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Continuamos a percorrer os corredores da exposição de Manuel dos Santos, no Núcleo Museológico de Artes e Ofícios em Santa Comba Dão. E neste episódio vamos olhar para o retrato de Mozart, que Manuel dos Santos desenhou. Manuel, que está aqui ao meu lado, faz-me companhia. No meio de todas estas grandes figuras da história da música, digamos que era quase inevitável incluir Mozart. E explicava-me que quis representá-lo numa tela maior.
Sim, é um nome incontornável e que eu dediquei mais. Leva um pouquinho mais de tempo, mas dediquei-me mais a esta fotografia em tamanho maior pelo nome que ele sempre teve e pelas atitudes que ele teve durante a vida dele em ser um maestro com um grande nome.
Sim, falamos, sem dúvida, possivelmente aqui do maior nome representado. Este até é um daqueles casos onde o artista já foi retratado várias vezes. Como é que o Manuel escolheu a imagem para ter como referência? Estava-me a explicar, há aqui também todo um processo de seleção através de CDs, de discos.
Exatamente. São uns CDs muito antigos que têm as músicas destes compositores e que têm o seu retrato na capa. E foi daí que eu extraí quase todos esses compositores, desses CDs, em que realça realmente a sua figura e tem, como nós sabemos, do CD, que podemos estar a ouvir a música dele e a fazer o retrato.
Exatamente, era isso que já falámos aqui também há pouco. Ou seja, o Manuel, por vezes, ouvia a música dos artistas que estava a retratar para entrar no universo do artista e representá-lo da melhor maneira. Conte-me um bocadinho esse processo. Chegava em casa, metia o DVD a dar, enquanto olhava para a capa e retratava o artista, é isso?
Exatamente. Eu quando estou a fazer um desenho, gosto de ter sempre música a ouvir muito lentamente e muito baixinha. É um processo em que eu estou adaptado, porque sem música uma pessoa está só a fazer o desenho e com a música ajuda-nos muito a entrarmos naquele desenho e a fazermos o desenho com intensidade e com, não digo perfeição, porque ninguém é perfeito, mas com alguma perfeição.
Com o maior brio possível. E a música acaba por contribuir para abrir os nossos horizontes da criatividade. E o Manuel desenha sempre sozinho? Tem um escritório, senta-se sozinho, gosta de o fazer em companhia? Como é que faz?
Sim, eu não tenho nenhum escritório, mas tenho uma sala grande e ponho a música a tocar e ponho-me a desenhar. Primeiro no papel, como já foi dito, e depois passo para a tela, em ponto grande.
Muito bem, vamos aqui dar uns passitos, porque deixamos de olhar para Mozart, que tem o cabelo também grande, aqui no caso grisalho, para olharmos para outro austríaco, que têm os dois uma particularidade, que à semelhança de Mozart, outra personalidade que tem aqui é Schubert, que também é austríaco. Ambos faleceram cedo, Mozart aos 35 anos, Schubert ainda mais novo, aos 31, faleceu a 19/11/1828. Está aqui essa indicação também debaixo do quadro. Podemos começar mesmo por essa questão do cabelo. Têm ambos o cabelo grande, mas enquanto Mozart está retratado com o cabelo já grisalho, era o cabelo que tinha na imagem de referência, aqui Schubert tem uma bela gadelha, permita-me a expressão, escura. Qual é a diferença de desenhar um cabelo grisalho e escuro?
A diferença não é muita. Nós temos é que pôr o desenho conforme ele é. Se ele tem o cabelo grande, nós temos que pôr o cabelo grande que ele tem. E neste, no Schubert. Este tem o cabelo pequeno, não muito pequeno, mas que lhe realça muito a sua figura.
Sim, tem um queixo também pontiagudo, o nariz. Este aqui também tem óculos, que julgo que ainda não tínhamos visto outro com óculos. Também há aqui alguma particularidade em desenhar os óculos, por exemplo, as hastes, alguma dificuldade mais específica?
Sim, há. Tem que se ter a mão muito firme e não só firme, como também leve, que é para poder desenhar e puxar o traço direitinho até acabar, até chegar ao seu destino. Isso leva um bocadinho mais de paciência, mais de tempo.
Muito bem. Terminamos assim mais um episódio de "A Nossa Cultura". Hoje olhámos para duas caras austríacas desenhadas por Manuel dos Santos, a quem agradeço de novo. Continue a ouvir a Rádio Observador Viseu. Nós amanhã vamos regressar aqui ao Núcleo Museológico de Artes e Ofícios em Santa Comba Dão, para continuarmos a conhecer estes retratos de grandes nomes da música desenhados pelo artista português Manuel dos Santos.