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Jornal das 9, com edição do Miguel Gato. Miguel, o Presidente da República pede informações e esclarecimentos ao governo sobre a intervenção policial da última madrugada em Lisboa e no Porto. A PSP voltou a avançar contra os manifestantes.

A nova carga policial aconteceu por volta das 4h30 da manhã, em simultâneo na Praça do Rossio e na Praça Dom João I, tal como tinha acontecido no passado fim de semana. A Polícia de Segurança Pública avança que 13 pessoas foram detidas, seis em Lisboa e sete no Porto. Os detidos na cidade Invicta foram, entretanto, todos libertados esta manhã. Foi uma madrugada de muita tensão nas duas principais cidades do país. O movimento À Acampada fala em mais de 50 feridos que necessitaram de assistência médica. Alguns deles tiveram mesmo de ser transportados pro hospital. Por tudo isto, António José Seguro quer saber mais detalhes sobre o que aconteceu. Fonte oficial da Presidência da República indica ao Observador que Seguro solicitou ao governo informações e esclarecimentos com todo o detalhe sobre o que se viveu esta madrugada nas manifestações em Lisboa e no Porto. Segundo fonte oficial de Belém, a informação foi também solicitada à Provedoria de Justiça, tendo em conta o acompanhamento que foi feito no terreno por parte do mecanismo de prevenção.

E a PSP já reagiu à carga policial sobre os manifestantes pelo direito à habitação. Considera que a ação foi proporcional.

Foi o que disse o porta-voz da Polícia de Segurança Pública esta manhã, que reconhece uma operação musculada, mas o subintendente Sérgio Soares diz também que a carga policial foi justificada pela resistência oferecida pelos manifestantes.

Se me pergunta se há algum tipo de uso da força mais extremo, diria que sim, para consumar o nosso avanço para a retirada dos manifestantes. Todavia, a nossa intervenção tentou ser o mais proporcional, adequada e necessária possível para evitar males maiores e para evitar ofensas à integridade física nos manifestantes. Todavia, tivemos que empregar a força física que vocês verificaram, tendo em conta a resistência muito ativa por parte dos manifestantes.

As pessoas que estiveram concentradas nas duas praças, do Rossio e também Dom João I, não acataram a ordem da PSP para a desmobilização. A polícia fez três avisos aos manifestantes para que desmontassem as tendas e se retirassem do local. Tal não aconteceu. Ora, o porta-voz da PSP, Sérgio Soares, diz que a polícia tentou, até ao limite, dialogar e negociar com os manifestantes, sem sucesso.

Tivemos mais tempo também em vias de negociação, de mediação, de diálogo e, portanto, essa via foi esgotada, porque também tivemos cerca de três horas, mais ou menos, a tentar dialogar e a negociar com os manifestantes. E quando decidimos intervir, depois de esgotados todos estes momentos e quando verificamos que, de facto, os manifestantes não iam aceder às nossas solicitações, foi nesse momento que decidimos colocar o corpo de intervenção no terreno.

O porta-voz da PSP esta manhã na esquadra do Martim Moniz, em Lisboa, para onde foram levados os cidadãos que foram detidos na Praça do Rossio esta madrugada. Sérgio Soares fala ainda de 13 agentes da PSP que ficaram feridos e tiveram de receber tratamento hospitalar. O porta-voz da Polícia de Segurança Pública falou ainda sobre a questão da presença de agentes à paisana no Porto. Diz que foram chamados a intervir e agredidos por manifestantes. Este foi um momento que gerou tensão durante a madrugada, como nos dá conta o repórter do Observador, Miguel Pinheiro Correia, que esteve a acompanhar a intervenção policial no Porto.

Ao contrário do que se verificou na semana passada, os manifestantes reuniram-se na Avenida dos Aliados, até que houve novo momento de tensão, porque enquanto uns manifestantes grafitavam a fachada da Câmara Municipal do Porto, apareceram uns civis, que alguns manifestantes identificaram como sendo polícias à paisana, que com bastões extensíveis tentaram impedir esses manifestantes que faziam os grafites e prontamente, também como observou o Observador e como registaram também muitas câmeras no local, um desses civis identificados como sendo um paisana da polícia, pegou numa arma de fogo, numa pistola, e tentou afastar os manifestantes, que entretanto foram na direção desse civil, de outros também que não estavam fardados.

O relato do Miguel Pinheiro Correia a partir da cidade do Porto, deste momento em que um agente à paisana apontou uma arma aos manifestantes. Ora, a Polícia de Segurança Pública diz que os agentes foram chamados e obrigados a intervir devido à desordem pública. Em Lisboa, a intervenção policial foi mais rápida do que na semana passada. Houve arremesso de objetos pirotécnicos contra o corpo de intervenção da PSP. O relato é do jornalista David Bileu.

Uma intervenção muito rápida, muito eficiente. Houve o lançamento de petardos, houve também muita pirotecnia, muito fumo, muita fumarada, principalmente quando as autoridades chegaram aqui junto das tendas que os manifestantes tinham colocado à frente pra, de uma certa maneira, tentar impedir o avanço ou abrandar o avanço das autoridades. Ora, os manifestantes depois recuaram pra Praça da Figueira, onde alguns deles retiraram as barreiras metálicas que estavam a delimitar o mercado natal, que está montado, e pra além de retirarem as barreiras metálicas e colocarem à frente novamente pra impedir o avanço da Polícia de Segurança Pública, também invadiram esse mercado natal e acabaram por destruí-lo em grande medida. Depois, a Polícia de Segurança Pública voltou a avançar sobre os manifestantes e obrigou-os a ir para a Rua da Madalena, onde estiveram cercados, onde a polícia não permitiu que eles seguissem pro Martim Moniz, como tinha acontecido no sábado passado, e por isso eles depois subiram pra Mouraria, mas muito rapidamente começaram a dispersar. De facto, a situação aqui em Lisboa, os ânimos acalmaram muito rapidamente, porque os manifestantes dispersaram também muito rapidamente.

Ânimos mais calmos esta manhã, tanto em Lisboa como no Porto. Relato do jornalista da Rádio Observador, David Biléu, depois desta noite de tensão, a intervenção policial que aconteceu tanto em Lisboa como no Porto, nas manifestações pela habitação. Registro de 13 detidos. Entretanto, os do Porto já foram libertados, os sete cidadãos que foram detidos no Porto. Há ainda mais de 50 feridos, segundo o Movimento da Aconpada. Os representantes legais deste movimento falam numa força desmedida por parte das autoridades na carga policial que aconteceu esta madrugada.

E o antigo secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos, volta a deixar duras críticas ao governo e também à atuação da PSP.

Pedro Nuno Santos, que publicou um vídeo no Instagram nas últimas horas, acompanhou esta carga policial sobre os manifestantes pela habitação através da televisão. O ex-líder do Partido Socialista e atual deputado fala numa operação da Polícia de Segurança Pública que foi inaceitável.

Uma semana depois, as forças de segurança voltam a carregar sobre manifestantes pacíficos em Lisboa e no Porto. Não se passou nada que justificasse mais esta carga policial. As autoridades podiam ter esperado que as manifestações acabassem por desmobilizar espontaneamente, como é óbvio que acabaria por acontecer. Não foi essa a decisão. As autoridades, as forças de segurança, mas com certeza também o governo, optaram, escolheram reprimir pela força o direito ao protesto, o direito à manifestação. Os responsáveis pela desordem nesta madrugada não foram os manifestantes, foram as forças de segurança e quem lhes deu a orientação para atuarem desta maneira. Por quanto mais tempo vamos permitir que isto continue a acontecer no nosso país? O que é que o governo pensa fazer para acabar com estas cargas policiais?

A pergunta deixada por Pedro Nuno Santos, antigo secretário-geral do Partido Socialista e atual deputado na Assembleia da República, não foi o único que teceu duras críticas à intervenção da polícia esta madrugada. Isabel Mendes Lopes, porta-voz do Livre, esteve a acompanhar o protesto ontem em Lisboa e diz que viu uma ação antidemocrática.

Inconcebível. E por isso é que nós estamos aqui mais uma vez e é inconcebível que se repita. Eu não percebo como é que isto pode estar a acontecer. Não percebo como é que algum democrata se revê nisto. Isto não é democrático.

Acha que o presidente da República está acordado a ver isto?

Espero que sim. Espero que o país todo esteja acordado a ver isto, porque já se sabia que podia haver esta possibilidade e aparentemente está-se a repetir. Espero que todos estejam acordados a ver isto, sim. Espero que o senhor presidente da República também esteja.

O primeiro-ministro também?

Toda a gente. Eu não acredito que o primeiro-ministro não esteja a ver isto atentamente.

A porta-voz do Livre, Isabel Mendes Lopes, com recados para o primeiro-ministro e também o presidente da República. A intervenção policial desta madrugada em Lisboa contou com a presença de quatro deputados no local que assistiram a tudo. Além de Isabel Mendes Lopes, também Jorge Pinto e Paulo Muacho, do Livre. Ainda, Fabian Figueiredo, do Bloco de Esquerda. Os deputados ficaram na Praça do Rossio até ao momento da carga policial. Instaram a PSP a não avançar sobre os manifestantes, mas foram, entretanto, retirados do local pela polícia. Entretanto, uma informação de última hora. O advogado Ricardo Sá Fernandes, que representa os manifestantes da acampada de Lisboa, disse nos últimos minutos que vai avançar com uma participação criminal contra o ministro da Administração Interna e o diretor nacional da PSP, após a carga policial desta madrugada. Fala de uma noite negra na história da democracia portuguesa, uma notícia que vamos desenvolver nos próximos espaços informativos.

Miguel Gato e o Jornal das Nove.