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Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta essa.
Esta manhã, esta quinta-feira, falamos de incapacidade total, ginástica oratória, a solteirona mais conhecida de toda . Mas Juca, começamos por pouquíssimo.
É, por que é que o governo tem sempre de negociar pelos valores mínimos?
É, ontem teve a primeira reunião sobre aumentos para a função pública.
E partiu desde logo com os 2% que já tinham sido acordados o ano passado. Ora, claro, os sindicatos apontam para os 6%, estes, em boa verdade, partem também sempre para negociações com valores mais altos, mas partir com 2%, ou seja, o que estava acordado no ano passado, é ignorar ou então querer fazer passar a ideia de que de então para cá nada aconteceu, nem no mundo, nem no país, nem no bolso das famílias. O que se sabe é que desde o acordo do ano passado, os preços aumentaram em todos os setores, o combustível está mais caro, os créditos à habitação explodiram e o porquinho do Estado está cada vez mais cheio. É uma primeira reunião e como em tudo, o governo está disposto a dialogar.
Afinal, de quem é a responsabilidade pelos investimentos ruinosos que a Santa Casa fez na internacionalização?
Sobre isso, há uma longa troca de palavras entre a ministra e o anterior provedor da Santa Casa.
É verdade, uma troca de argumentos que importa esclarecer rápida e devidamente. Ana Mendes Godinho, que tem a tutela da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, disse ontem no Parlamento que a única autorização concedida ao negócio da internacionalização foi a constituição da sociedade, da empresa, que nasceu com um capital social de € 5 milhões. A partir daí, diz a gestão de Edmundo Martinho, não pediu mais nenhuma outra autorização, apesar de os investimentos terem sido de vários milhões de euros. E apesar do despacho da ministra definir também o contrário, Edmundo Martinho, ex-provedor, contesta dizendo que os valores previstos para este projeto de internacionalização estavam explicados em cada plano de atividades da Santa Casa, que sempre foram aprovados pelo Ministério da Ação Social. Portanto, há aqui dois argumentos. Parece que este vai ser mais um daqueles casos em que se evaporam os milhões e a responsabilidade, a tal solteirona mais conhecida do país, não é? Não aparece ninguém, obviamente, não vai à procura de noivo.
E não há mais nada que possa acontecer a Luís Montenegro.
As eleições na Madeira, afinal, não correram como se esperava.
Arrancou bem a rentrée política no pós-verão, estava a ganhar algum fôlego e de repente voltou tudo a correr mal. Foi à Madeira, convencido que ia poder explorar uma vitória com maioria absoluta e por isso ficou por lá até à noite eleitoral, algo que nunca tinha acontecido com outro líder. A noite não correu bem e o dia seguinte também não. A decisão de PSD Madeira coligar-se com o PAN, quando tudo indicava que o parceiro mais evidente era a Iniciativa Liberal, trocou-lhe de novo as voltas. Ontem teve que dar uma conferência de imprensa e fazer alguma ginástica oratória, de tal modo que até disse que as portas não estão fechadas ao IL. Já não basta ter um Parlamento Social-Democrata que lhe é parcialmente adverso e agora tem mais um problema dentro de portas que chega da Madeira.
Se faltam casas para professores, quando é que o governo consegue dar utilidade ao prédio antigo do Ministério da Educação, que está vazio há cinco anos?
Paulo, está destinado a ser uma residência para estudantes.
É verdade, está, mas as obras teimam em não começar. Já lá vão cinco anos desde que o Ministério da Educação mudou de sede e há quatro anos o primeiro-ministro lá esteve no edifício para uma daquelas cerimônias para as televisões, entregando as chaves do prédio a Pedro Nuno Santos, então ministro das Infraestruturas. A ideia era fazer dali a tal residência universitária, mas já passaram então 2018, 2019, 2020, 2021, 2022 e quase a passar 2023 e nem uma parede do prédio foi retocada até agora. Ontem ficámos também a saber que se candidataram 388 professores a uma casa de rendimento acessível, mas por agora só 15 desses 388 tiveram lugar a uma dessas casas. Portanto, vamos lá ver. O Estado é dono de muitos imóveis, estudantes e professores precisam de habitação a preços comportáveis, mas não há qualquer capacidade de execução para dar utilidade a esses imóveis públicos devolutos. Isto seria anedótico, de facto, se não fosse trágico.
Paulo Ferreira e Júlia Magalhães com as perguntas que marcam a atualidade. Amanhã há mais, sempre depois das notícias das 19h. Até lá, já sabe que pode ouvir esta e todas as edições em podcast.
A questão é difícil. Eu acho que a sua questão é muito importante.
Eu não lhe vou responder essa pergunta, porque não me apetece.
Ficará eventualmente a pergunta no ar.
É uma boa pergunta essa.