O Japão anunciou que vai disponibilizar 1,8 milhões de dólares (1,6 milhões de euros) para assistência alimentar a 94 mil pessoas afetadas pelo conflito em Cabo Delgado, norte de Moçambique, através do Programa Alimentar Mundial (PAM).
“Esta contribuição permitirá apoiar cerca de 94 mil deslocados internos e outras pessoas afetadas pelo conflito em Cabo Delgado através da distribuição de arroz e conservas de peixe”, disse o embaixador do Japão em Moçambique, Keiji Hamada, na cerimónia de assinatura do financiamento, formalizado esta quarta-feira, em Maputo.
Segundo o diplomata, a assistência será assegurada através da distribuição de arroz produzido localmente e conservas de peixe, procurando ajudar as famílias afetadas pelo conflito a satisfazer as suas necessidades alimentares básicas.
Keiji Hamada acrescentou que, desde 2019, o Japão contribuiu com cerca de 21,38 milhões de dólares (19,1 milhões de euros) para as operações do PAM em Moçambique.
A diretora nacional do PAM no país, Claire Conan, que também assinou este acordo, afirmou que o financiamento chega numa altura em que as necessidades humanitárias permanecem elevadas e os recursos disponíveis continuam insuficientes para responder à totalidade das populações vulneráveis.
“Permitirá ao PAM prestar assistência alimentar a 94 mil pessoas, ajudando famílias vulneráveis a satisfazer as suas necessidades alimentares básicas”, afirmou Claire Conan.
Segundo a responsável, o apoio pretende evitar que os agregados familiares recorram a estratégias prejudiciais para lidar com a escassez de alimentos.
A assistência irá combinar produtos adquiridos em Moçambique com conservas de peixe, contribuindo simultaneamente para o apoio às populações afetadas e para a dinamização dos mercados locais.
“Este apoio do Japão não é apenas oportuno, é profundamente significativo”, afirmou a representante do PAM, agradecendo ao Governo japonês pela contribuição.
Claire Conan alertou ainda para os possíveis efeitos do fenómeno El Niño, considerando que um agravamento da seca poderá aumentar o número de famílias em situação de insegurança alimentar numa altura em que o financiamento humanitário enfrenta fortes constrangimentos.
Por sua vez, o vice-presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Gabriel Monteiro, destacou a cooperação japonesa na assistência humanitária e na prevenção de desastres, referindo o apoio à construção de sistemas de drenagem na cidade da Beira, província de Sofala, e os estudos em curso para encontrar soluções para as inundações urbanas em Maputo e Matola.
A província de Cabo Delgado, rica em gás natural, enfrenta desde 2017 uma insurgência armada que já provocou mais de 6.600 mortos e mais de 1,2 milhões de deslocados, segundo organizações internacionais.
Atualmente, cerca de 1,38 milhões de pessoas continuam a viver com os efeitos do conflito, incluindo aproximadamente 662 mil deslocados internos e 722 mil pessoas regressadas às suas zonas de origem.
Os incidentes associados à insurgência aumentaram 10% no primeiro semestre de 2026 face ao mesmo período do ano anterior.