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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta essa.
A caminho do fim de semana ao IOA e falamos como é que era a música? Era de Viseu? Não, como é que era? A caminho...
Não, isso é "Venho indo eu a caminho de Viseu". Vamos lá não fazer confusões com essas coisas.
Juntei duas. Juntei duas músicas, eu sou espetacular a fazer mixes. Bem, mas a caminho do fim de semana, sem nem ai nem ui, falamos de ficção de sucesso, muitas lacunas, a educação a escorregar, mas Juca, começamos pelo fim.
É mesmo, é disto que isto acaba.
Hoje é o último dia das audições na Comissão Parlamentar de Inquérito.
Em boa verdade, eis a única boa notícia. O país está, como se diz na gíria, cheio disto, exausto e, sobretudo, resignado, porque tudo isto, no fim do dia, não vai deixar de ser uma mão cheia de nada. Todos perceberam que foram trapalhadas atrás trapalhadas, gente sem experiência de vida e sem maturidade a gerir milhões, a ocupar cargos porque estão ou estiveram no sítio certo à hora certa, ou foram a almoços ou a jantares com pessoas convenientes e assim subiram a cargos para os quais não estavam manifestamente preparados. Mas consequências estão assumidas, com respetivas demissões, que mais não são do que um hiato na esfera do poder onde vão continuar a andar, pelo menos por perto, para estarem de novo na linha da frente quando for necessário. Mas isto mais agora nem é um exclusivo da gestão pública. Ficam por explicar os milhões de Nilman e muitas outras indemnizações pagas a uns quantos nesse período da privatização.
Estamos a caminho de um desastre em câmara lenta também na educação.
Lia sinais preocupantes sobre o valor das licenciaturas no mercado de trabalho.
É, são dados do Estado da Nação, o relatório anual da Fundação José Neves sobre educação, qualificações e emprego, que ontem foi divulgado e ficámos a saber que o prémio salarial aos licenciados é cada vez menor. Ou seja, o diferencial de salário entre quem tem ensino superior e quem ficou pelo secundário é hoje metade do que era há mais de uma década. Temos uma população com cada vez mais qualificações, mas o valor atribuído a mais anos de escolaridade é cada vez menos diferenciador. Os sinais que nos falam da degradação da educação e da sua transformação em mais competitividade e melhores salários são cada vez mais frequentes, mas ninguém no poder político parece estar muito preocupado com este assunto. Portanto, vamos definhando também nesta área.
E já agora, por falar em definhar, eis um retrato que é mesmo país.
Pois, há lacunas em todos os setores.
É, ontem lia que em Leiria só 13 das 45 vagas disponíveis no hospital tinham sido preenchidas. A Administração da Justiça abriu 26 novas vagas numa das maiores comarcas do país, em Lisboa Oeste, e só conseguiu preencher uma. Os jovens estão a sair do país em busca de melhores condições. Mão de obra para os vários setores, não há como preenchê-los. A população dos professores é a mais envelhecida da Europa e a União Europeia diz que Portugal não está a formar novos professores em número suficiente. Um pequeno retrato de um país que não está a preocupar-se com o futuro.
E haverá um antes e um depois de "Rabo de Peixe" na produção portuguesa de ficção.
Pois, a série está a ser um sucesso, não é? E ontem ficámos a saber que está garantida uma segunda temporada.
É, e esse, no fundo, é o verdadeiro teste do algodão, não é? Quando se fala de séries. Se há sucesso, ele obviamente deve ser prolongado. A Netflix já pediu então uma segunda temporada, uma decisão que mostra que está satisfeita com a carreira que a série portuguesa está a fazer na plataforma de streaming. "Rabo de Peixe" continua no top de visualização em vários países, o que mostra que é muito mais do que um sucesso nacional. Augusto Fraga e Patrícia Sequeira, que são autores e realizadores, apanharam jeito, claramente, e os resultados aparecem. A história baseada nos insólitos factos reais da vila açoriana de Rabo de Peixe, onde há mais de duas décadas deram à costa pacotes de cocaína, está bem contada, bem ficcionada, a produção é boa, o elenco é forte. Enfim, nós não temos muitos sucessos internacionais, mas olhem, cá está um.
Paulo Ferreira e Júlio Magalhães com as perguntas que marcam a atualidade. Segunda-feira há uma nova edição para ouvir.
A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta essa.