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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.
E esta pergunta está a fazer-se muito. Bruno, as eleições podem ser adiadas?
Podem, mas não a nível nacional, a não ser que fosse decretado o estado de emergência. Já há pelo menos quatro municípios que anunciaram o adiamento do ato eleitoral para o domingo seguinte, dia 15 de fevereiro, por não estarem reunidas as condições para que aconteça o ato neste domingo. São municípios fortemente afetados pelo mau tempo e isto está de acordo com a lei, que prevê essa possibilidade de os municípios adiarem o ato eleitoral se considerarem que não existem as condições. André Ventura foi quem trouxe o tema para nível nacional, propondo o adiamento não em municípios afetados, mas em todo o país. Uma ideia que não tem respaldo na lei, a não ser, lá está, que fosse decretado o estado de emergência. Aliás, Marcelo Rebelo de Sousa ontem ainda comentou o assunto e explicou isso mesmo. Parece mais uma manobra de Ventura o pedido do adiamento geral das eleições para tentar aproveitar este momento complicado que o país vive e assim proclamar-se uma vez mais vítima do sistema. Mas as eleições não podem estar dependentes das conveniências de um candidato em particular e o adiamento, tal como está previsto na lei, serve para proteger os eleitores e o seu direito de voto e não para proteger nenhuma das candidaturas em particular, seja nestas eleições ou em outras quaisquer.
E Luís Montenegro tentou ontem fazer o controle de danos?
O primeiro-ministro tentou pelo menos corrigir os tiros que saíram ao lado, às vezes muito ao lado, na última semana, sobretudo em matéria de comunicação com as populações afetadas e com o país de uma forma geral. Mas ontem foi mais longe e anunciou mais medidas de apoio e mais meios no terreno, sobretudo agora para começar a tratar dos pedidos de ajuda que começam a ser formalizados por pessoas e por empresas para aceder aos fundos e às várias linhas de apoio que o governo anunciou. E o anúncio mais importante nesta matéria foi o da suspensão dos licenciamentos prévios para obras. Isto é uma revolução, basicamente, num país que tem o princípio da desconfiança entre o Estado e o cidadão. O Estado acha sempre que o cidadão vai dar um golpe qualquer e vai querer fazer uma coisa contra a lei. É uma mudança muito completa dessa cultura. Vai ser testada agora em regime de emergência. Vamos ver como corre.
Sim. Quatro mil milhões de euros. Bruno, é muito dinheiro?
É muito guito. É muito dinheiro. É uma estimativa do ministro Castro Almeida quanto aos prejuízos causados pelo mau tempo nos últimos dias. É um valor, de facto, muito significativo, cerca de 1,30% do PIB. Neste momento, a preocupação é, claro, com a segurança das populações, com a recuperação das casas e infraestruturas críticas, com o apoio também às empresas, o apoio mais imediato. Mas quanto à maioria destas empresas, não será possível retomar a produção de imediato como se nada tivesse acontecido, o que tem uma tradução em custos económicos bastante elevados e que terão impacto nas possibilidades de crescimento do país, até porque não inclui, como disse o ministro, este valor de quatro mil milhões de euros, não inclui os custos indiretos, ou seja, o impacto que o mau tempo poderá ter depois na produção de outras empresas que dependem de empresas que foram afetadas pelo mau tempo. Ainda não é propriamente o tempo de fazer essas contas. Há outras preocupações mais imediatas, mas vamos ter de as fazer. O governo terá de as fazer quando o mau tempo passar e chegarem, na verdade, do ponto de vista económico, os tempos difíceis.
Pois, mas essa é a grande questão. Quando o mau tempo passar, quando é que esta descarga de água vai acabar, Raul?
É a pergunta que todos vamos fazendo, não é? E os especialistas respondem e a perspectiva não é boa. Bom, sem querer tirar aqui o lugar de Antímio de Azevedo, residente à Maria João, olhando para a frente sobre o tempo. Os especialistas dizem que a chuva vai continuar até o Carnaval, portanto, ainda temos mais uma semana e meia disto. E apenas no dia 16.
Vocês não estão todos a fazer um tracinho nos dias que passam. Menos um, menos um.
É uma série impressionante, consecutiva. Só no dia 16 é que isto deve dar tréguas significativas. Exatamente. Hoje é seis, exatamente. Daqui até lá, prevê-se que no domingo, este domingo, já portanto dia de eleições, seja um dia com pouca chuva em relação àquilo que tem sido padrão. O que é uma boa perspectiva para as eleições.
Mas é como se fosse ali uma aberta.
É quase uma aberta, exato. E uma aberta, enfim, terá períodos durante o dia, obviamente. Mas depois, na segunda-feira, tudo recomeça durante mais uma semana. É um cenário muito preocupante, porque já vemos muitas aldeias, vilas e cidades alagadas e isoladas. Olhar para as imagens em Alcácer, por exemplo, eu acho que são as mais impressionantes. Para quem conhece Alcácer.
E que não foi afetado pelas chuvas, foi afetado pelos ventos fortes, portanto há estas coisas destruídas, não consegue construir com esta chuva.
Mas perceber para onde é que vai esta água toda que ainda há de cair. Porque é preciso que agora pare a chuva para que os níveis desçam de alguma maneira.
E há muitas terras a desabar com esta quantidade de água.
Exato, e alagadas, e as barragens cheias e ali a gerir níveis máximos. Enfim, provavelmente tudo isto junto significa que tudo ainda vai ter que piorar antes de melhorar e de começar a reduzir os níveis. Portanto, é uma tragédia.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.
A pergunta parte de um princípio errado.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.