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A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.

Esta quinta-feira falamos de casa às costas, inquéritos anunciados, acesso à saúde, mas começamos com boas relações.

Boas relações.

Eu fico neste estúdio. Boas relações, bom ambiente.

E não só. Pedro Nuno Santos é o polícia bom do PS para o Presidente da República.

Olha, é o que parece. Isso ontem ficou muito evidente depois da audiência entre Pedro Nuno Santos e Marcelo Rebelo de Sousa. O novo líder dos socialistas foi apresentar cumprimentos depois da sua eleição. É uma prática habitual em Portugal, foi apresentar cumprimentos ao presidente e deixou claro que não compra a guerra com o Presidente da República, que António Costa abriu e que está ainda em crescendo. O líder do PS não acompanha sequer as críticas de algumas figuras do partido, que acham que o Presidente da República devia ter aceito o novo primeiro-ministro sem levar o país a eleições. Estes foram temas em que Pedro Nuno Santos se manteve em silêncio durante o congresso, até porque sabe que agora tem que construir uma relação institucional com o Presidente da República. Ele saiu ontem de Belém a distanciar-se dessas críticas socialistas. Diz que isso não quer dizer que a liderança do PS tenha o mesmo posicionamento ou a mesma opinião sobre o Presidente da República. E quem sabe, obviamente, se o novo líder do PS não vai ainda precisar de Marcelo no pós-eleições.

Júlio, afinal, os imigrantes portugueses têm ou não acesso ao SNS?

O Ministro da Saúde foi ontem ao Parlamento desmentir que não há qualquer problema, mas não conseguiu explicar o decreto que foi feito há um ano a condicionar o acesso dos portugueses que trabalham no estrangeiro ao nosso SNS. Ficou-se na dúvida, mas a verdade é que há mesmo um decreto de há um ano e que não está explícito, mas que agora é importante porque vêm aí eleições legislativas e europeias. Toca, por isso, a fazer tudo para desmentir o que parecia ser uma intenção, mas que agora não dá jeito nenhum. Já se sabe como os imigrantes têm sido tratados em eleições, estão cada vez mais longe da nossa realidade e, sobretudo, da nossa política, porque só se lembram deles quando é preciso ir buscar votos. E nem para isso lhes facilitam a vida. Mas em termos de campanha, tudo se resolve até se saber quem ganhou.

E Paulo, já sabemos qual será a primeira comissão parlamentar de inquérito da próxima legislatura?

Olha, há fortes indícios sobre isso. O maior candidato a isso neste momento é o Global Media Group. Os gestores dos últimos anos deste grupo de comunicação social estiveram nos últimos dias no Parlamento e foram vários os partidos que anunciaram essa intenção. A intenção de promover o inquérito parlamentar à gestão caótica, obviamente, este inquérito parlamentar a ocorrer depois das eleições e com a nova formação da Assembleia da República, que há de resultar delas. Iniciativa Liberal, Bloco de Esquerda, PAN e Livre falaram disso. O PS e o PSD não se pronunciaram, pelo menos para já. E, obviamente, não será por essa comissão parlamentar de inquérito que alguma coisa vai mudar no grupo do JN, do DN e da TSF. E até se estranha, digo eu, que o Parlamento se possa ocupar disso. O grupo é privado e que se saiba, não há ali intervenção de dinheiros públicos que esteja preciso escrutinar. As suas dificuldades serão, por isso, mais um caso de polícia do que um caso de política.

E não é que ainda há professores sem casa, como foi prometido. Será que se vai resolver agora, Júlio?

O Jornal Público dá conta na edição de ontem dos professores que estão deslocados e a quem foi prometido casas em setembro passado com rendas acessíveis. E o que conclui? Que nunca tiveram essas casas, tiveram direito a um lugar nas bolsas de casas com renda acessível, mas até hoje continuam à espera. Ou seja, já não chega terem de andar centenas de quilómetros para fora do seu território para irem dar aulas e ainda por cima o que foi prometido no início do ano letivo não foi cumprido quando já estamos a meio. Alguns dizem que não sabem de nada, que outros dizem continuam sem saber e nem sabem se essas casas existem. Má altura para protestar. Estamos em campanha e nada como novas promessas nestas alturas, como as da recuperação de tempo de serviço e salários e, já agora, das casas. Quando o novo governo estiver em funções, este ano letivo está a chegar ao fim.

A questão é difícil.

Eu acho que a sua questão é muito importante.

Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.

Ficará eventualmente a pergunta no ar.

É uma boa pergunta, essa.