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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
Paul, não há como fugir desta greve geral. É apenas o início de uma guerra mais longa?
É pelo menos a primeira batalha, numa espécie de teste para tomar o pulso ao país. Pelo menos é essa a percepção do governo, que se prepara para uma guerra de vários meses, no fundo, pelo controle, pela criação de percepção, se quisermos, na opinião pública. O Observador tem um texto sobre isso, diz que o governo está, de facto, a preparar-se para isso. Ainda que a greve geral possa ter o apoio da maioria da população, há uma sondagem de há dois dias que diz isso, na casa dos 60 e tal por cento das pessoas que consideram que esta greve geral faz sentido. O governo vai colocar em cima da mesa alguns indicadores favoráveis, o facto de a economia estar próxima do pleno emprego, a evolução dos salários e das pensões, que têm aumentado nos últimos anos, os impostos, o IRS, que vão descendo, com mais ou menos impacto ao longo da escala de rendimentos. E vai também argumentar que ninguém compreende as razões desta greve. Portanto, há aqui um braço de ferro mais longo, de um lado e de outro, obviamente, o governo e a oposição vão tentar vencer esse braço de ferro pela simpatia da opinião pública em relação aos argumentos de cada um dos lados.
Paul, e não se arranjam por aí apoios partidários em regime de self-service?
Olha, isso não existe, Carla. Não sei que gênero de democracia é que tu tens em mente. Agora quer um apoio, não é? Quer um apoio partidário. Não, é verdade. O PS não gostou nada que Gouveia e Melo se tivesse declarado como candidato do PS quando bateu contra António José Seguro. Ele colocou-se também logo ali, tipo presidente adjunto, quase. Não presidente adjunto, mas candidato do PS. José Luís Carneiro, líder do partido, deixou isso ontem muito bem claro. Disse que essa declaração de Gouveia e Melo foi inadequada e que o único candidato apoiado pelo PS era mesmo António José Seguro. Bom, nestes casos convém não esquecer que algumas árvores não fazem a floresta. Gouveia e Melo pode até receber o apoio e o voto de vários socialistas, nalguns casos é público. Aliás, um deles o voto nem o agradou muito, o caso do José Sócrates.
Sim, nada.
Não lhe agradou, mas haverá outros, certamente. Aliás, haverá uma parte do PS, de eleitorado típico do PS, que votará Gouveia e Melo. Bom, mas isso não lhe dá o selo oficial da região demarcada política de Largo do Rato, em que ele pode apresentar-se como candidato do PS.
Paul, e sobre redes sociais, a Austrália pode ser o laboratório que os outros países precisam?
Essa, sabemos, é uma das grandes questões do nosso tempo. Como regular a nossa relação com as redes sociais e sobretudo a dos mais novos, jovens e adolescentes, como gerir a presença deles nas redes sociais. Já está em vigor a lei na Austrália, que veda as redes sociais a menores de 16 anos. Vamos ver como corre. Antes de mais, será eficaz? Isto é, veda mesmo esse acesso e que efeitos vai ter nos jovens. Portanto, é essa experiência que muita gente aguarda numa altura em que de facto o assunto é discutido em todo lado.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer