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Desta terça-feira.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.

Esta segunda-feira falamos de contas no vermelho, de desafios existenciais, jogos com fronteiras, mas vamos começar aqui com hesitações políticas.

Afinal, o Chega alinha ou não alinha na negociação do orçamento, Paulo?

Ontem não ia alinhar. A posição de ontem é que vai entrar para o salão de festas, mas prefere ficar encostado ao balcão, ver o ambiente e beber um copo de copo na mão, portanto, não entra na dança. Ou se preferirmos, vai fumar, mas não vai inalar. O Chega já garantiu que vai estar na reunião com o governo, mas também já avisou que se mantém fora das negociações. Vai ouvir o que o governo tem para dizer, vai olhar para os números, mas presume-se que não fará suas propostas e depois, no Parlamento, votará contra o orçamento. No fundo, é uma posição semelhante à do Bloco de Esquerda, que já anunciou também o voto contra, mas também irá às reuniões com o governo. No fundo, todos estão a deixar a tarefa da aprovação ou não do orçamento entregue ao Partido Socialista, ou então não se importam de ir para eleições.

Então, sempre é possível fechar fronteiras.

Parece que sim. Aliás, já sabíamos que sim, que era possível controlar novamente as fronteiras, vimos em algumas situações pontuais, mas o que a Alemanha agora vai fazer pode mesmo ser um prenúncio de uma nova era na Europa. Ontem a ministra da Administração Interna alemã, Nancy Faeser, anunciou um controle em todas as fronteiras terrestres do país. Motivos, estes alegados pela governante: limitar a imigração ilegal, enfrentar ameaças terroristas e impedir a passagem de elementos de organizações criminosas. É já a partir de 16 de setembro que as fronteiras com França, Luxemburgo, Países Baixos, Bélgica e Dinamarca serão reforçadas, a exemplo do que, aliás, já acontece desde 2023 nas fronteiras da Alemanha com a Polônia, Suíça, Áustria e Chéquia, onde, nestas fronteiras, mais de 30 mil pessoas viram rejeitado o pedido de entrada na Alemanha no último ano. O governo alemão exige a reforma do sistema europeu comum de asilo. Até lá, disse a ministra, temos de controlar as nossas fronteiras e mesmo assim, à moda antiga.

E o plano europeu de Mário Draghi é para executar ou vai ficar na gaveta?

Nelson, essa é a pergunta para já dos 800 mil milhões de euros. É muito dinheiro, são cerca de três vezes o PIB anual português, e é o montante de investimento que Mário Draghi recomenda à União Europeia nos próximos anos. Mas atenção, investimento anual, durante vários anos. Porque defende o ex-presidente do Banco Central Europeu, a Europa enfrenta um desafio existencial, a expressão é do próprio, que só será superado se forem feitos investimentos que equivalem, a grosso modo, ao dobro daquilo que foi investido na reconstrução do pós-Segunda Guerra, o chamado Plano Marshall. Um investimento que deve ser maciço nas áreas da defesa, que deve também lançar uma nova estratégia industrial comunitária, e que será financiado, propõe Draghi, com a emissão de dívida comum. Ou isto, ou então a Europa continuará ou entrará numa lenta agonia, diz Mário Draghi. E se ele diz, é melhor tomarmos atenção.

Se o Super Mário diz.

O Super Mário, sabe do que fala.

E Bruno, como é que andam as contas do Benfica?

No vermelho.

E neste caso é uma coerência que pode acontecer.

Não, é indesejada. O clube apresentou o relatório e contas de 2023, 2024, com prejuízo de 31 milhões de euros, depois de no ano passado a SAD ter registrado um lucro de 4,2 milhões de euros. A dívida líquida passou de 140 para 201 milhões de euros, empréstimos a obrigacionistas, empréstimos dos bancos, e tudo aquilo que é bom caiu, quer os rendimentos operacionais, quer os rendimentos com transações de atletas. A boa notícia é que pelo menos os capitais próprios continuam positivos nos 81,9 milhões de euros, mas atenção, há quatro anos eram quase o dobro. O presidente do clube, Rui Costa, veio sossegar os sócios e adeptos, lembrando que nestas contas não entraram as transferências de João Neves, David Neres, Marcos Leonardo e Morato, no valor total, fora comissões e outros custos, de 140 milhões de euros. Até aqui tudo bem, não está em falência técnica.

Se tem capitais próprios positivos, não está.

Mas é bom ler os sinais. E para o Benfica, no capítulo financeiro, e não só, este momento é vermelho.

Vermelho vermelhão? Não, vermelho.

Vermelho de perigo.

Ainda bem que faz essa pergunta todas as manhãs depois do jornal das 19h00.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.