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Neste episódio de "A Nossa Cultura", estamos na Casa da Ribeira, em Viseu, onde até 7 de novembro é possível visitar uma exposição de Teresa Carreira com um título que praticamente nos diz aquilo que vamos encontrar por aqui. Chama-se "Simplesmente Casinhas" e reúne trabalhos onde a pintura se cruza com colagens sobre madeira. Antes de olharmos com mais atenção e pormenor para as obras, começamos por conhecer quem está por detrás delas e falo de Teresa Carreira, que me acompanha nesta visita. Olá, Teresa, muito bom dia. Vamos agora entrar para também olharmos para um texto que está aqui à entrada, que diz: "Afinal, a economia e os números não eram a sua paixão. Teresa é autodidata e mostra que a arte pode nascer do nada". A Teresa tem um percurso académico que nada tem a ver com as artes, mas as artes sempre foi uma grande paixão, já desde criança.
Sim. Desde que eu me conheço, sempre gostei daquilo que se poderia designar como trabalhos manuais. As minhas bonecas, transformava cabelos, transformava roupas, fazia, desfazia, refazia e por aí fora. O meu gosto também pela decoração, pelas madeiras, pelos veios das madeiras, permitiram que eu fosse, ao longo dos anos, amadurecendo esta ideia de um dia gostar de pintar. Há uns largos anos, fui a Lisboa, à casa de uma prima, na zona do Chiado, uma casa com pé direito muito alto e, além das mobílias espetaculares, que é uma coisa que me agradava muito, tinha as paredes repletas de quadros, do chão ao teto. Aquela ideia sempre ficou na minha cabeça. Aliás, aqueles quadros eram de uma prima minha, que é pintora, que faleceu há três anos. Teresa Magalhães, que é bastante conhecida. Aquela ideia ficou sempre na minha cabeça: pintar, pinturas, quadros, paredes. E ao longo dos anos, isto foi amadurecendo e na altura da pandemia, visto que estava mais em casa, e no seguimento da minha paixão pela madeira, comecei a fazer minúsculas casinhas.
Sempre utilizando a madeira como suporte para a construção.
Claro. Casinhas de madeira. Madeira não comprada, madeira reciclada, que através de um determinado processo, que passarei a explicar mais tarde, fui cortando e moldando para fazer aquilo que os meus olhos gostariam de ver. E assim comecei. Comecei a fazer casinhas, todas diferentes, e esse conjunto de casinhas simples e únicas deu origem a uma parte da minha exposição. E é assim que começa a exposição, com essas casinhas simples.
Aqui também. Diga, pode contar.
Nesse processo de evolução de fazer casinhas, comecei a agregar 10, 15, 20 casinhas até formar um conjunto, digamos, arquitetônico, no sentido figurado, que agradaria ao meu olhar.
Sim, há aqui algumas peças que se encontram de forma individual, outras em conjunto. Nós já vamos ver isso. O que sabemos e que nos diz aqui também no texto que auxilia, que está logo aqui à entrada da exposição, é que nenhuma peça de madeira ou pintura é feita ao acaso. É isso que a Teresa nos vai dar conta. Já conhecemos um pouco melhor Teresa Carreira e percebemos de onde começaram a surgir estas pequenas casas. No próximo episódio, estamos verdadeiramente em "Simplesmente Casinhas", aqui na Casa da Ribeira, em Viseu, e vamos ficar a conhecer esta exposição de Teresa Carreira.