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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.

A pergunta parte de um princípio errado.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.

Paulo, tu que és bom nos números, vais saber responder a esta.

Isso é de caras.

Quantas dezenas de reuniões são necessárias para se chegar a um acordo?

Ui, Carla, isso não é fácil. No caso das leis laborais, e é disso que falamos, cinco dezenas de reuniões não chegam, porque o governo, o CT e as associações empresariais já realizaram 52 reuniões, contando com a de ontem. E ontem, ao fim de quatro horas, da 52ª reunião, interromperam as conversações, à espera da próxima reunião. Todos dizem que há avanços, vão se aproximando, que estão mais próximos, mas que não estão assim tão próximos para que se possa falar já de um entendimento seguro. Portanto, com tantas horas investidas, agora vamos ver o que sai dali quando esta prova de fundo terminar. Se sai dali um bom projeto ou não. Vamos ver.

Por falar em demoras, e também falaste aí na palavra seguro. Quanto tempo mais vai demorar António José Seguro a escolher a sua equipa para Belém?

É verdade que António José Seguro cunhou para a história da política, uma daquelas frases que ficam célebres: qual é a pressa? Na altura, discutia-se a marcação de um congresso do PS, um congresso antecipado, e Seguro era líder do PS, estava a ser desafiado por António Costa. António José Seguro é agora presidente empossado há três semanas, venceu as eleições há mais de um mês, um mês e meio, a data da segunda volta, e suspeitava que ia ganhá-las há dois meses e meio, desde a primeira volta, que era quase garantida a sua vitória. Portanto, teve mais do que tempo para pensar em tudo e decidir tudo. O Observador compara, num trabalho que faz sobre a equipa ou o atraso na equipa de Seguro, compara com Cavaco e Marcelo. Todos indicaram os seus nomes antes ainda da tomada de posse, pelo menos o chefe da Casa Civil foi conhecido. E este trabalho fala-nos também do embaraço de quem quer contactar institucionalmente a Presidência da República, que é evidente, isto é, não se sabe muito bem a quem se dirigir para terminar o assunto. Portanto, há aqui um atraso claro, não sabemos o que o presidente pensa sobre isto. Mas nem tanta pressa como há mais de 10 anos, nem tanta falta dela como agora. Portanto, há aqui um equilíbrio.

Paulo, preferimos continuar sem saber quem é Ivo Faria.

Preferíamos, certamente. Este é mais um daqueles casos de suspeitas escabrosas, por isso o melhor era que não estivéssemos aqui a falar dele. O protagonista é Ivo Faria, 27 anos, foi detido este fim de semana por alegado abuso sexual da própria filha de cinco anos e de pornografia infantil. Ele foi candidato autárquico nas últimas eleições à União de Freguesias de Antime e Silvares, São Clemente, em Fafe. Ora bem, perguntam: candidato por que partido? Se responderam Chega, acertaram. É mais um caso, mais uma suspeita hedionda a envolver militantes ou candidatos Chega. É certo que o partido já o expulsou. Foi na segunda-feira a expulsão, já depois da detenção ter sido feita, mas há claramente aqui no Chega um claro problema de recrutamento. Ivo Faria, já agora, ficou em prisão preventiva.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é a pergunta.

A pergunta parte de um princípio errado.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente.

Estas perguntas são uma antecipação daquelas que a comunicação social vai fazer.