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Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus.

Paulo, mesmo com estes preços, não conseguimos poupar no combustível.

É essa, de facto, a dura realidade. Os preços estão em valores máximos, sabemos disso, e o consumo de combustível não deixa de aumentar. A ministra do Ambiente salientou ontem isso mesmo, disse que o consumo, e aqui estamos a falar tanto de gasóleo, como gasolina, como jet fuel, está a subir 4% a 6% em termos homólogos. E logo a seguir, Maria da Graça Carvalho apelou à poupança no consumo de combustíveis. Pois, o apelo faz sentido, tudo isto faz sentido, mas há aqui um pequeno problema. As pessoas e as empresas gastam basicamente o que têm de gastar para as suas necessidades de combustível, no fundo, para fazer as suas vidas. É aquilo que os economistas chamam de baixa elasticidade na procura, ou seja, as quantidades consumidas, neste caso de combustíveis, variam muito pouco, independentemente dos preços. Mesmo com preços elevados, não é possível deixar de gastar. Portanto, não será por aí que o mercado se vai certamente equilibrar no curto prazo.

Ou seja, a procura é igual.

É igual. Até aumenta, porque a necessidade das pessoas aumentou, porque a dinâmica económica, provavelmente há mais pessoas a trabalhar, as empresas trabalham mais do que o ano passado. Portanto, este é um aumento normal com a economia. O que é que pode ficar de lado? Algumas viagens mais lúdicas, que as pessoas podem deixar de fazer, mas isso se calhar tem pouco peso no consumo.

É uma gota no oceano.

É uma gota.

Bruno, a Alemanha abandonou o centrão?

Nas eleições regionais do domingo passado, deixou o centrão mais próximo de um centrinho. Em Berlim, ganhou o Die Linke, da esquerda, com cerca de 26% dos votos. A CDU do chanceler Friedrich Merz ficou em segundo, com menos de 19%, e a AFD chegou aos 16%. E em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, os resultados foram mais impressionantes, com a AFD a vencer com cerca de 38%. A CDU teve apenas 4,9%, ficou fora do parlamento regional. Ou seja, enquanto a esquerda radical cresce de um lado e a direita radical cresce do outro, a CDU, que é o grande partido do centro-direita alemão, parece estar aqui a perder terreno. E há ainda o pormenor simbólico de uma nova vitória da AFD, que já tinha vencido na Saxônia-Anhalt e agora volta a ganhar noutro estado. E a CDU, pelo contrário, teve aqui em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental o pior resultado da sua história naquele estado. E o chanceler Merz, que classificou os resultados de desastrosos, teve de vir dizer que continua chanceler e que não está em causa a liderança do governo. Mas estes resultados, que até podem ser conjunturais e atribuem-se aqui a vários fatores, incluindo os do atual momento económico, mostram que os eleitores alemães confiam cada vez menos no centrão.

Paulo, será desta que o Estado vai deixar de nos pedir aqueles documentos que já tem?

Ora bem, vamos lá ver se é a terceira.

Terceira vez.

Terceira vez. Esta será mais uma tentativa para que os serviços públicos, de facto, cumpram a lei, ela que está em vigor há muito tempo, e que deixem de fazer dos cidadãos seus criados, no fundo, a ir buscar documentos de um lado para o outro. O governo entregou na Assembleia da República, entregou agora uma autorização legislativa para tornar obrigatória, de facto, a partilha de dados e documentos entre serviços públicos. Isso será feito através de uma plataforma de interoperabilidade da administração pública. Portanto, há tecnologia envolvida aqui. E o objetivo é finalmente concretizar aquele princípio de só uma vez, ou seja, impedindo que os cidadãos e empresas tenham que voltar a entregar informação que já esteja na posse do próprio Estado. Isto acontece tantas vezes. Será que isto vai funcionar? Não sei, vamos esperar para ver. A primeira legislação feita para isto foi em 2011, a segunda, um decreto completíssimo, foi em 2014, portanto, mais de 10 anos depois, vamos ver se é desta que a lei pega.

Sim, vamos ver se é. E Bruno, vêm aí os russos?

Carla, esta é uma pergunta que já fizemos tantas vezes nesta rubrica que a este ritmo, qualquer dia a Rússia até nos pode tentar sabotar. Só que desta vez há aqui uma novidade importante. O aviso não chega apenas de políticos, alguns a querer semear também o pânico, ou documentadores e analistas. Os chefes dos serviços de informações da República Checa, da Letônia e da Suécia dizem que a Rússia poderá estar mesmo a preparar ações mais concretas contra a NATO, os países da NATO, que podem ir da sabotagem em incursões de drones a uma eventual incursão militar limitada. Isto não significa que Vladimir Putin vai invadir algum país da NATO amanhã, mas parece estar o regime russo cada vez mais disposto a testar a capacidade de reação do inimigo. Sabotagem, ciberataques, drones e outras operações destinadas a testar a resposta europeia já fazem parte do problema de segurança que os países da NATO estão a considerar. Portanto, pela enésima vez, os russos não vêm aí, eles estão aí e estão cada vez mais arrojados.

Eu ouvi a pergunta, mas ela não é pergunta.

Eu percebo as vossas perguntas, mas vamos com calma, está bem? Não quero que ninguém se magoe.

Eu respondo-lhe a isso quando me disser aqui olhos nos olhos.

Eu às vezes tenho mais para fazer do que estar a responder diariamente.

Calma, Jesus.