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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente. Calma, Jesus.

Bruno, vira o disco e toca o mesmo?

Maria Joana, na política portuguesa há músicas que nunca saem da playlist. Tu conheces bem as playlists. Só os artistas é que vão mudando. Há dois anos, a maioria dos diretores distritais da Segurança Social tinha ligações ao PS. Hoje, surpresa, a maioria tem ligações ao PSD. Esta mudança foi acelerada por uma reestruturação do Instituto da Segurança Social, que permitiu substituir todos os dirigentes e renovar as nomeações. Portanto, muda o elenco, mas a peça é mais ou menos a mesma, quase sempre a mesma. Há dias, o presidente da CReSAP, numa entrevista ao Expresso, disse que o regime de substituição, que devia ser a exceção, passou a ser a regra e a prova está aí. A Segurança Social tem dois terços dos diretores de centros distritais em regime de substituição, ou seja, ocupam os cargos sem terem passado pelo crivo da CReSAP. Onde é que nós já ouvimos isto?

E o Luís Montenegro vai segurar o ministro?

Qual deles?

Era o que eu queria que me dissesses.

Seria estranho se não o fizesse, e estamos a falar, neste caso, de Fernando Alexandre. É estranho porque não foi isso que Montenegro, seguindo aliás o exemplo de António Costa, nos habitou. Segurar ministros impopulares ou que atravessam momentos delicados, tem sido uma forma que os dois últimos primeiros-ministros encontraram para mostrar quem manda e que não governam ao sabor das críticas. Foi isso mesmo que o primeiro-ministro deu a entender. O processo dos exames, reconheceu ele, não tem corrido bem, mas há gente a desejar que tudo corra mal e a exacerbar o problema. E Montenegro, pelos vistos, não lhes vai fazer a vontade e por isso garantiu que mantém a confiança no ministro Fernando Alexandre. Se fosse no futebol, diríamos que isto era a crônica de um despedimento anunciado. Na política, e conhecendo a práxis de Montenegro, é quase certo que um primeiro-ministro só deixa cair um dos seus, mesmo em último recurso.

Então depois já te quero ouvir sobre o Luís Neves. Entretanto, na estrada jogamos pelo seguro?

Jogamos, ou melhor, arriscamos sem seguro. A propósito da tempestade Cristine, muito se falou sobre seguros, sobre aquilo que cobrem ou não cobrem, sobre quem tem seguros e quem não tem, se vale a pena ter seguros que cubram determinados riscos, mas partimos do princípio que na estrada os carros têm seguros, pelo menos o obrigatório de responsabilidade civil. Mas a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões estima, com base nos dados de fiscalização da PSP, que haverá cerca de 121 mil viaturas a circular nas estradas portuguesas sem o seguro obrigatório. Além de constituir uma infração à lei, a falta de seguro pode acarretar graves consequências para o infrator em caso de acidente, mas há quem não se preocupe, até porque, como nós sabemos, os acidentes só acontecem aos outros.

Bruno, tudo o que sobe tem de descer.

É uma lei da física que se aplica também ao preço dos combustíveis.

À vida, no geral.

À vida, no geral. No preço dos combustíveis há aqui uma ligeira diferença, porque a descida é mais lenta, a ponto de dar a impressão de que as gasolineiras, quando há oscilações no preço do petróleo, retardam as descidas e apressam os aumentos. E não é só a impressão. É assim mesmo que os mercados funcionam, porque o preço do petróleo é apenas uma das variáveis do preço que depois temos na bomba. Depois há a cotação de refinados, os estoques, a logística e um longo etc., que parece jogar sempre contra quem vai abastecer. Esta semana, em reação ao aumento do petróleo, os portugueses que forem abastecer já vão sentir a diferença no bolso. Quando o petróleo descer, vão ter de esperar um pouco mais para sentir o alívio.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é uma pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos. Eu às vezes tenho mais que fazer do que estar a responder diariamente. Calma, Jesus.