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A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder a essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.
E começa agora uma nova edição do Ainda Bem Que Fazessa pergunta, da Rádio Observador. Paulo, Bruno, hoje falamos de regiões adiadas, fora da decisão, o presidente que já foi popular, mas começamos com políticos na mira da Justiça.
Como Benjamin Netanyahu, Bruno, vai ser preso?
Carla, parece ser essa a vontade do procurador do TPI, Karim Khan, um advogado britânico, que considera terem sido cometidos de guerra quer pelo Hamas, quer por Israel, e que por isso pediu a emissão de um mandado de captura para o primeiro-ministro israelita, mas não é o único alvo do procurador, que também quer que sejam emitidos mandados de captura contra o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, e contra três figuras destacadas do Hamas, Yahya Sinwar, Mohammed Deif e Ismail Haniyeh, sendo que este dirigente do movimento terrorista se encontra no Catar. Agora, este pedido do procurador será avaliado por um painel de juízes do Tribunal Penal Internacional. Se o mandado for emitido, Netanyahu, bem como os restantes alvos dos mandados, pode ser preso caso visite algum dos países que assinaram e ratificaram o Estatuto de Roma. Mas não é fácil que isso aconteça. Basta ver o caso de Vladimir Putin.
Putin, exatamente.
Também tem o mandado do Tribunal Penal Internacional, mas dificilmente será cumprido. No caso da Rússia, até pelo receio de despoletar um incidente diplomático.
Bem, vamos à nossa política.
Vamos aos nossos políticos.
Como é que Marcelo desperdiçou a aprovação popular que manteve durante tanto tempo, Paulo?
É verdade. É um verdadeiro case study, acho que isto merece ser estudado, que era a popularidade, que é depois a perda dela. E numa sondagem da TVI CNN divulgada ontem, apenas 25% dos inquiridos dão agora boa classificação ao presidente. E há mesmo 30% que dizem que a atuação de Marcelo ou é má, 17% dizem isso, ou muito má, 13%. A soma disto dá os tais 30%. As pessoas basicamente não são parvas, e todos fomos assistindo ao plano muito inclinado em que o presidente da República se foi colocando e deslizando ao longo dos últimos anos. Declarações sobre os dias sobretudo e mais um par de botas, botas de futebol, bem entendido, portanto com aquelas flash interviews antes e depois dos jogos. Contradições quanto baste nas posições públicas que vai tomando, o caso das gêmeas e as trapalhadas na versão oficial sobre o caso, a tentativa de travar o escrutínio desse caso com a ocultação de documentos, as posições mais do que duvidosas sobre os abusos sexuais na igreja. Enfim, as absurdas declarações, ultimamente, sobre reparação histórica e os mimos que nessa conversa dedicou a António Costa e a Luís Montenegro. Enfim, é um rol, isto tudo de cor, de memória, sem consulta de arquivos, tanta é a abundância de casos ou de polêmicas que envolveram Marcelo. Portanto, estranho seria que a popularidade de Marcelo Rebelo de Sousa continuasse positiva.
Então, e Bruno, por que o ministro da Educação não votou a decisão sobre o novo aeroporto?
Maria Joao, aqui é uma resposta muito simples, porque antes de ir para o governo, Fernando Alexandre era um dos especialistas que integrava a comissão técnica independente, responsável pela avaliação da localização ideal para o novo aeroporto de Lisboa. É economista de formação. O atual ministro da Educação, Ciência e Inovação fez parte da comissão enquanto especialista da área econômico-financeira e por isso podiam levantar-se aqui algumas questões quanto a eventual conflito de interesses, por ter feito parte da comissão. O Ministério da Educação tentou clarificar e garantiu ao jornal Público que Fernando Alexandre não participou em qualquer discussão, nem votou em qualquer deliberação relativa à localização do novo aeroporto de Lisboa. Vamos acreditar na palavra do ministério e do ministro. O problema é que nós somos um país pequeno, uma pessoa vira-se para um lado e num dia está numa comissão técnica, vira-se para o outro e está no ministério.
Exato, é uma coisa ou outra. Cuidado, Carla, não te viro xadrez.
Exato. Ainda encontras.
Mas por acaso íamos virar para a regionalização, porque será que a regionalização, Paulo, é agora o novo aeroporto de Lisboa?
Olha, se olharmos para os prazos em que se vai discutindo sem nada decidir, sim, claramente. Com o aeroporto, já conhecemos a história, foram mais de 50 anos para decidir. E com a regionalização já andamos por lá perto.
Com referendo e tudo.
Com referendo, exatamente. Está prevista na Constituição desde 75, portanto vai quase fazer 50 anos e anda ali a entrar e a sair de programas de governo à medida que os governos vão sendo eleitos. Já houve inclusivamente esse tal referendo nos anos 90, que chumbou, nessa altura muito com a ajuda de Marcelo Rebelo de Sousa, que era líder do PSD e que fez campanha pelo não. E continuamos nisso. António Costa queria fazê-la, agora nos últimos governos, mas foi adiando. Luís Montenegro já disse que não tem pressa nenhuma, que não é prioritária. E o presidente da República já veio dizer que acha, obviamente, também concorda, não é prioritário nos próximos dois anos. Dois anos, basicamente, é o tempo que ainda demoram ao mandato, este último mandato de Marcelo Rebelo de Sousa, percebe-se que ele não queira marcar mais um referendo sobre o assunto. Basicamente, o próximo presidente da República que fique com essa possível batata quente. A questão é difícil.
Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder a essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta, essa.