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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta, essa.

Esta terça-feira eles não andam bons da bola. Não sei se é só à terça, se à quarta também.

Não, não andam.

A pena de Le Pen. Mas para começar, Paulo, os 28 debates para as legislativas já têm datas marcadas, mas a questão é: vão mesmo acontecer todos?

Pois, essa é neste momento a grande dúvida. Porque há quem se recuse a debater com Nuno Melo, o líder do CDS, partido que integra a AD, e com quem Luís Montenegro quer dividir este encargo de debater com todos os outros partidos com representação parlamentar. Mas todos os debates já têm, de facto, dia, hora e canal de televisão confirmados. Começam precisamente aqui a uma semana, no dia 7 de abril, terminam no dia 28 de abril. Pelo meio haverá algumas pausas para a Páscoa e também no 25 de abril. Ao todo são 28 debates com o frente a frente de Pedro Nuno Santos e Luís Montenegro a encerrar este ciclo. Dizem que são essenciais para que os indecisos definam o seu sentido de voto. Então, por isso que começam estes combates. São importantes. Importantes e que geram sempre muita curiosidade. Paulo, andas a praticar o teu francês?

Eu ia.

Como é que se diz à justiça o que é da justiça e à política o que é da política em francês? O francês, Luís, de facto não é propriamente o meu forte. Mas esta, ou pelo menos uma versão semelhante da frase que tanto anda na boca muitas vezes de políticos portugueses, deve ter sido dita ontem muitas vezes em França. Marine Le Pen conheceu ontem a sentença da acusação do desvio de fundos do Parlamento Europeu pelo seu partido. Foi condenada, já sabemos, e continua nas notícias, a quatro anos de prisão, fica afastada das eleições presidenciais durante cinco anos, o que basicamente engloba também as presidenciais 2027. Isto é um golpe duro na extrema-direita francesa e nas suas aspirações eleitorais. Claro que a União Nacional já fala de um golpe democrático efetuado pelo sistema judicial. Obviamente, a vitimização era praticamente impossível não acontecer. Do outro lado, diz-se que ninguém está acima da lei, nem sequer políticos populares. A justiça e a política são poderes separados, independentes, mas é inequívoco que cada um deles interfere no outro.

Falaste de justiça, de política, então e o futebol? Anda a precisar de um árbitro isento?

É, parece que sim. Anda por aí uma guerra nos dirigentes do futebol português ou entre dirigentes atuais e passados. Pedro Proença, o recém-eleito presidente da Federação Portuguesa de Futebol, e Fernando Gomes, o seu antecessor no cargo, e que por sua vez também foi ele próprio agora eleito e tomou posse como presidente do Comitê Olímpico Português, abriram um conflito público. Fernando Gomes não gostou da forma como a nova direção de Proença está a lidar com a investigação aos negócios imobiliários da Federação durante a sua presidência. Aliás, investigação que levou, há poucos dias, a Polícia Judiciária e as autoridades a fazer várias buscas. E Pedro Proença não gostou que depois disso Fernando Gomes tivesse declarado que não o apoiava para alguns cargos na UEFA. E pede-se agora que o governo intervenha. Basicamente, a Federação Portuguesa de Futebol quer falar com o governo sobre isso. Mas será que é boa ideia o governo intervir nesta guerra surda no mundo de futebol? É que por regra, a política acaba por se dar sempre mal com a atração fatal que o futebol representa. O melhor mesmo é cada um jogar em campos diferentes.

Paulo Ferreira com as perguntas que marcam a atualidade. Amanhã há uma nova edição, é sempre a seguir ao Jornal das sete.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar. É uma boa pergunta, essa.