Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Voltamos aqui ao Centro Interpretativo das Termas Romanas de São Pedro do Sul. Já iremos falar sobre a capela de São Martinho, mas Eduardo Nuno Oliveira tem nos acompanhado nesta visita guiada. Temos que, acima de tudo, procurar definir uma diferença entre termas medicinais e termas sociais. E este espaço onde nos encontramos faz bem diferença. Qual é a diferença entre estas duas designações?
De facto, há aqui uma diferença importante entre termas higiênicas e sociais romanas e termas medicinais romanas. No caso das termas medicinais romanas, elas normalmente eram abastecidas por água quente e com propriedades minerais físico-químicas importantes, diferenciadas para o tratamento, o alívio de certas doenças. No caso dos balneários higiênicos e sociais romanos, eles apareciam quase sempre em ambiente urbano, ou seja, nas cidades, e eram abastecidos por água fria, sem grandes propriedades, de maneira que essa água fria depois era artificialmente aquecida no interior do edifício e numa estrutura chamada hipocausto. Ao fim e ao cabo, era uma caldeira no chão que aquecia a água, isso gerava vapor que circulava por baixo do chão, entre paredes. Havia piscinas d'água quente, morna, fria, onde as pessoas passavam em banhos, rituais de bem-estar, de relaxamento e depois também eram lugares de socialização, onde os membros dessa comunidade se encontravam, conversavam da guerra, da política, dos negócios, das fofocas, do dia a dia dessa comunidade.
Realçar que estas termas públicas, neste caso, estas termas sociais, muitas vezes podiam ser encontradas em casas privadas, neste caso, famílias mais abastadas na altura.
Exatamente, os balnea, os balneários privados nas casas mais abastadas, mas também havia termas públicas de maior dimensão. Aqui as termas medicinais. Elas também podiam servir para esses banhos higiênicos e sociais, mas as águas medicinais eram principalmente águas afamadas a nível regional e as pessoas que lá longe ouviam falar destas águas termais e das suas virtudes curativas e sagradas, procuravam estes lugares, não propriamente para se lavarem, nem para saberem das novidades, mas para procederem a tratamentos de saúde.
E nesta sala podemos também ver, quase como uma ilha no centro, onde vemos vários painéis explicativos daquilo que se pode visitar aqui neste centro interpretativo. O que é que nós podemos encontrar nestes painéis?
É uma estrutura multimídia com um conjunto de seis ecrãs que nos transmitem depoimentos de especialistas que relacionam ciências com este lugar. Há, por exemplo, uma bióloga que nos fala do rio Vouga, do seu sistema biológico e ecológico. Há um médico especialista em termalismo que fala de águas termais e particulariza com as características, benefícios, tratamentos destas águas de São Pedro do Sul. Muito interessante é o depoimento de um geólogo que nos explica o fenômeno geológico destas águas, qual a sua origem, por que elas são quentes e por que elas são tão quentes e por que adquirem as propriedades minerais importantes para o termalismo. E também ali destaco o depoimento de um historiador e arqueólogo, que em termos gerais fala de termas romanas.
E por falar novamente nestas termas romanas, vemos aqui uma ilustração datada de 1814. Era uma sala de banhos, mas neste caso não era de São Pedro do Sul, era das Caldas da Rainha. Por que está aqui?
Porque nós, nas Caldas de Lafões, não temos nenhuma imagem que retrate o ambiente dos hospitais termais. De maneira que nos socorremos de uma gravura, uma ilustração das Caldas da Rainha, de princípios do século XIX, que nos dá esse enquadramento do ambiente.
Realidade semelhante.
Exatamente.
E vamos continuar a explorar esta sala e voltando esta gravura e, consequentemente, novo painel informativo. Neste caso, o procedimento para construir as abóbadas, que há pouco falávamos, era o mesmo que se utilizava na construção dos muros, falando novamente da arquitetura deste edifício. Por que a utilização das abóbadas?
Abóbada é um sistema de cobertura romano que deve ter funcionado aqui até à Idade Média, depois ruiu e o teto foi substituído por um telhado de duas águas, que também funcionou durante muitos séculos, até à última intervenção arquitetônica, quando se resolveu reabilitar, ou melhor dizer, recriar as abóbadas romanas. Essas abóbadas romanas, nós não sabemos exatamente quais eram os materiais com os quais foram construídas. Supõe-se que em tijolo, porque era um material mais leve e menos permeável às variações térmicas e à umidade.
Ficamos, neste caso, por aqui nesta sala com a inscrição principal: a cura pela água. Mais uma vez, a referência a este efeito medicinal que estas águas termais têm. E vamos já dentro de momentos passar para o espaço da capela de São Martinho.