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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.
E hoje falamos de reaparições políticas, um teste australiano, um caso cirúrgico, mas começamos com o processo orçamental que está a chegar ao fim. Paulo, já se pode fazer um balanço?
Já podemos, sim. E o primeiro balanço é precisamente sobre o próprio processo orçamental, que como se vê está caduco, está viciado, e basicamente leva-nos à produção de legislação de má qualidade. Foi penoso para quem espreitou. Não era preciso estar uma tarde inteira a ouvir o canal Parlamento para assistir àquelas sessões, bastava estar ali uma hora ou duas, e foi penoso assistir ao processo de votação das 2160 propostas de alteração apresentadas pelos deputados ao longo dos últimos dias. Será que os próprios deputados estão satisfeitos com isto? Há vencedores e vencidos? Bom, há um vencedor, pelo menos, o governo, que tem o orçamento para todos os efeitos aprovado ou vai ter daqui a pouco, obviamente, ainda falta mesmo a votação, o formalismo, e tem esse orçamento para governar. No início deste processo, no verão, estava em causa se havia orçamento, se não havia, e não havendo, o que ia acontecer. Portanto, essa parte está fechada, ainda que o governo tenha sido forçado a recuar aqui e ali. Depois, cada partido também ganhou aqui e ali e vai erguer essas bandeiras nos próximos tempos. O PS, por exemplo, conseguiu fazer aprovar o aumento extraordinário das pensões e o governo conseguiu fazer aprovar uma descida de um ponto percentual no IRC. Daqui não vai sair nada de extraordinário, nem de bom, nem de mau. E o sinal basicamente está dado. Esta vai ser uma legislatura de navegação à vista.
E uma cirurgia, será que pode tramar o diretor executivo do SNS?
Pode, Carla, mas ainda é tudo muito nebuloso. António Gandra d'Almeida, o novo diretor executivo do SNS, foi submetido a uma cirurgia plástica no Hospital de Gaia em outubro. O processo tinha tido início a 14 de junho, data da primeira consulta e, por coincidência, a data em que a nomeação de Gandra d'Almeida para suceder a Fernando Araújo foi oficializada. Entretanto, a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde recebeu uma denúncia anónima acerca de um eventual incumprimento das regras por parte de Gandra d'Almeida e abriu uma investigação, como faz nestas situações, para apurar os factos e saber se afinal o diretor executivo do SNS passou ou não à frente de outros utentes que estavam em lista de espera. O diretor do SNS garante que foi tudo feito de acordo com as regras, que está a ser vítima de uma devassa da vida pessoal. Olhe, isto é caso para dizer: investigue-se, já dizia o outro. Mas este clima de denúncias anónimas, de suspeição permanente, é mais próprio de um esgoto a céu aberto do que de um país.
Então vamos mudar de país.
Vamos lá, exato.
Boa! É isso, Carla.
Atenção, Austrália.
Eu gostava muito de ir à Austrália só para dizer isto. Nunca estive, mas gostava muito.
Eu também gostava. Mas eu digo isto em relação a 99% dos países.
Pronto, está.
Desculpa, podemos seguir para a Austrália então.
Há uma questão que a Austrália está a decidir e será que é o caminho certo para gerir a relação dos mais novos com as redes sociais: proibir?
Pois, é uma grande questão. Vamos ver o resultado. Para já, a Austrália é o primeiro país a tomar medidas drásticas desta matéria. Os deputados australianos aprovaram este projeto de lei que proíbe o acesso às redes sociais a menores de 16 anos. O assunto passa agora para o Senado, que vai discuti-lo e votá-lo. É uma legislação pioneira. E se for aprovada, vai obrigar as plataformas como o X, o TikTok, Facebook ou Instagram a tomar medidas, elas próprias, para impedirem de facto o acesso de menores de 16 anos. Plataformas como Snapchat ou Reddit provavelmente também serão abrangidos por esta proibição. O YouTube não, fica já de fora. Não está incluído aqui, porque segundo o governo que fez esta proposta, o governo australiano, tem um propósito educacional que é significativo. E por que o governo australiano decidiu avançar com esta proposta? Porque alega o primeiro-ministro, sustenta que as redes sociais são plataformas para a pressão social, são motor de ansiedade, são um canal para bulões e pior do que tudo, são uma ferramenta para predadores online. É isto que diz o chefe do governo. Os especialistas, por seu lado, duvidam da eficácia de uma proibição baseada na idade. Ou seja, tecnologicamente não há de ser fácil de garantir que isto funcione. Portanto, vamos ver como corre por lá. É que anda um bocadinho todo mundo a tentar saber como lidar com estas novidades e sobretudo com os mais novos.
Bruno, então Augusto Santos Silva está vivo?
Está. Politicamente, fez prova de vida. Havia aqui dúvidas e parece que as notícias da morte política do antigo presidente da Assembleia da República podem ter sido um tanto exageradas. A culpa é do próprio Santos Silva, que depois de uma guerra muito pessoal com o Chega, não conseguiu ser eleito nas legislativas e desapareceu quase sem deixar rasto. Dizia-se que na altura, antes, quando ainda estava na Assembleia da República, estaria a preparar o terreno para uma candidatura à Belém, mas os primeiros sinais não foram encorajadores. Entretanto, foram surgindo outros nomes, ainda não oficializados, da área política da esquerda. Centeno, António José Seguro, e Santos Silva foi ficando para trás, esquecido, perdido nas areias da política e do tempo, do passado. Mas agora, em declarações ao público, Augusto Santos Silva ensaia uma espécie de ressurreição política, como já não se via desde a semana passada, quando António José Seguro regressou também ele do limbo para o palco. Diz Augusto Santos Silva que não se põe fora desta corrida, em que, para já, são muitos aqueles que têm vontade de se inscrever, mas ainda ninguém distribuiu os dorsais, portanto, ainda não há concorrentes.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.