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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.

E esta segunda-feira falamos de normalização Covid. Vai tirar a carta, ô Zé?

Vai tu.

Vai tu. Menos pode ser mais, mas começamos por um assunto muito sensível.

O Estado vai aumentar o apoio à comunicação social?

Uhum.

Luís, em primeiro lugar, vamos aos números. Em 2023, o financiamento do Estado português à comunicação social cifrou-se nos 214 milhões de euros, mas cerca de 96% desse valor teve como destino a RTP, com 191 milhões, e a Lusa, com 13,6 milhões. Mesmo assim, o valor do investimento público, direto e indireto na comunicação social, fica abaixo da média dos restantes países europeus. Com base nestes dados, e numa altura em que o governo prepara um plano de apoio aos média, a Entidade Reguladora para a Comunicação Social elaborou uma lista de recomendações, entre as quais a proposta de apoiar a transformação digital nas redações, a criação de um cheque-jornal dirigido sobretudo aos mais jovens para aquisição de assinaturas e o apoio direto através da criação de bolsas para projetos de investigação jornalística. Não sabemos se o governo irá aproveitar algumas destas sugestões da ERSE. O tema é polémico, mas aqueles números são preocupantes. A RTP absorve praticamente 90% do financiamento público dos média.

Só para um 10. Já estamos preparados para o encerramento de algumas maternidades, Paulo.

Parece que sim, mas foi preciso chegar a um ponto limite para se entender, de facto, que a racionalização dos serviços de saúde pode ser feita, e provavelmente deve ser feita, também em benefício dos utentes. Nos últimos anos, temos assistido a esta incapacidade do Estado manter permanentemente abertos os serviços de obstetrícia que temos no SNS. Daí estas escalas para encerrar alguns, sobretudo agora no verão. E este fim de semana tivemos o diretor-executivo do SNS, António Gandra d'Almeida, a dizer ao Expresso que se a solução for encerrar de vez alguns serviços e concentrar essas urgências num dos pontos da rede, isto é, num dos hospitais do SNS, com uma urgência mais fortalecida, assim o farão. Eu ainda sou do tempo em que houve muita polêmica quando Correia de Campos, então Ministro da Saúde, há quase 20 anos, decidiu fechar algumas maternidades, sobretudo no interior, porque não havia capacidade com o número de médicos para manter tantas abertas. E também me lembro do cordão humano para salvar a lisboeta Maternidade Alfredo da Costa há pouco mais de 10 anos. Podemos, de facto, todos nós querer um hospital em cada bairro, mas não ficamos melhor servidos por isso, seguramente.

Bruno, então e quantos condutores andam por aí sem carta? Há muitos que parecem não ter carta.

Boa pergunta.

Foi exato, assim parece, é verdade.

E se calhar não têm.

Se calhar não têm.

Porque de acordo com uma estimativa das secções de trânsito da PSP e da GNR, serão cerca de 50 mil os condutores que circulam sem carta de condução ou então que têm o título caducado. No ano passado, o Instituto da Mobilidade e dos Transportes notificou 55 mil condutores com a carta caducada há mais de dois anos, quando até tinha sido criado um regime extraordinário que isentava esses condutores da necessidade de realizar exame, mesmo que o título tivesse caducado há mais de dois anos. Porém, apenas 15 mil condutores aproveitaram essa benesse e renovaram a carta, o que dá logo uma ideia do que anda por aí. Só no ano passado, a PSP e a GNR detectaram quase 15 mil condutores em situação irregular, porque também apenas 15 mil condutores aproveitaram aquela benesse de renovação da carta sem ter de fazer novo exame. Parece que os portugueses, ou pelo menos estes portugueses, não passam cartão nenhum à carta de condução.

Paulo, e quatro anos depois da pandemia, já normalizamos as mortes por Covid? É, Luís, dá a ideia que sim. Os dados são do INE, divulgados na sexta-feira passada. Em julho, morreram em Portugal 9528 pessoas, das quais 304 devido à Covid-19. Trezentos e quatro num mês, feitas as contas, são cerca de 10 pessoas por dia que morreram devido à Covid. Isso quer dizer que o vírus ainda mata e provavelmente vai continuar a matar por muitos anos, eventualmente para sempre. Terá vindo para ficar. Isso devia recordar-nos que há cuidados que devíamos manter, nomeadamente a vacinação, de acordo com as indicações das autoridades de saúde. As doenças, de facto, podem sair das notícias, mas isso não quer dizer que desapareçam ou que percam totalmente as suas consequências mais graves.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.