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A nossa cultura continua pelas salas, os dois pisos do Centro de Memória Judaica de Vila Cova à Coelheira, ainda pertencente ao concelho de Vila Nova de Paiva. Já falámos um bocadinho sobre como nasceu este espaço, algumas das doações que foram feitas para enriquecer este centro de memória, memórias do passado e para que não sejam esquecidas no futuro. Vimos também já alguns objetos, todos com significado. Continuamos nesta mostra de tradição judaica. Para me ajudar, tem estado Cláudia Ferreira e continuamos aqui a observar alguns destes objetos. Passamos dos objetos físicos para uma peça de vestuário, não é verdade?
É isso mesmo. Esta peça de vestuário não é nada mais, nada menos que um Shael, utilizado para as preces matinais e utilizado pelos homens. É composto por uma dobradura na zona que ficará na cabeça ou nos ombros do senhor que vá fazer as suas preces, bordada, neste caso, em hebraico e em dourado, que sobressai muito, e também com estas franjas nos cantos, que apelam muito a seguir os mandamentos. Até tem aqui uns nós que eram feitos no momento das rezas. E no fundo, este Shael, mais conhecido em hebraico por Talit, não é nada mais, nada menos que, ao ser colocado nos ombros ou na cabeça de quem iria fazer as suas preces, é como se aquilo ficasse o seu espaço pessoal, seu espaço reservado para a sua oração. É como se tivesse um cantinho só para si, para praticar a sua religião. Este Shael vinha dentro desta bolsa, uma bolsa também muito simples, mas que tem um elemento representativo, que é o elemento também do símbolo do Centro de Memória Judaica, que é a Estrela de David. A Estrela de David não é nada mais, nada menos que o símbolo do povo judaico e daí também a importância que damos a esta bolsa aqui, já que também era onde vinha o Shael. Aqui ao lado, no nosso lado esquerdo, temos algo um pouquinho diferente, que já não tem a ver com a prática da religião, ou seja, para fazer as suas preces, mas tem a ver mais com o momento das refeições, que ao nível da comunidade judaica, quem a segue com prece, com real dedicação, tem algumas regras também que seguem na alimentação. Aqui não viríamos por aí pela questão da comida kosher, mas pelo facto que o que nós temos aqui são uns paninhos, uns simples panos que tapariam o pão judaico para as suas orações. Neste caso, temos uma das peças, que para mim é uma das peças com maior sentimento, que é como foi falado no episódio anterior. Foram feitas doações da família, da sinagoga, neste caso, uma doação da família e que é nada mais, nada menos, uma peça que foi feita pela mãe do senhor Can. Daí todo este simbolismo, a importância de terem guardado esta peça aqui no nosso espaço, de nos a terem doado. E isto aqui servia simplesmente para guardar o pão para o Shabbat. Com estas divisórias, este aqui, o tal, que foi feito pela mãe do senhor Can, tem até umas divisórias em que o pão não ficaria um a tocar no outro e ficaria aqui guardado. Como se vê, comparado com o outro que está aqui na cesta, o trabalho é muito mais artesanal, mas também é um trabalho muito pessoal. Tem aqui a data de 83, quando foi feito e que foi dado pela mãe do senhor Can para ele e que ele, entretanto, agora decidiu doar aqui ao nosso espaço para perpetuar então aqui a história da sua família, da sua prática, da sua religião judaica.
E acabam por ser também duas peças que acabam por reportar também um bocadinho para as nossas vivências, se calhar as dos nossos avós. Isto porque se tratam de panos bordados. Também aqui este, quase que diria, saco de pano para guardar o pão ázimo, já nos reporta um bocadinho mais para os trabalhos que os nossos avós, as nossas avós faziam e que davam então, muitas vezes, para o enxoval da família. E portanto, estas são aqui algumas das peças mais familiares e sentimentais deste espaço, este Centro de Memória Judaica, que a nossa cultura continua a visitar aqui em Vila Cova à Coelheira e ainda no piso inferior. Vamos continuar a conhecer este espaço para que a memória do judaísmo não seja esquecida e continue a ser preservada.