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Rádio Observador de Desporto. Mudanças no balneário do Sporting: sai Rui Borges, entra Paulo Fonseca. Frederico Varandas, no arranque do mês de novembro, decidiu mexer no treinador leonino e assim Rui Borges está de saída. Vamos analisar esta nova vida do Sporting e esta decisão de Frederico Varandas. Eu sou o Miguel Cordeiro, comigo estão Dias Ferreira e Eduardo Barroso, dois homens com passado histórico neste clube, o Sporting Clube de Portugal. Já foram dirigentes deste clube. Vamos a contagens. Rui Borges chegou em dezembro de 2024, sai em novembro de 2026, um ano e 10 meses no comando técnico do Sporting. Venceu uma Liga e uma Taça de Portugal, dois troféus na primeira época. Foi considerado, em 24/25, treinador do ano na Liga Portuguesa. Conseguiu passar a fase de liga da Liga dos Campeões nas duas épocas, sendo que o ano passado chegou aos quartos de final. Esta temporada, nove vitórias em 14 jogos, conta com três empates e uma derrota no campeonato e ainda uma derrota na Champions frente ao LASK. O Sporting está a nove pontos da liderança no Campeonato Português. Paulo Fonseca ganhou uma Taça de Portugal com o Braga, uma Supertaça com o Futebol Clube do Porto. Conhece bem o próximo adversário do Sporting na Champions, foi treinador do Shakhtar. Lá ganhou três campeonatos, três taças e uma Supertaça. Passou pela Roma, pelo Lille, pelo AC Milan e agora estava no Lyon. Esta época, Paulo Fonseca tem oito vitórias em 16 jogos, são três empates e cinco derrotas. No Campeonato Francês, soma cinco vitórias, dois empates e duas derrotas, deixa o Lyon em terceiro lugar, a três pontos do líder, o PSG. Dias Ferreira, vou começar por si. Compreende esta decisão de Frederico Varandas e o timing desta troca de treinadores?

Boa tarde a todos e ao meu amigo Eduardo Barroso. Saudações leoninas em especial e particular. E devo dizer que não compreendo. E não compreendo porque não sei, nem tinha que saber, quais os raciocínios que o presidente fez quanto ao timing e à razão de pôr termo ao contrato nesta altura e neste momento. Com certeza que o presidente um dia explicará a todas as mentes, não só a mim, mas a toda a gente. E, portanto, eu, como normalmente tenho estado, sobretudo de há uns anos para cá, muito de acordo com as decisões do presidente do Sporting, confio que ele tenha tomado a melhor solução e no momento apropriado. É preciso conhecer e não especular aquilo que ele fez. Mas realmente, se estivesse eu a pensar, havia uma coisa que eu teria razões para fazer isto e que penso que pode ter pesado muito nele, embora ele seja uma pessoa que tem sustentado e praticado que o clube não é gerido de fora para dentro, mas de dentro para fora. Eu que neste momento não sou dirigente do Sporting, mas continuo a seguir o Sporting, em todas as circunstâncias, mesmo naqueles que querem atacar sempre o Sporting, que é o que a gente tem visto em certa comunicação social, que perderam horas e horas a falar sobre a mesma coisa, sobre o Rui Borges, descascaram-no todo e mais alguma coisa. E então quando ele finalmente teve uma reação de que estava farto dos bordados da vida, caírem-lhe sem dó nem piedade. E portanto, é difícil sustentar um treinador, mesmo diante dos jogadores, com uma tal pressão miserável, diria eu, absolutamente miserável, passarem programas e programas a denegrir no homem, quando ainda por cima, o objetivo deles não é atingir o treinador do Sporting, é atingir o presidente e com isso atingir o Sporting. O Sporting conseguiu ganhar uma estabilidade e uma situação que pôs em claro medo vários dirigentes deste país. E portanto, tiveram que seguir, aproveitaram bem, digamos assim, a final da Taça de Portugal, para realmente montar o esquema a seguir de que o treinador estava fragilizado e mais isto e mais aquilo e mais aquilo outro. Portanto, eu penso que a certa altura, as pessoas, por mais que queiram, não são capazes de aguentar uma situação dessas, porque isso chega aos jogadores, torna-os instáveis, não sabem se o treinador vai ou se amanhã, porque realmente a campanha foi absolutamente, eu só encontro uma expressão, absolutamente miserável de certa comunicação social desportiva, que não está interessada em discutir os temas, nenhum tema que tenha razão de ser, nenhum tema que em teoria e na prática fosse importante para o futebol português, não. O que discutem é sempre a fofoca, a pressão sobre o treinador do Sporting, uma coisa absolutamente miserável.

Diz Ferreira, apesar de compreender o que está a dizer, nós aqui estamos a tentar fazer exatamente o contrário. Estamos a tentar falar da parte desportiva e do Sporting em si e do impacto que isto tem para o Sporting. Compreendo o seu incômodo nessa situação que descrevia, mas eu queria centrar mesmo a discussão em Rui Borges, na saída e na entrada de um novo técnico.

Eu acho que até agora não estive a falar outras pessoas, só do treinador.

É isso.

E agora é que passei e liguei ao presidente para não pensarem que eu estou iludido.

Exatamente.

Que com o despedimento do Rui Borges o problema está resolvido.

Era isso, era onde eu queria chegar, se de fato esta mudança nesta altura e mudar para Paulo Fonseca nesta fase, se você tem essa expectativa de poder o Sporting ficar diferente a partir de agora.

Tenho expectativa do Sporting. O Sporting, pelos vistos, não está a mostrar que não é diferente, porque há alguns dentro da casa que também fizeram a cama ao treinador e com responsabilidades. É que isso é assim mesmo. É que também fizeram a cama. Portanto, se o Sporting continuar a fazer como fazia antigamente, que se dividia por tudo e por nada, e tudo era treinador, e o que era preciso era despedir treinadores. E por isso é que a gente teve 40 anos em que ganhou três ou quatro campeonatos e não ganhou mais nada, porque mudava de treinador de oito em oito meses, como quem muda de camisa. Era exatamente isto. E as pessoas agora começaram também outra vez. E as pessoas julgam, porque não percebem nada de futebol, nem sabem o que é andar lá dentro. Pensam que estas instabilidades e estes assobios e estas coisas não chegam ao balneário e aos jogadores. Que os jogadores são bons como já foram bons em vários jogos, como são os anteriores, como são os atuais. São bons jogadores. Na certa altura, ninguém fica indiferente à pressão que se faz sobre o treinador. E sobre isto, admito que me faltem aqui alguns dados. Agora espero é que a massa associativa do Sporting, a verdadeira massa associativa do Sporting, deixe de se procurar intermenter e cada um ter a sua opinião e fazer. Porque se o Sporting precisa de união, neste momento precisa mais, porque o que está em causa não é o Rui Borges, nem é o presidente Varandas, é o Sporting Clube de Portugal.

Dias Ferreira, deixe-me ouvir também Eduardo Barroso. Chamar aqui do Eduardo Barroso também esta conversa. Bem-vindo, Eduardo Barroso, obrigado por estar conosco aqui na Rádio Observador. Compreende esta decisão de Varandas ou também estranha um pouco o timing escolhido para esta mudança?

Muito boa tarde a todos. Desculpe, mas eu vou também fazer um cumprimento especial ao meu amigo Dias Ferreira.

Claro que sim.

E dizer-lhe que não posso estar mais de acordo com o que ele disse. Eu percebo exatamente o que ele disse, eu sinto o mesmo que ele disse em relação à campanha miserável que alguns jornalismo de esgoto, veja o que eu estou a dizer, jornalismo de esgoto de indigentes intelectuais, que mal sabem falar português, alguns, e que fizeram essa campanha. Bem, a vantagem que o Dias Ferreira e eu temos, uma vantagem e uma desvantagem, é que a gente já está no terço final da nossa vida e, portanto, vimos muita coisa no Sporting, acompanhamos o Sporting desde a nossa infância, e isto não é inédito no Sporting. Eu lembro-me, para vos dar aqui três ou quatro exemplos de cor, Bobby Robson, José Peseiro, a maior injustiça de todas, talvez Augusto Inácio, que foram despedidos numa altura em que eu já não concordei nessa altura. E, portanto, sobretudo a grande injustiça que foi feita a Augusto Inácio, grande treinador e que nos deu aquela alegria ao fim de 19 anos. Bem, o que se passa agora, a minha opinião interessa tanto como a opinião das centenas de milhares de sócios do Sporting. E, portanto, o facto de vocês me estarem a ouvir, eu agradeço o convite para me pronunciar. E sobre o que agora aconteceu, eu também acho que Frederico Varandas deu-nos em seis anos três títulos de campeão, Taça de Portugal e, portanto, ele lá saberá o que é que tem que fazer. Por isso é que a gente o elegeu para presidente do Sporting. Agora, o que eu acho? Eu estou muito triste. Eu estou triste pelo cidadão, estou triste pelo treinador. Vivemos num país onde as pessoas são subservientes com os poderosos e com os milionários e com o poder. E, portanto, as pessoas como o Rui Borges, são tratadas também com a facilidade com que são achincalhadas publicamente, tem a ver com o facto de não terem o poder e a grandeza, no sentido de poder económico e de poder social, que tem o Rui Borges. Eu tenho pena que o Rui Borges tenha saído. Tenho pena porque acho que o Sporting não jogou assim tão mal. Repare uma coisa, o Sporting tem nove pontos de atraso do campeão nacional e o atual líder do campeão nacional, mas não devia ter. Repare, o Sporting esteve a ganhar na Amadora e acabou por empatar com um golo ilegal, quando o Baresi é apanhado. Não ganhámos em Famalicão também, toda a gente sabe porque é que não ganhámos. Com o Arouca em casa, nunca teríamos empatado aquele jogo a ganhar 2x0, se jogássemos com o três como deveríamos ter estado a jogar. Portanto, há assim uma quantidade de fatores. E não jogámos assim tão mal. Eu acho que não jogámos assim tão mal, nem com o Arouca, nem com o Académico de Viseu.

Certo.

Não jogámos assim tão mal. Nós temos esta coisa em Portugal, e sobretudo algum jornalismo que vive de facto, como dizia o Dias Ferreira, é preciso que os sportinguistas digam isso. Nós somos atacados por alguma imprensa, que é um jornalismo verdadeiramente que vive da desgraça, que vive para as zizanias e que vive para achincalhar. O que estão a fazer agora a este presidente do Conselho de Arbitragem, que eu não conheço de lado nenhum, é uma coisa vergonhosa. Aqueles ataques são ataques pessoais à domina e que são coisas horríveis que se fizeram. Portanto, eu, como sportinguista, tenho pena. Gostava do treinador que nos deu um título e uma Taça de Portugal, mas também nos valoriza uma taça. Só ganhámos a taça porque o nosso defesa esquerdo não foi expulso. Mas por que o facto dessa expulsão não havia de acontecer na mesma, a rasteira ao Ioka dentro da área do Benfica? Por que essas coisas só se acreditam contra o Sporting? Por que o Sporting em Braga ganhou 3x1 e se tem havido um penalti, só tínhamos ganho 3x2, mas ninguém diz que só tínhamos ganho 3x2 e diziam que íamos perder o jogo, certeza. Portanto, há, de facto, uma campanha. Houve uma campanha de descredibilização do nosso treinador. Houve, de facto, essa campanha

Creio que está percetível a ideia que estava a deixar e essa tristeza que já partilhou aqui pela saída de Rui Borges, principalmente pela forma como foi tratado Rui Borges. Eu gostaria de olhar agora para Paulo Fonseca. Ainda temos aqui algum tempo e talvez começar aqui por Dias Ferreira novamente. Paulo Fonseca, para si, é uma boa escolha? Ou seja, consumada a saída do Rui Borges, esta aposta em Paulo Fonseca parece-lhe acertada?

Tendo sido despedido o treinador, eu vou ser honesto e sincero, como procuro fazer em toda a minha vida. O treinador que eu ia buscar para o Sporting nesta altura, mas compreendo perfeitamente as razões por que isso se torna quase impossível, e eu não exijo exatamente isso por essas razões, mas o treinador que eu iria buscar, sem dúvida, embora seja muito crítico, ou tenha sido muito crítico, mas era efetivamente Sérgio Conceição. Porque sei que Sérgio Conceição daria resposta a esta canalha toda e seria suficiente para combater todos os outros que usam o mesmo estilo, entram como cordeirinhos, mas depois não são nada cordeirinhos e protestam contra as arbitragens, etc. E se é o treinador do Sporting, realmente era o defeito que eu acho do Rui Borges, é que realmente não falava dos árbitros nem da arbitragem e não ganham nada com isso, antes pelo contrário. Quer dizer, o facto de ele ser uma pessoa respeitadora das arbitragens e ser como manda a lei, isso realmente não dá nada. E portanto, as pessoas ainda são mais maltratadas e somos chamados anjinhos por causa disso e bem comportados. Isso é o que pode acontecer.

E Eduardo Barroso? Força.

Não sendo Sérgio Conceição, eu acho que a escolha a seguir é Paulo Fonseca. Acho que tem uma experiência internacional e além do mais, uma coisa que eu não sabia, e parece-me que ontem me apercebi que seria assim, embora isso não seja condição necessária e suficiente, é que é sportinguista. Ou pelo menos tem simpatia pelo Sporting.

Eduardo Barroso.

Portanto, acho que foi bem escolhido. Dos treinadores que poderão estar livres ou que estariam livres, era o único que realmente podia ser. Havia mais treinadores que seriam boa escolha, tanto nacional como internacionalmente.

Deixe perceber também com o Eduardo Barroso se, consumada essa saída do Rui Borges, Frederico Varandas confrontado com a necessidade de escolher um novo treinador, se considera que Paulo Fonseca é uma boa escolha.

Eu não percebo nada disso. Pelo amor de Deus, não me pergunte essas coisas.

Enquanto adepto, enquanto alguém que acompanha futebol e que conhece já Paulo Fonseca de outros tempos também, que já treinou em Portugal e treina agora já há algum tempo no estrangeiro, se acha que pode ser uma boa hipótese para o Sporting.

Não, mas eu achei que o Rui Borges era uma belíssima escolha para o Sporting e afinal não interessa nada a minha opinião. O que eu desejo ao treinador do Sporting, seja ele qual for, que vier agora, é que possa pôr o Sporting no caminho dos êxitos. É o que eu desejava ao Rui Borges. E dou um conselho ao Rui Borges. Rui Borges, perceba que isto foi uma machadada grande no seu caráter, na sua personalidade, mas ele que reveja as coisas boas. Embora fosse um treinador barato, eu costumo dizer aqui para os meus filhos que quem surgiu barato fui eu. Felizmente, não tem os problemas que têm grandes camadas da população portuguesa, tem casa própria. Felizmente, está economicamente saudável nesse ponto de vista, portanto, que parta para outra e desejo as maiores felicidades para outra. Agora, em relação à escolha, eu não vou dar um nome como o Dias Ferreira, porque eu não percebo nada. A única coisa que eu tenho, eu tenho os meus filhos grandes sportinguistas, tenho netos sportinguistas e os meus filhos acham que é uma boa escolha. Portanto, se eles acham que é uma boa escolha para a substituição do Rui Borges, quem sou eu para dizer o contrário.

Fica assim essa nota.

Mas deixe-me dizer-lhe uma coisa.

Para terminar, temos 30 segundos.

Para terminar, eu queria mandar um grande abraço ao Rui Borges. Dizer que é um admirador, um homem que acha que ele é um treinador sério, um grande trabalhador, que merece as maiores felicidades para o seu futuro, independentemente, de facto, da campanha que lhe fizeram e a falta de aceitação por muitos dos sportinguistas. Eu compreendo o apelo do Dias Ferreira em relação a que temos é que nos unir agora, seja quem for o substituto do Rui Borges. E portanto, queria lhe mandar aqui um grande abraço e dizer, eu acho que é um grande treinador.

Eu acompanho o Eduardo Barroso no abraço.

Fica essa nota do Eduardo Barroso e do Dias Ferreira.

Estou-lhe muito grato pelo que ele fez no Sporting.

Fica essa nota. Eduardo Barroso, Dias Ferreira, muito obrigado por analisarmos nos últimos minutos a situação no Sporting. Um abraço. Rádio Observador Desporto.