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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Calma, Jesus.
Calma, diz Aguiar Branco. Será que os deputados socialistas ouviram o mesmo discurso do presidente da Assembleia da República?
Falar neles, não é?
Falar neles.
Isto não acontece muitas vezes, mas aconteceu no sábado. O presidente da Assembleia da República centrou o seu discurso de 25 de Abril, na sessão solene, nas exigências, que são cada vez maiores, que os políticos colocam a si próprios em nome da transparência. E na bancada do PS, isso só foi visível, sem olhar para as outras, só na bancada do PS, houve quem tivesse aplaudido de pé, como António Mendonça Mendes, ou quem tivesse virado as costas, em sinal de protesto, como fez Pedro Delgado Alves. O mesmo discurso, a mesma classe de político, se quisermos, o mesmo partido, e duas visões tão diferentes sobre aquilo que são as exigências de transparência. Podemos dizer que também foi para isto que se fez o 25 de Abril.
Quem põe ordem no funcionamento do Ministério Público, quem é?
É verdade, quem é que vem lá pôr ordem? É que há uma auditoria, que agora vai sendo conhecida, que revela de facto aquilo que é o caos, não se pode chamar de outra forma, caos na organização do DCIAP, o Departamento Central de Investigação e Ação Penal, que é a estrutura mais importante da investigação criminal no país e que tem a seu cargo os processos mais mediáticos e mais pesados. O diagnóstico é uma espécie de galeria de horrores, atribuições aleatórias de processos, provas que levam cinco meses a chegar da Madeira a Lisboa, três anos para digitalizar documentos, dois anos para obter resultados laboratoriais, escutas que se prolongam no tempo. Enfim, uma coisa é a independência da investigação, que obviamente deve ser sagrada e é sagrada, e outra coisa é a autonomia da gestão. E sobre gestão, estamos perante uma incompetência muito grande. Talvez o Ministério Público deva chamar quem sabe para funções de gestão. É que um bom procurador não tem necessariamente que ser um bom gestor, mas parece que há dificuldade em reconhecer isto.
E pode um tiroteio ser aproveitado politicamente por Donald Trump?
Já está a ser, não é?
E dois, então, ainda mais.
Dois ainda mais. Esta última tentativa de ataque no jantar anual dos correspondentes da Casa Branca pode dar algum fôlego político a Donald Trump, que está com níveis de aprovação pública historicamente baixos, mas é para já um trunfo para a obra mais polêmica de Trump, que é a construção de um salão de baile gigantesco na Casa Branca. A obra custa 200 milhões de euros, é polêmica, já deu origem a processos judiciais, mas Trump insiste nela. E agora, obviamente, que o presidente já veio dizer que o problema de segurança como este que ocorreu no hotel em Washington, onde se realizava aquela gala, isso nunca teria acontecido se esta gala se realizasse naquele salão da Casa Branca, que obviamente terá outras medidas de segurança. Portanto, agora é que ninguém o vai calar com isto.
Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.
Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.
Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.
Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.
Calma, Jesus.