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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.

E esta terça-feira falamos do ex-desejado, crimes dentro de casa, más contratações, mas começamos pela velha questão do mapa.

Do mapa. Nenhum Estado, um Estado, dois Estados. Bruno, explica-nos qual é a solução para o conflito israelo-palestiniano.

Carla, a solução mais sensata, que é a resposta que quase toda a gente concorda, é a de dois Estados. É essa a posição também do governo português, que ontem foi reafirmada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros português em Jerusalém, durante a visita oficial a Israel, e em que também passou pela Cisjordânia. Paulo Rangel lembrou que Portugal preconiza a solução dos dois Estados e que o nosso país está comprometido quer com Israel, quer com a Palestina. Nada que já não tenha sido dito por muitos outros protagonistas em muitas outras ocasiões, mas a questão subjacente é: como é que se chega à solução dos dois Estados, tendo em conta o estado a que aquilo chegou?

Paulo, então e o Chega? Precisa de melhorar substancialmente os seus métodos de recrutamento?

Sem dúvida. Como é que vem esta pergunta?

Como é que vem esta pergunta, Amália, não é?

De onde é que ela cai? Sem dúvida que precisa. Ontem ficámos a conhecer mais um caso de, digamos, uma relação íntima com a Justiça por parte de um eleito do Chega. Desta vez, uma eleita, Manuela Dias, é deputada municipal do Chega em Loures, concelho da região de Lisboa, e foi agora acusada de participação económica em negócio por beneficiar o ginásio do genro. Atenção, mas este caso remonta ao tempo em que Manuela Dias estava no PSD. Tinha sido eleita pelo PSD, presidente da União de Freguesias de Moscavide e Portela, também na região de Lisboa. Portanto, quando o Chega a recrutou ao PSD, já a autarca teria cometido os ilícitos que agora a vão levar a tribunal. No fundo, é o recrutamento do Chega a falhar mais uma vez. Manuela Dias, entretanto, já renunciou a este seu atual cargo em Loures e confirma-se: se André Ventura quer limpar Portugal, tem mesmo de começar pelo seu próprio partido e isso já lhe dará muito trabalho, como se vê.

Bolhas nas mãos.

Bolhas nos baldes e nas esfregonas.

Ainda agora começou.

Bruno, então e a violência doméstica, ainda é um flagelo?

Ainda é, e nada indica que o deixe de ser nos próximos anos, apesar de todos os esforços e campanhas de sensibilização, do investimento na educação, de forma a alertar as novas gerações para este problema. Mas só em 2024 foram identificadas 22 vítimas mortais, 19 mulheres e três homens, em contexto de violência doméstica. Uma boa notícia, dentro deste problema, é que desde o final de 2019, este ano foi o primeiro em que não houve crianças entre as vítimas mortais. Os números de vítimas de violência doméstica que têm recurso ao chamado botão de pânico, à teleassistência, também bateram um recorde. Foram 21.608 pessoas assistidas através deste serviço de proteção e segurança, um número que por um lado é preocupante, assusta, por outro tranquiliza, porque o botão de pânico pode mesmo salvar vidas. Resumindo, ainda há muito por fazer e os números não são completamente encorajadores, apesar também dos números de detenções de pessoas acusadas de violência doméstica ter aumentado. E não são encorajadores, porque, por exemplo, já este ano, e de acordo com os dados recolhidos na imprensa, só em janeiro foram contabilizadas cinco vítimas mortais. No entanto, que se tenha ideia da dimensão do problema, já é uma pequena vitória, um pequeno passo para tentar fazer face a este flagelo.

Pequeníssimo, digo eu. Afinal, Paulo, António Vitorino nem é assim tão desejado no Partido Socialista.

De facto, já não sabemos muito bem como é que as coisas correm, mas é o que parece, a avaliar pelo que se vai sabendo sobre o debate que os socialistas fizeram no Conselho Nacional do passado sábado. São vários os jornais que relatam o que se passou dentro da sala, o Observador também trouxe essas informações, o Expresso ontem também. E por lá ouviram-se vários apoiantes de António José Seguro a manifestar a sua preferência por este quase candidato. Em contrapartida, parece que também se ouviram vozes a apoiar a solução que passa por António Vitorino. Não se sabe bem se o próprio Vitorino já terá dado sinais ao partido que mais uma vez não está para aí virado, para entrar nesta corrida. Se o PS vier mesmo a apoiar António José Seguro, há muitos socialistas que terão que engolir um sapo na hora da votação e o chamado costismo terá aqui uma derrota. Mas ainda falta muito tempo. Vamos ver como é que o PS vai continuar a lidar com um problema que a própria direção criou.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta essa.