooperativa de Artesãos do Montemuro tinham lá peças que ainda eram comercializadas. Neste momento, não lhe posso dizer se ainda têm ou não, mas já aconteceu, sim. Eles tinham peças para vender.
Para quem não pode comprar, pode pelo menos ficar a conhecer e poder ver ao vivo estas peças que foram fabricadas por mestres oleiros. Neste caso, o José Maria Rodrigues está em exposição no Museu Municipal de Castro Daire. Cristina Gomes, muito obrigada.
Obrigada.